Adriana Marinelli
Goiânia – No campo, errar o momento da irrigação custa caro. Representa água desperdiçada, mais gasto de energia e produtividade em risco. Para evitar esse cenário, uma solução de inteligência artificial (IA) criada por goianos transforma dados do solo em orientações precisas enviadas diretamente ao celular do produtor rural, indicando quando irrigar, quando desligar o pivô e, principalmente, quando não irrigar. O resultado é mais eficiência na lavoura, com otimização de tempo, recursos e decisões.
A tecnologia é desenvolvida pela GHydro, startup que tem entre seus criadores Marcelo Carneiro Moraes. Bacharel em Geografia pela PUC Goiás e estudante de Tecnologia em Inteligência Artificial na Faculdade Senai Fatesg, ele atua no desenvolvimento de um sistema que integra hardware e software para qualificar a gestão da irrigação agrícola. Sensores de umidade instalados no solo fazem a coleta de dados em tempo real e os enviam para um servidor em nuvem, onde as informações são processadas a partir do cruzamento entre condições do solo, dados climáticos e previsões meteorológicas. Com base nessa análise, o produtor recebe na palma da mão, por meio do celular ou de outro dispositivo móvel, orientações objetivas sobre o manejo da irrigação, inclusive em áreas com conectividade limitada.
Tecnologia com IA revoluciona irrigação de lavouras de tomate, milho e pepino (Foto: GHydro)
Nesse processo, a inteligência artificial funciona como um “cérebro digital” capaz de aprender com dados acumulados em projetos anteriores e apoiar decisões mais ágeis e eficientes no campo. A tecnologia permite antecipar falhas, reduzir desperdícios e ampliar a produtividade. “Nossa solução otimiza o manejo da irrigação, garantindo uma umidade adequada à cultura e, ainda, gera economia de energia elétrica. Hoje, o mais comum é aproveitar a tarifa reduzida durante a noite e irrigar por 8 ou 9 horas nesse período, o que, muitas vezes, excede o necessário”, explica Marcelo, um dos responsáveis pela GHydro. O impacto direto é a redução no consumo de água, a diminuição dos gastos com energia e menos perdas provocadas por práticas inadequadas de irrigação.
Além dos ganhos econômicos e produtivos, a proposta se conecta diretamente a boas práticas ESG, sigla em inglês para environmental, social and governance, que reúne critérios ambientais, sociais e de governança adotados pelas organizações. Ao promover o uso racional da água e da energia, a tecnologia contribui para a preservação de recursos naturais e para um manejo mais eficiente. O sistema também reduz deslocamentos desnecessários até a lavoura, liberando tempo do produtor e da equipe para outras atividades. “O produtor terá informações e respostas instantâneas onde estiver, não precisando se deslocar até a lavoura ou destinar um outro colaborador para fazer isso, podendo aproveitar melhor o tempo e sua mão de obra”, destaca Marcelo. Em visitas técnicas, a equipe que desenvolveu a plataforma foi informada sobre problemas recorrentes, como pivôs desligados fora do momento adequado, falhas capazes de comprometer uma safra inteira e que passam a ser identificadas automaticamente com a adoção da nova tecnologia.

A GHydro também disponibiliza um painel digital que reúne mapas, dados do solo, informações climáticas e o status de funcionamento dos pivôs, permitindo o acompanhamento remoto de diferentes áreas irrigadas. A próxima etapa do projeto é avançar para a automação completa do sistema, com acionamento direto dos pivôs a partir das decisões da IA. “Mesmo que o solo esteja acusando que precisa ligar o pivô, a IA pode cruzar os dados com a previsão do tempo e indicar que há probabilidade de chuva nas próximas horas. Com isso, ela pode decidir por esperar, evitando o acionamento desnecessário da irrigação. Isso é gestão inteligente de verdade”, resume Marcelo.
