A Redação
Goiânia – O aumento do consumo de bebidas alcoólicas é um dos traços marcantes do carnaval e reflete tanto aspectos culturais quanto o estímulo comercial típico da temporada. O comportamento também se traduz em números. Levantamento da Neotrust Confi, empresa de inteligência para o varejo, aponta que a venda dessas bebidas cresceu 26,8% em 2025 na comparação com 2024. A cerveja manteve a liderança entre as preferências do consumidor, concentrando 46,9% das vendas, enquanto o vinho registrou o maior avanço proporcional, com alta de 33,1%. Entre as categorias com maior expansão aparecem os aperitivos, que incluem batidas, coquetéis e bebidas mistas, com crescimento de 164,3%, além do Absinto e do Steinhaeger, com elevação de 155,1% e 152,6%, respectivamente.
Embora o desempenho do setor acompanhe o clima festivo, especialistas alertam para as consequências à saúde, sobretudo quando o consumo elevado é associado à baixa ingestão de água. Esse cenário favorece quadros de desidratação e pode gerar sobrecarga do sistema urinário, ampliando o risco de complicações renais e de atendimentos médicos durante e após o período de folia.
O alerta ganha força diante do posicionamento da OMS (Organização Mundial da Saúde), que afirma não existir nível de ingestão alcoólica considerado seguro para o organismo. Para especialistas, a conscientização sobre moderação e hidratação adequada é fundamental para reduzir impactos à saúde sem desconsiderar a dimensão cultural das celebrações carnavalescas.
Consumo elevado e efeitos sobre o organismo
Os dados mais recentes do Vigitel, divulgados em 2023 e considerados referência nacional em monitoramento de fatores de risco à saúde, indicam que 28,2% dos adultos residentes nas capitais brasileiras relatam consumir bebidas alcoólicas. Entre os homens o percentual chega a 36,8%, enquanto entre as mulheres alcança 20,9%. Pesquisadores observam ainda uma tendência de crescimento do consumo feminino, associada a mudanças sociais e a estratégias de marketing mais direcionadas.
Segundo o urologista e cirurgião robótico Pedro Junqueira, a ingestão excessiva de álcool em curto espaço de tempo pode desencadear danos importantes ao organismo. Ele explica que o álcool interfere na regulação hídrica do corpo e estimula a perda de líquidos, favorecendo a desidratação. “Quando o corpo perde água, os rins precisam trabalhar mais para manter o equilíbrio interno. Esse esforço pode aumentar o risco de formação de cálculos renais e até provocar lesão renal aguda, inclusive em pessoas previamente saudáveis”, afirma.
Além disso, a redução do volume urinário favorece a concentração de substâncias que facilitam a formação de cristais, que podem evoluir para pedras nos rins. O especialista também alerta que o consumo exagerado de bebidas alcoólicas pode comprometer o sistema imunológico e elevar a probabilidade de infecções urinárias.
Prevenção e cuidados durante a folia
Médicos recomendam que a hidratação seja tratada como prioridade durante festas prolongadas e em ambientes com altas temperaturas. A orientação geral é intercalar o consumo de bebidas alcoólicas com água e manter a ingestão regular de líquidos ao longo do dia.
Junqueira destaca que sintomas como dor lombar intensa, ardência ao urinar, febre e diminuição do volume urinário devem ser encarados como sinais de alerta. “Muitas pessoas só percebem o impacto dias depois do Carnaval, quando surgem dores ou infecções. A prevenção passa principalmente pelo equilíbrio e pela hidratação adequada”, conclui.
