Cleomar Almeida
A desarticulação entre os estados do Centro-Oeste impedem o fortalecimento do agronegócio na região, de acordo com representantes de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Eles admitiram o problema, nesta quinta-feira (11/8), durante a Bienal dos Negócios da Agricultura, que ocorre pela primeira vez no Estado.
Na solenidade de abertura do evento, realizado no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, disse que a região assume 20% das exportações do agronegócio do País, o que representaria uma evolução. Para ela, todavia, os estados ainda têm muitos entraves de logística e de financiamentos que atrapalham o seu desenvolvimento.
De acordo com a presidente da CNA, a região tem a menor renda por hectare, apesar de registrar maior produtividade pela mesma área. Os problemas também atingiriam o escoamento dos produtos, já que, segundo ela, cerca de 70% da malha rodoviária do País estão em condição ruim ou péssima. Para a senadora, os investimentos em manutenção das rodovias deveriam passar dos atuais 2% para 3% do Produto Interno Bruto (PIB).
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), José Mário Schreiner acredita que a região deve aprimorar sua capacidade logística e de infraestrutura, reunindo as demandas dos estados do Brasil Central. Segundo ele, uma seguro rural e eficiente e melhorias de comercialização são imprescindíveis para garantir avanços na política agrícola da região.
O governador Marconi Perillo garantiu que assuntos sobre o agronegócio regional estão em discussão, na esfera federal, com maior intensidade. De acordo com ele, o Fórum da Produção do Brasil Central, que reúne as federações de agricultura, indústria e comércio dos estados do Centro-Oeste, fará um levantamento dos problemas do setor agrícola.
Celeiro agrícola
Se passar do discurso para a prática, a integração entre os estados pode mesmo gerar melhores resultados para a economia do Centro-Oeste. A secretária de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria e do Comércio do Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina Corrêa da Costa Dias, reconhece que cada estado tem particularidades que podem ser compartilhadas para aprimorar o agronegócio regional.
A estratégia também foi aceita pelo governador do Mato Grosso, Silval da Cunha Barbosa. Segundo ele, a união dos estados poderá ser decisiva para superar barreiras que atrapalham o crescimento da região.
O secretário da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Distrito Federal, Lúcio Taveira Valadão, destacou que o Centro-Oeste pode sair na frente porque, na avaliação dele, além de reunir o centro político do País, é um celeiro agrícola. Ele afirmou que 70% da área do Distrito Federal são destinados à atividade rural.
Na bienal, são realizados, ainda, debates paralelos de grupos ligados à categoria, como a Reunião da Câmara Setorial da Soja do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e o Encontro de Jornalismo Agropecuário no Brasil Central. O evento será encerrado nesta sexta-feira (12/8).
Com informações da assessoria de imprensa da Faeg