A trajetória da GHydro não ocorre de forma isolada. Ela integra um movimento mais amplo de modernização do agronegócio, marcado pela incorporação acelerada da inteligência artificial como instrumento estratégico para elevar produtividade e ampliar a competitividade do setor. Dados do Polo Sebrae Agro apontam que, entre 2023 e 2028, o mercado global de inteligência artificial aplicada ao agronegócio deve avançar de US$ 1,7 bilhão para US$ 4,7 bilhões, um crescimento de 176% em cinco anos. O avanço reflete a consolidação da tecnologia como aliada direta da eficiência no campo, ao otimizar processos, aumentar a precisão das decisões agrícolas e gerar ganhos simultâneos de sustentabilidade e rentabilidade.

Esse movimento engloba desde soluções de monitoramento de solo e água, como a desenvolvida pela startup goiana, até o uso de maquinários automatizados, ferramentas de gestão da cadeia de suprimentos e sistemas voltados à saúde das culturas. A inteligência artificial, incluindo aplicações de IA generativa, passa a atuar em múltiplas etapas da produção agrícola, contribuindo para a redução de falhas humanas, a antecipação de riscos e o fortalecimento da tomada de decisão baseada em dados.
Em Goiás, esse avanço tecnológico encontra um ambiente econômico favorável. A agropecuária foi o principal motor do crescimento da economia goiana em 2025, com alta de 20,1% no acumulado do ano até novembro, segundo dados do Produto Interno Bruto Mensal divulgados pelo Instituto Mauro Borges de Pesquisa e Política Econômica (IMB). O desempenho do setor foi determinante para que o PIB do Estado acumulasse crescimento de 3,9% no período de janeiro a novembro e de 3,7% nos últimos 12 meses, confirmando a força do agro na sustentação da atividade econômica local.

Esse dinamismo também se refletiu no mercado de trabalho. Com saldo positivo de 2.220 postos de trabalho na agropecuária, Goiás encerrou 2025 com crescimento expressivo na geração de empregos formais no setor, resultado que representa um aumento de 166,5% em relação a 2024, quando o saldo havia sido de 833 vagas. Os dados são do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), validados pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB). No acumulado do ano, o setor agropecuário goiano contabilizou 92.953 admissões, alta de 3,8% frente ao ano anterior. O avanço também se refletiu no estoque de empregos, que cresceu 1,8% no mesmo período, totalizando 124.856 vínculos ativos em 2025.
Goiás fechou 2025 com saldo de 2.220 novos
empregos formais na agropecuária (Foto: Renato Conde/jornal A Redação)
No cenário nacional, o peso do agronegócio segue igualmente relevante. O PIB da agropecuária brasileira cresceu 11,6% no acumulado dos três primeiros trimestres de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. Esse resultado contribuiu para o crescimento de 2,4% do PIB do País no intervalo, reforçando o caráter estratégico do setor e demonstrando como ganhos de produtividade no campo repercutem diretamente no desempenho macroeconômico.
As projeções também são positivas. A expectativa é de uma safra recorde de grãos no Brasil no ciclo 2025/2026, estimada em 353,1 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), um aumento de 0,3% em relação à safra anterior. Em um país com forte presença agrícola e industrial, o uso de tecnologias baseadas em inteligência artificial tende a ser cada vez mais decisivo para sustentar esse crescimento, especialmente diante de desafios como custos de produção, uso racional de recursos naturais e variabilidade climática.


A IA no campo também já redefine processos menos visíveis, porém estratégicos, que influenciam diretamente o desempenho das safras. É nesse ponto que a inovação avança para além da terra e da água, alcançando o início de toda a cadeia produtiva: a semente. Fundada em 2020 e incubada no IF Goiano – Campus Rio Verde, a XR Seeds é uma startup que utiliza inteligência artificial para facilitar a rotina de empresas sementeiras. Com sede no município, a empresa atende clientes também em outros Estados, como Mato Grosso e Bahia, automatizando a avaliação da qualidade de sementes de milho, soja e espécies de forrageira. O objetivo é garantir mais agilidade, precisão e confiabilidade a um processo que, até pouco tempo, dependia de análises manuais, muitas vezes demoradas, feitas por técnicos especializados.
