Nádia Junqueira
Chegando ao Campus II da Universidade Federal de Goiás (UFG), o tema da 63ª Reunião da SBPC parece já estar todo estampado como se fosse um cenário: cerrado. Aquele verdinho das árvores e gramas e o vermelho dos flamboyants, abundantes na região em época de chuva, são tomados pelo amarelado que a seca de julho anuncia. O contraste fica ainda mais bonito com o céu azul, sem nenhuma nuvem, e o rosa intenso dos ipês que dão a graça nessa época do ano. É sob essa paisagem que pessoas de todo o Brasil estão reunidas para discutir cerrado, pesquisa, ciência e tecnologia.
Às 8 horas desta quarta-feira (13/07), o campus parecia estar vazio, parado. O palco no estacionamento da universidade lembra que os participantes estiveram por ali até altas horas dançando Xangai, Tetê e Alzira Espíndola. Bom, mas só parecia. Acima dos pátios dos Institutos de Ciências Biológicas (ICB), de Estudos Sócio-Ambientais (IESA) e antigo Faculdade de Ciências Humas e Filosofia (FCHF), o corredor que perpassa essas faculdades está tomado de pôsteres, pesquisadores iniciantes e curiosos ansiando trocar experiências. São mais de 500 metros de corredor repletos de pôsteres de ciências humanas, sociais aplicadas, biológicas, saúde, exata e engenharia. É o Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão (Conpeex) da UFG, que acontece dentro da programação da SBPC.
Os pesquisadores de iniciação científica, voluntários ou bolsistas, apresentam os resultados de um ano de estudo para colegas e professores do Brasil todo. Cultura da reima em comunidades rurais de Catalão, ensaio da desidratação do quiabo, análise do discurso em letras de rock, a universalidade da vontade geral. Interessou? Não entendeu nada? É só parar para conversar com o jovem pesquisador que vai te falar, em meio a “tipo assim” e “sacou”, com toda propriedade teórica, do que se trata sua pesquisa.
Um desses pesquisadores é Cristiano Rodrigues de Souza, aluno do 3º ano de História da UFG. Ele contava para professora de História da Universidade de Juiz de Fora, Carla Almeida, sobre identidades e poder nos governos de Séptimo Severo e Caracala. A professora, que também é avaliadora externa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Cnpq), elogiou a pesquisa do estudante. “Está bem estruturada, cumpre os critérios de uma iniciação científica: ele tem uma preocupação tanto teórica, quanto metodológica e empírica”. Além disso, ela diz que esse estudo abre grandes possibilidades de pensar projetos futuros, como mestrado e doutorado.
É a segunda vez que a professora vem avaliar os trabalhos de iniciação científica de Goiás e elogia. “Os de Goiás são uns dos mais organizados do país e sempre apresentam bons resultados”, elogia. Cristiano está feliz em apresentar seu trabalho para pessoas do Brasil todo. A atividade é uma oportunidade de interação e de explicar melhor sobre sua pesquisa. “Quando você publica um artigo, às vezes você não consegue ser tão claro e passar tanto entendimento quanto você fala diretamente com a pessoa”, afirma o pesquisador.