Lis Lemos
A Universidade Federal de Goiás (UFG) foi uma das 100 universidades do país escolhidas pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) para atuar na capacitação de profissionais de saúde que trabalham diretamente com dependentes químicos. Ao todo serão atendidos 300 profissionais, entre médicos, psicólogos e assistentes sociais, de 42 municípios da região metropolitana de Goiânia e da Região da Estrada de Ferro.
A inauguração do Centro ocorreu na manhã dessa quinta-feira (18/8) e contou com a presença do professor Vladimir de Andrade, representante da Senad, do reitor da UFG, Edward Madureira Brasil, da gerente de saúde mental da Secretaria Estadual de Saúde, Luciana Santana e da coordenadora do Centro, Tânia Maria Silva. O Centro Regional de Referência de Formação Permanente sobre Drogas funcionará em um prédio no Campus da Praça Universitária. Com o convênio, a UFG passa a fazer parte do Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack.
Edward acredita que a UFG terá um papel importante no enfrentamento ao crack e outras drogas e que o fato de ter sido uma das vencedoras do edital se deu justamente por um trabalho que a universidade já desenvolvia nessa área. "A UFG agora vai participar da formação e da execução de políticas públicas", avaliou. Em sua fala, o reitor disse que acredita que "a maior ameaça da sociedade sejam as drogas".
O professor Vladimir mostrou aos participantes como se estrutura o Plano Nacional de Enfrentamento ao Crack, assinado ainda no governo Lula. Em 2010, foi designado um orçamento de R$ 400 milhões para sua implementação. O professor afirma que o Plano está no início e que a capacitação de profissionais é a base do plano. "Melhorar a qualificação dos profissionais que trabalha com os usuários é prioridade", defendeu o professor. Ele argumentou ainda que "as drogas ainda ocupam uma posição secundária nas políticas públicas".
O governo federal ainda não tem um levantamento do número de usuários de drogas no país, e isso deficulta as políticas volytadas para a saúde mental. No entanto, Vladimir afirmou que a Senad está fazendo uma pesquisa junto a FioCruz para conseguir ter um número preciso. Ele afirma ainda que em uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas, realizada em 2010, tem orientado as políticas do governo federal. De acordo com a pesquisa, no ano passado 900 mil pessoas admitiram ter usado crack ou cocaína. "Essas drogas podem ter uso social, mas a tendência é que se tornem dependentes", revelou
A coordenadora do Centro, Tânia Maria da Silva, afirma que ainda não é possível definir quantos usuários serão atingidos ao final da capacitação. O primeiro módulo já começa na tarde dessa quinta-feira.