“A XR Seeds nasceu a partir de pesquisas que eu, a Cássia e o Douglas, sócios da startup, estávamos realizando. Atuamos junto a empresas sementeiras e identificamos a necessidade de avaliações que determinassem, de forma mais ágil, a qualidade das sementes”, conta Arthur Almeida Rodrigues, diretor-executivo da startup, à reportagem do AR. A solução desenvolvida pela XR Seeds utiliza a análise de imagens captadas por celular ou até mesmo por raio-X para identificar padrões de qualidade física das sementes, com o apoio da inteligência artificial. O que antes exigia tempo, repetição e um alto grau de atenção humana passa a ser feito de forma automatizada. “No milho, o teste de infestação por pragas é demorado, e a gente consegue realizá-lo em poucos minutos, utilizando a tecnologia para determinar a qualidade”, exemplifica Arthur.
Sócios da XR Seeds: Douglas Almeida, diretor de tecnologia;
Cássia Lino Rodrigues, diretora de operações;
e Arthur Almeida Rodrigues, diretor-executivo (Foto: divulgação)
O grau de confiabilidade cresce consideravelmente. “A ideia de avaliar por qualidade de imagem surgiu justamente para agilizar a tomada de decisão, mas também para eliminar a subjetividade dos resultados”, explica o diretor. Programada com critérios padronizados, a IA segue o mesmo padrão em todas as análises, reduzindo o risco de interpretações diferentes entre analistas. “Você programa a IA com alguns padrões e ela vai seguir o mesmo padrão para tudo”, reforça Arthur.

O impacto dessa padronização chega direto ao campo. As empresas sementeiras, clientes diretas da XR Seeds, conseguem selecionar lotes com mais eficiência e garantir que sementes de maior qualidade cheguem aos produtores rurais. O ganho de tempo, somado à uniformidade das escolhas, se traduz em mais produtividade e menos desperdício ao longo da cadeia.
Análise da qualidade das sementes passa a ser feita
com mais precisão e mais agilidade graças ao uso da IA (Foto: divulgação)
Mesmo sem serem especialistas em inteligência artificial no início da jornada, os sócios da XR Seeds decidiram apostar na tecnologia, investindo em capacitação e contando com suporte técnico. “Conseguimos pessoas fundamentais para nos ajudar a avançar com a tecnologia e a desenvolvê-la”, acrescenta o diretor.
A trajetória da startup também foi impulsionada por parcerias estratégicas e pela aprovação em editais de fomento, como o Catalisa ICT, iniciativa do Sebrae voltada à transformação de conhecimento científico em soluções de alto impacto. “Esse edital foi fundamental para o desenvolvimento de uma nova tecnologia na XR Seeds. Também foi essencial porque ofereceu bolsas aos sócios, o que permitiu uma dedicação maior ao projeto e à startup”, relata Arthur.

O avanço da inteligência artificial no campo não é um fenômeno restrito a Goiás, embora o Estado tenha papel de destaque no agro nacional, mas parte de uma transformação já em curso em diferentes regiões do Brasil e alinhada a uma tendência global. Em São Paulo, por exemplo, uma pesquisa da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Presidente Prudente mostra como a IA já traz resultados reais no controle de pragas da soja. O estudo, conduzido pela engenheira cartógrafa Glória Maria Padovani Ederli, desenvolveu um sistema capaz de identificar a presença de fitonematoides, parasitas que atacam as raízes e não podem ser vistos a olho nu, com mais de 90% de precisão, usando imagens das lavouras analisadas por computador.
Área com infestação de parasitas em uma fazenda de soja em Caiuá (SP) (Foto: Unesp)
Mapa que indica o nível de infestação por fitonematoides na área de estudo (Foto: Unesp)
Com esses dados, o agricultor consegue ver exatamente onde a praga está mais concentrada e agir apenas nesses pontos. Assim, aplica defensivos só onde é necessário, reduz custos, evita desperdícios e diminui os impactos ambientais.
Engenheira cartógrafa Glória Maria Padovani Ederli explica a dinâmica do estudo; assista ao vídeo:
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Outro exemplo vem da Embrapa Instrumentação, também em São Paulo. Pesquisadores criaram um sistema que usa inteligência artificial para identificar a lagarta-do-cartucho, uma das principais pragas do milho. A tecnologia analisa fotos das plantas e consegue detectar o inseto tanto nas folhas quanto nas espigas, com mais precisão do que a observação feita apenas a olho nu.
