Aline Lima
A Secretaria de Saúde anunciou, na tarde desta quinta-feira (21/7), a existência de 11 casos de Leishmaniose Visceral Canina (LVC), em Goiânia. Os cães contaminados habitavam os residenciais Monte Verde, Chácaras Ipê e Aldeia do Vale, na região leste da cidade. O animais terão de ser sacrificados.
Em entrevista coletiva, a diretora de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS), Flúvia Amorim, afirmou que em Goiânia nunca houve caso da doença. Já no Estado, 21 municípios já registraram casos.
Uma parceria entre SMS, Fiocruz e o Instituto de Patologia Tropical e Saúde Pública da Universidade Federal de Goiás (UFG) constataram a doença, depois de analisarem 109 amostras de sangue coletadas na região leste da Capital, local favorável para a proliferação do mosquito transmissor da doença, já que possui chácaras, brejos, muitas árvores.
Há vários tipos de leishmaniose, variando de acordo com o local. As mais conhecidas são a Leishmaniose Tegumentar (LT) que é infecciosa, não contagiosa, causada por protozoário do gênero Leishmania, de transmissão vetorial, que ataca mucosas. Afeta normalmente animais. Este tipo é comum na área rural, onde o transmissor pode contaminar lobos, gambás e raposas e roedores.
O caso encontrado em Goiânia, é do tipo Leishmaniose Visceral Canina (LVC), comum na área urbana, e mais preocupante, já que o contato do mosquito é direto com cães, animal doméstico, este contato próximo nas grandes cidades pode atingir um número maior de pessoas. O que pode resultar em um surto da doença.
Em Goiânia, as ações serão focadas no local de aparecimento dos casos e depois em outras regiões.
A contaminação da doença se dá via mosquito – cão e mosquito – homem. Ou seja, o cão não transmite a doença ao ser humano, nem por contato ou mordida.
Sintomas
Os principais sintomas da doença nos animais (neste caso em cães) e em humanos são praticamente os mesmos:
– Perda de peso
– Febre
– Falta de apetite
– Aumento do abdome (por causa do inchaço do baço e fígado)
Segundo a SMS, a rede pública de saúde do Estado está preparada para diagnosticar e atender possíveis casos.
A orientação é que todo aninal doente, que apresente qualquer um dos sintomas, seja levado ao veterinário. O exame para diagnostico da doença é gratuito, porém tem que ser pedido pelo profissional veterinário.
Prevenção e controle
Segundo a SMS, os 11 casos não são motivo para pânico. O controle e prevenção da doença serão feitos através de eliminações de reservatórios, no caso os cães, que apresentem diagnóstico positivo. Medida nada fácil de ser executada. “É feito um trabalho com os donos dos animais, de conscientização, para que ele entregue o animal. Caso isso não aconteça, temos parceria com o Ministério Público de Goiás, que nos ajudará a deter o animal”. Afirma a diretora.
A ação é amparada por lei, que prevê que o único caso em que os animais poderão ser executados, através do uso da eutanásia, serão aqueles em que fiquem constatados estado clínico que possa colocar em risco a saúde de pessoas ou de outros animais.
Segundo a diretora Flúvia Amorim, se os animais não forem sacrificados, a possibilidade de que a doença seja transmitida a seres humanos é grande, já que o contato com cães domésticos é muito comum e o animal sendo reservatório, contamina mais mosquitos, que podem infectar seres humanos.
O manejo ambiental é outra medida adotada para controlar a doença. A prática consiste na acomodação correta do lixo orgânico, para que assim não haja proliferação do mosquito, diminuindo a possibilidade de infectação.
Segundo o veterinário e especialista em saúde Michel Blezins, a orientação para donos de cães é o uso de uma coleira especial repelente. O produto libera uma substância, que cai na corrente sanguinea do animal e repele insetos. O uso da coleira é eficaz e protege o animal por seis meses. O produto é encontrado com facilidade em pet shops e custa cerca de R$ 50.
Tratamento
Para cães, o tratamento da doença não é aconselhável, visto que, mesmo em tratamento o animal continua transmitindo a doença, caso seja picado por um mosquito. Por isso, a medida adotada e amparada por lei é a eutanásia.
No caso de seres humanos, o tratamento é longo. Inicia-se com 20 injeções e de acordo com a reação da doença novos medicamentos são adotados.A SMS esclarece que, a doença só será tratada quando manifestada, ou seja, desde que haja sintomas.
O indíce de mortalidade humano no Brasil é de 6 mortos a cada 100 casos. Isso porque o tratamento é altamente tóxico e a doença atinge e destrói as vísceras.
Tratamentos, sintomas, e formas de contágio variam de acordo ao tipo da doença.
Histórico
Segundo o Ministério da Saúde, na última década, o registro de casos confirmados chega a 40 mil por ano, no Brasil. A Região Norte é a mais afetada, onde atinge quase 100 habitantes para cada 100 mil. Em seguida, estão as regiões Centro-Oeste, com 41,85, e Nordeste, com 26,50 casos para cada 100 mil pessoas.