Catherine Moraes
Um princípio de rebelião assombrou o Centro de Apoio Sócio Educativo (Case), no Jardim Vera Cruz, na noite desta terça-feira (9/8). Adolescentes divididos em dois grupos começaram a brigar entre si. O motivo, segundo os jovens infratores, era a revolta contra um dos internos que é acusado de estupro. Enquanto um grupo agredia o garoto, os outros adolescentes tentavam defendê-lo. Um dos agentes foi feito refém mas ninguém saiu ferido.
O Case conta hoje com cerca de 50 jovens infratores e no sistema de plantão possui apenas três agentes de segurança. Em todo o sistema de segurança sócioeducativo do Estado, 60 funcionários pediram demissão no primeiro semestre de 2011. Entre os motivos apontados pelo promotor de Justiça da Infância e Juventude, Alexandre Vieira, estão grandes riscos associados a despreparo e baixos salários.
O promotor afirma que o problema não é recente, segundo ele, servidores comissionados e temporários foram contratados no ano passado. Com salários em torno de R$ 1 mil, pediram demissão levando em conta riscos diversos que estão associados ao trabalho. “Com isso, foi realizado um concurso imediatista no final do governo que não previa em edital capacitação necessária para o trabalho a ser executado.”, indigna-se.
Alexandre declara que o crime de estupro foi apenas uma desculpa para uma possível rebelião e reclama ainda da falta de estrutura do local. “Apesar de nos referirmos a adolescentes, não podemos esquecer que eles estão internados porque cometeram crimes. As camas são feitas com armação de ferro. É simples, eles arrancam e fabricam chuchos. A situação do Case é dramática e perigosa.”
Frequência
Segundo o secretário de Cidadania e Trabalho, Henrique Arantes, princípios de rebelião são, infelizmente, frequentes no local. Ele declara que a falta de profissionais é realente um problema. Por esse motivo, se reuniu na manhã desta quarta-feira (10/9) com a Secretaria de Gestão e Planejamento para definir um edital de convocação de concursados.
Henrique afirma ainda que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre a Agetop, o Ministério Público e o próprio Estado de Goiás, vai garantir uma reforma ao Case. “Algumas questões são emergenciais e merecem medidas imediatas, entretato, o Estado é lento e burocrático, por esse motivo, a reforma deve ter início no começo do próximo ano. O previsto é a construção de um novo pavilhão.”