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Mardonio Pereira da Silva (Foto: Divulgação)

Quando o ódio invade a sala de aula: violência, feminicídio e a negação do Direito em um Estado Democrático

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10.02.2026 - 15:12:32
A morte brutal da Professora de Direito e policial civil, Juliana Santiago, assassinada dentro da sala de aula por um aluno do 5º período, não é apenas um crime hediondo: é um ataque frontal ao Estado Democrático de Direito. A barbárie ocorrida no ambiente universitário rompe todas as fronteiras do aceitável e impõe uma reflexão urgente sobre violência, democracia, formação jurídica e, sobretudo, o direito da mulher à vida.

Há um simbolismo ainda mais perturbador no caso. O agressor era estudante de Direito, área que tem como premissa básica a convivência civilizada e o respeito aos limites. Desde os primeiros ensinamentos, aprende-se que o direito de um termina onde começa o do outro. Quando esse princípio é negado, a lei é substituída pela força – e a democracia deixa de existir como prática cotidiana.

A possibilidade de enquadramento do crime como feminicídio amplia ainda mais a gravidade do episódio. Juliana era mulher, professora, autoridade intelectual em sala de aula. Foi atacada no exercício de sua função, em um contexto que envolve poder, gênero e intolerância à autonomia feminina. A Constituição Federal de 1988, em seu Artigo 5º, é cristalina ao afirmar que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se o direito à vida”. Esse direito fundamental foi violentamente negado.

O caso de Juliana não pode ser analisado de forma isolada. No Campus V da PUC Goiás, professores já enfrentaram agressões verbais, ameaças e intimidações. Em um episódio emblemático, estudantes picharam suásticas em um dos banheiros do Campus V, símbolo máximo do ódio, do autoritarismo e da negação da dignidade humana. Esses atos não apenas agridem professores e a comunidade acadêmica, mas afrontam diretamente os valores constitucionais da democracia, do pluralismo de opiniões e dos direitos humanos.

A Universidade deve ser espaço de pensamento crítico, diversidade e diálogo – nunca de medo. Quando mulheres são silenciadas pela violência, quando docentes são intimidados e quando símbolos de ódio circulam  impunemente, o ambiente acadêmico se transforma em território hostil, incompatível com a formação jurídica comprometida com a Constituição de 1988.

A morte de Juliana Santiago exige mais do que luto. Exige posicionamento, políticas efetivas de prevenção, responsabilização rigorosa e o resgate de princípios que não podem ser relativizados. A mulher tem direito à vida. O professor tem direito à segurança. E a democracia só sobrevive onde o Direito é maior do que a violência.

Mardonio Pereira da Silva é presidente da Associação dos Professores da PUC Goiás
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por Mardonio Pereira Da Silva

*Jornalista, formado pela UFG. Editor do jornal A Redação.

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