Tecnologia analisa imagens digitais e identifica a lagarta
tanto na folha da planta como na espiga de milho (Foto: Embrapa)
O sistema foi treinado com mais de 2 mil imagens e consegue reconhecer os diferentes estágios da lagarta, que pode causar prejuízos de até 70% na produção. Como essa praga também atinge culturas como soja e algodão, a ferramenta pode ter uso ainda mais amplo. No futuro, a ideia é integrar a tecnologia a máquinas agrícolas e drones, facilitando o controle de pragas e ajudando o produtor a tomar decisões mais rápidas e certeiras no campo.
Estudo avaliou um total de 2.280 imagens de lagartas-do-cartucho
presentes em folhas ou em espigas na área de cultivo do milho (Foto: Embrapa)
Para além dos exemplos bem-sucedidos, especialistas alertam que a adoção da inteligência artificial no campo ainda esbarra em obstáculos importantes, como a conectividade limitada em áreas rurais, a necessidade de infraestrutura mínima e a compreensão de que não existe um modelo único de investimento. Os custos variam conforme o processo produtivo, a complexidade da solução e o formato de uso, que pode ir de plataformas gratuitas a sistemas personalizados e mais robustos. Nesse cenário, não há um valor fixo para implantar IA em iniciativas rurais. A realidade, também segundo especialistas, é que se trata de um investimento com retorno cada vez mais rápido, especialmente quando aplicado de forma estratégica e alinhado às reais necessidades do produtor.
Para Pedro Henrique Lemes Camilo, diretor de Tecnologia da Informação e superintendente adjunto do Senar Goiás, Head de Inovação do Hub CampoLab e vice-coordenador do Pacto Goiás pela Inovação, a adoção da inteligência artificial no campoexige uma análise pé no chão. “Essa é uma questão que ainda está em processo de amadurecimento e precisa ser analisada de forma realista. À medida que a tecnologia se dissemina no campo e mais produtores passam a utilizá-la, a tendência é de redução dos custos de acesso, tornando as soluções mais viáveis”, avalia.
O representante do Senar destaca que os benefícios vão além do retorno financeiro direto, alcançando a redução do desperdício de insumos, a mitigação de riscos operacionais, ganhos de eficiência produtiva e maior qualidade nas decisões. Ao mesmo tempo, pondera que a tecnologia não é uma solução isolada. “A Inteligência Artificial não atua sozinha. Ela precisa ser utilizada em conjunto com o conhecimento técnico e a experiência do produtor”, defende.
Nesse contexto, a capacitação aparece como peça-chave para que a IA cumpra seu papel de aliada no campo. “É fundamental para que o produtor consiga identificar quais soluções realmente resolvem seus problemas e oferecem o melhor custo-benefício. A IA não substitui o papel do produtor rural, mas o apoia, trazendo mais controle, previsibilidade e segurança para o processo produtivo”, reforça.

É justamente para reduzir essa barreira do conhecimento que o Senar Goiás tem intensificado suas ações voltadas à formação e à disseminação da inteligência artificial no meio rural. “O Senar Goiás está preparado para apoiar os produtores rurais e a comunidade na compreensão e adoção da Inteligência Artificial”, afirma Pedro Henrique.
Entre as iniciativas, estão formações específicas como o LíderAgro – Introdução à Inteligência Artificial, voltado à apresentação das tecnologias disponíveis e dos conceitos fundamentais, e o FarmTech, que capacita profissionais de Tecnologia da Informação para atuarem com soluções digitais e de IA aplicadas ao agronegócio. “Também atuamos para desmistificar o tema de IA e acelerar a formação de novos talentos por meio do programa Desafio AgroStartup, que tem como propósito preparar empreendedores para o desenvolvimento de novas soluções para o setor”, explica.
