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A cidade não é para todos

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14.08.2011 - 11:36:48

 

Lis Lemos
 
Repare na calçada na porta do seu trabalho ou da sua casa. Pense se uma pessoa com deficiência física, principalmente um cadeirante, conseguiria andar tranquilamente por ela, atravessar a rua e fazer as demais atividades que uma pessoa sem deficiência faz sem se preocupar com o tipo de piso da calçada, ou o nível do meio-fio e o asfalto. Desnível, entulhos e árvores são os principais empecilhos encontrados para quem usa cadeira de rodas ou muletas para se locomover.
 
As calçadas irregulares são apontadas como o principal empecilho para exercer o direito de ir e vir dos deficientes físicos. A presidente da Associação dos Deficientes Físicos do Estado de Goiás (Adfego), Maria de Fátima Carvalho, conhecida como Clara, relata que é "impossível sair da Adfego e ir até o Crer". O exemplo é emblemático pois as duas instituições ficam próximas uma da outra.
 
Além das calçadas, Maria de Fátima, aponta os ônibus como um dos maiores obstáculos enfrentados pelos deficientes físicos, mesmo aqueles que têm elevadores. Para a presidente, o ideal é que os ônibus tivessem piso rebaixado. Segundo ele, os elevadores muitas vezes estão estragados e alguns motoristas se recusam a utilizá-los. 
 
A dificuldade em utilizar o transporte coletivo também é apontada pelo arquiteto e professor da UFG, Mateus Bertone, que precisa do apoio de uma bengala para se locomover. Ele avalia que mais que uma questão arquitetônica, o problema enfrentado pelos deficientes é de educação. O professor argumenta que os motoristas de ônibus não esperam que ele se acomode, suba os degraus, passe a catraca para então dar a partida. "Isso é algo que me faz repensar se quero ficar em Goiânia", avalia.
 
Mateus vê o trânsito de Goiânia como "violento e desrespeitoso com o pedestre". Para ele, mais do que os problemas com as calçadas, é preciso avaliar o momento em que o pedestre está na rua. Ele conta que o tempo do sinal é curto para que um deficiente físico faça a travessia de uma rua, além do fato recorrente de muitos motoristas desrespeitarem o sinal fechado e correrem o risco de atropelar uma pessoa.  
 
Leis
A vereadora Cidinha Siqueira (PT) é cadeirante e militante dos direitos dos deficientes físicos e possui mais de 40 leis sancionadas nessa área. No entanto, ela afirma que os gestores de Goiânia nunca tiveram preocupação com a acessibilidade. A vereadora defende que a cidade necessita de um plano emergencial  de calçadas, que seria uma rota de calçadas acessíveis em alguns pontos considerados críticos, principalmente, Campinas.
 
Para Cidinha, o que falta não são leis, mas sim a implementação delas. "Acredito que as leis que são postas atendem a população, o que falta é ter um projeto que as coloque como prioridade", defende. A vereadora afirma também que Goiânia "está dentro do quadro das seis cidades mais acessíveis do país", de acordo com a secretaria Nacional de Direitos Humanos. "Os goianienses precisam de uma cidade mais democrática e acessível", defende.
 
Caminho
O aposentado Pedro Ferreira sai todas às terças e quintas-feiras para fazer fisioterapia no Hospital das Clínicas. O trajeto entre sua casa e o hospital não é longo, mas é dificultado pela falta de espaço, pelo desnível, pelas rampas encontradas pelo caminho. "Mesmo que eu não caia, machuca muito, quando eu tropeço", diz Pedro enquanto caminha pelas calçadas cheias de obstáculos.
 
Assim como Mateus, Pedro também sente muita dificuldade na hora de embarcar nos ônibus da capital. "Os motoristas não têm educação, não esperam a gente se ajeitar". Pedro revela suas "manhas" na hora de enfrentar a descida no ônibus. "Fico em pé perto da porta para quando parar eu descer. Se eu sentar não dá tempo", revela demonstrando o desrespeito com que é tratado pelo sistema de transporte coletivo. 
 
O desnivelamento das calçadas é apontado por Cidinha, Mateus, Pedro e Clara como um grande problema a ser resolvido. O que para uma pessoa sem deficiência física pode passar despercebido, para quem faz uso de cadeira de rodas ou bengala significa um enorme transtorno. Além de políticas públicas para acessibilidade, a vereadora alerta que a população precisa de sensibilizar na hora de construir as cal'cadas na porta de suas casas, levando em consideração que cadeirantes podem passar por ali.
 
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por Redacao Jornal

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