Adriana Marinelli
Goiânia – O cenário encontrado por quem visita o Cemitério Municipal Parque, no Setor Urias Magalhães, em Goiânia, é de abandono. O mato alto cobre túmulos, dificulta o acesso às sepulturas e, segundo goianienses ouvidos pela reportagem, transforma o momento de visita em uma experiência de indignação e insegurança. A situação, conforme relatos, se arrasta há meses e se agrava a cada chuva registrada na capital.
Imagens registradas no último fim de semana mostram a vegetação tomando conta das quadras, encobrindo lápides, além de invadir corredores por onde circulam visitantes. Em alguns pontos, é difícil até mesmo identificar os túmulos.
Diante da falta de manutenção por parte do poder público, familiares de pessoas sepultadas no local passaram a realizar, por conta própria, a limpeza ao redor das sepulturas. Com enxadas, facões e até roçadeiras, tentam conter o avanço do mato.
É o caso da dona de casa Marly Maria, que sepultou o pai no cemitério há quase um ano. Revoltada com a situação, ela relata que a família precisou se mobilizar para limpar o túmulo. “É revoltante porque pagamos impostos caros e não temos retorno quando precisamos. É uma falta de respeito. Se a família não limpa, ninguém limpa”, afirma. “A gente vem para prestar uma homenagem, rezar, lembrar de quem partiu, e encontra o mato alto, sujeira. Parece que o local foi esquecido”, desabafa.
Outro goianiense ouvido pela reportagem, que também tem parente sepultado no Cemitério Parque e preferiu não ter o nome divulgado, relata preocupação com a segurança. Ele afirma já ter sido surpreendido por cobras durante visitas ao local. “Não foi uma vez só. Já encontrei em dois momentos. O mato toma conta, não dá para ver. É um perigo”, relata. Para ele, o problema é recorrente e demonstra “descaso da gestão municipal”. “A impressão que dá é que a prefeitura só lembra de limpar o cemitério quando está perto do Dia de Finados, em 2 de novembro. Fora isso, fica abandonado.”
Moradores da região também relatam que o crescimento da vegetação se intensifica no período chuvoso, o que amplia o risco de proliferação de animais peçonhentos e dificulta ainda mais o acesso às sepulturas.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Goiânia foi questionada sobre a existência de um cronograma de limpeza e manutenção do Cemitério Municipal Parque e se há previsão de serviços emergenciais no local. Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Gestão de Negócios e Parcerias (Segenp), responsável pela administração dos cemitérios municipais da capital, informou que chuvas prolongadas favoreceram o rápido crescimento da vegetação. “Em janeiro de 2026, a manutenção da limpeza urbana enfrentou desafios operacionais, incluindo a vedação legal ao uso de herbicidas químicos”, também diz o texto.
“Ressaltamos que os serviços de capina manual e mecânica foram mantidos ininterruptamente, mesmo diante dessas dificuldades. Para superar esses obstáculos, a Prefeitura de Goiânia está adotando medidas imediatas, com reforço de equipes e equipamentos, redistribuição de recursos operacionais e otimização das rotas de atendimento. Reafirmamos nosso compromisso com a manutenção regular dos espaços públicos e com práticas ambientalmente sustentáveis”, completa a nota enviada à reportagem.