A iniciativa, que completa 10 anos, é realizada em parceria entre Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Goiás, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg) e tem ampliado seu alcance territorial. “A pedido do presidente da Faeg e do Conselho do Senar Goiás, José Mário Schneider, temos reforçado a interiorização em cada ação que o Senar realiza, dando oportunidade para todos aprenderem sobre os temas mais atuais do mercado”, destaca Pedro Henrique.
O efeito já é mensurável, segundo o representante do Senar Goiás. “Acreditamos que, com a difusão do conhecimento, será possível não só formar novos empreendedores, mas também atrair talentos para atuarem como pontes de conexão entre os produtores rurais e as novas tecnologias. Só em 2025, foram mais de 1.000 jovens capacitados com foco exatamente nessa temática de Inteligência Artificial”, relata.
Todos os programas são gratuitos e abertos ao produtor rural e à comunidade em geral. “Para ter acesso aos cursos e a mais informações, basta procurar o sindicato rural da sua região ou acessar o portal do Sistema Faeg/Senar”, orienta Pedro Henrique. Ao ampliar o acesso ao conhecimento, o Senar atua diretamente para que o produtor esteja mais preparado, confiante e aberto à inteligência artificial como ferramenta estratégica de gestão, produtividade e sustentabilidade no campo.
Esse ambiente de estímulos, formação e amadurecimento tecnológico tem encorajado desde pequenos produtores até organizações de grande porte, mesmo aquelas que ainda mantêm a inteligência artificial em estágio embrionário, a apostar de forma mais estruturada e estratégica na tecnologia. Um dos exemplos é a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo). Fundada em 1975, a organização tem sede administrativa e complexo industrial em Rio Verde e está presente diretamente em outros 17 municípios goianos, com lojas agropecuárias, unidades armazenadoras e produção de suplementos minerais. Cooperativa de beneficiamento, industrialização e comercialização de produtos agropecuários, reúne quase 13 mil cooperados e mais de 3,7 mil funcionários, com faturamento anual em torno de R$ 11,23 bilhões. Pela capilaridade, escala produtiva e papel estratégico no agro regional, a incorporação de novas tecnologias passa a ser tratada como uma agenda para o futuro próximo.
Para Eduardo Hara, gerente de geração e difusão de tecnologia do Centro Tecnológico Comigo, a inteligência artificial tende a se tornar uma aliada fundamental no enfrentamento de desafios estruturais do setor. “Acreditamos que, no futuro, será possível, por exemplo, predizer com maior assertividade as condições ideais para a condução da lavoura desde o início do ciclo produtivo, a partir do cruzamento de informações como análise de solo, histórico climático da região, georreferenciamento em tempo real de doenças e pragas e aplicações de defensivos de forma pontual, apenas quando necessário”, destaca. “Pensando na agroindústria como um todo, o uso de gêmeos digitais permitirá a simulação, a automação e a adoção de ações preventivas mediadas, sem a necessidade de interrupção da planta industrial”, acrescenta.

A cooperativa tem se preparado institucionalmente para adotar alguns novos mecanismos tecnológicos em prol da produtividade. “Algumas iniciativas voltadas ao uso da IA já estão no radar da cooperativa, como a criação da rede de estações meteorológicas da Comigo, que atualmente fornece dados de 29 localidades diferentes dentro do raio de atuação da cooperativa. Essas informações poderão, no futuro, servir como base para a formação de um banco de dados voltado à aplicação de soluções em inteligência artificial”, arremata Eduardo Hara, ao evidenciar a máxima de que quanto maior a qualidade das informações geradas hoje, maior será a capacidade do setor de tomar decisões mais precisas e estratégicas amanhã.
Essa visão de integração entre inovação, produção e desenvolvimento também se reflete na 23ª edição da Tecnoshow Comigo, uma das maiores feiras do agronegócio do país, realizada em Rio Verde. Com o tema “O Agro Conecta”, a edição de 2026, programada para ocorrer de 6 a 10 de abril, no Centro Tecnológico COMIGO (CTC), propõe evidenciar como o agronegócio articula ciência, sustentabilidade e desenvolvimento social, reforçando o papel da tecnologia como elo entre diferentes dimensões do setor.
