Cleomar Almeida
Está previsto para às 16 horas de segunda-feira (19/9), no 2º Distrito Policial de Anápolis, a 45 quilômetros de Goiânia, o interrogatório de Arlete Gonçalves Lemes, 38 anos, que confessou ter matado, em 7 de março deste ano, o ex-marido italiano Franco Sala, 56 anos. Ela está presa no Centro de Inserção Social da cidade, no Setor Jardim das Américas.
Arlete confessou a autoria do crime no momento em que se entregou à polícia, por volta das 17 horas de sexta-feira (16/9). Também já admitiu o pagamento de R$ 2 mil ao filho dela, Diego Richard Gonçalves Ferreira, 19 anos, que hoje está preso por tráfico de drogas, para enterrar o corpo do estrangeiro em um quarto da casa onde mora, no Bairro Bandeiras, na zona Norte de Anápolis. O jovem teria dividido o dinheiro com o amigo Bruno Alexandre Leão, 27 anos, para fazer o serviço.
A mulher disse que usou um cinto para matar sozinha o italiano, estrangulado, numa tentativa de se defender das agressões dele. Após o assassinato, ela continou movimentando a conta bancária do ex-marido, até maio deste ano, afirmou o delegado Hylo Marques Pereira, titular do 2º DP da cidade, responsável pelas investigações. “O filho dela estava de posse do cartão de crédito do italiano”, pontuou, acrescentando que não encontrou o objeto usado para saques e pagamento eletrônicos.
A polícia questiona a motivação do crime apresentada por Arlete. Segundo o delegado, a mulher pode ter cometido o homicídio porque não queria pagar uma dívida de cerca de R$ 200 mil, que ele teria emprestado quando ainda moravam na Itália. Também há suspeita de que o amante da mulher, Edmar Borges, 30 anos, participou do assassinato.
Mais de seis meses de investigação
De acordo com Pereira, as investigações começaram após o Consulado da Itália exigir, em fevereiro deste ano, informações sobre o paradeiro de Franco Sala. A partir de então, os policiais identificaram o local de onde o italiano ligava para os parentes no exterior. Era a residência da família de Arlete, onde foram presos o filho de 19 anos e a mãe dela, Abadia Gonçalves, 63 anos, por tráfico de drogas. “Na casa, funcionava uma boca de fumo. Eles vendiam drogas inclusive para menores”, disse o delegado.
Segundo divulgado, o filho e a mãe de Arlete contribuíram para a polícia encontrar, na última quarta-feira (13/9), o corpo do italiano. “O serviço foi muito bem feito. Ninguém conseguiria identificar o local, porque não deixaram pistas”, afirmou o delegado. Ele não descartou a hipótese de acariação entre os suspeitos para comprovar o envolvimento de mais pessoas na execução de Franco Sala. Edmar Borges e Bruno Alexandre Leão estão foragidos da Justiça.