Jairo Macedo
Por três vezes, inspeções de fiscalização trabalhistas encontraram bolivianos e peruanos vivendo em situação escrava em atividades ligadas à empresa Zara, do grupo espanhol Inditex. O site Repórter Brasil apurou que uma fornecedora da badalada marca de roupas foi flagrada usando a mão-de-obra escrava de 15 pessoas, incluindo uma menor de 14 anos.
A investigação se iniciou em maio, quando mais de 50 trabalhadores foram encontrados em condições degradantes em Americana, no interior de São Paulo. Como algumas dessas pessoas costurava calças da Zara quando foram encontradas, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP) achou por bem se aprofundar na investigação da marca.
Em duas oficinas localizadas na capital paulista, novamente condições degradantes de trabalho foram constatadas, além de contratos irregulares, trabalho infantil, excesso de carga diária de trabalho, descontos proibidos nos salários e outros abusos desumanos. Os salários, segundo registros encontrados nos locais, oscilavam entre R$460 e R$ 274, este último praticamente a metade do salário mínimo no Brasil. Até a liberdade dos funcionários, quando nos poucos momentos de folga, eram cerceados.
Inditex responde
Autuada em 52 infrações, a empresa espanhola tratou de responder à acusação. O problema foi “terceirizado”, por assim dizer. A Zara declarou que as empresas fornecedoras, conforme a lei brasileira e o próprio código de conduta da Inditex, responsabilizam-se totalmente com o ambiente de trabalho de seus funcionários, bem como pelas compensações salariais deles.
De qualquer forma, afirma a rede, a fiscalização sobre suas fornecedoras no Brasil e em todo mundo será reavaliada. Não só os dois fornecedores paulistanos, mas todas as 50 fornecedoras da Zara espalhadas pelo país terão seu ambiente e condições de trabalho revistos. Ao todo, mais de sete mil funcionários atuam nessas empresas ligadas à Inditex.