Jales Naves
Especial para o jorna A Redação
Goiânia – Em entrevista concedida ao programa “Cultura a Domicílio”, levado ao ar no domingo (1º/2) pela Rádio Planalto de Araguari, no Triângulo Mineiro, o jornalista Pedro Divino Rosa, autor do livro “Dona Beija”, uma obra que conta a história da famosa personagem a partir de uma grande pesquisa feita por ele e de entrevistas com seus descendentes diretos, disse que “é preciso contar a verdadeira história dela, pois, mais uma vez o que se mostra é uma ficção”. A entrevista foi dada à apresentadora do programa, jornalista Lenora Accioly.
Conhecido na imprensa por Pedro Popó, o autor do livro fez a declaração ao falar sobre a estreia na segunda-feira, dia 2, da releitura da novela pela plataforma de streaming HBO Max, numa iniciativa da produtora Floresta, estrelada pela atriz Grazi Massafera. Segundo o jornalista, a história de Dona Beija é muito diferente daquela que é contada e o que se narra é baseado em livros de autores que exploraram muito mais a questão do mito e não a sua verdadeira história.
Mostrou que Anna Jacintha de São José interveio junto ao Ouvidor para a devolução do Território do Triângulo Mineiro a Minas Gerais; contribuiu financeiramente com os liberais na Revolução de 1842; explorou garimpo de diamante em Estrela do Sul, MG; mandou construir uma ponte para ligar o lugar onde ela morava e a igreja de sua devoção; e, na juventude, foi cortesã em Araxá, MG,
Pedro Popó
Pedro Popó é de Estrela do Sul, cidade onde morreu Dona Beija, e autor de seis livros nos gêneros jornalismo literário e biográfico, dentre eles “O Monstro de Capinópolis – A história de Orlando Sabino”, que se transformará em série produzida pela Coevos Filmes a ser exibida no Canal Brasil da TV Globo. Na entrevista, disse que tem procurado contar a real história dela e o seu livro é resultado de uma grande pesquisa e de entrevistas que ele fez com os estudiosos e descendentes da famosa personagem, dentre eles uma bisneta dela, que residia em Goiás.
Durante a conversa, o jornalista também revelou informações que ele apurou e que contrariam o que é contado como, por exemplo: o ouvidor da Corte que teria raptado Dona Beija veio de Vila Boa de Goiás, hoje cidade de Goiás, e não de Paracatu, MG, e que ela não teve um amante supostamente pai de sua primeira filha, Tereza. “O pai da criança era um padre chamado Francisco José da Silva”, revelou. Pedro Popó também contou fatos relacionados à vida da personagem em Estrela do Sul. “Ela foi pra lá para garimpar diamantes”, comentou.
Pedro Popó é o caçula dos irmãos Rosa, conhecidos pela atividade cultural que desenvolvem em defesa da cultura e do patrimônio histórico em Estrela do Sul. Dentre eles estão o conhecido cineasta e professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Almir Almas, e o historiador Mário Lúcio Rosa, falecido em 2023. Eles mantêm na cidade uma Casa da Cultura que abriga um arquivo histórico, uma biblioteca e um pequeno museu que leva o nome da prole. Do acervo faz parte uma fotografia original de Dona Beija, tirada pouco tempo antes de sua morte, em 1873.
O escritor, pesquisador e historiador Edmar César Alves, autor de livros sobre fatos históricos ocorridos no Triângulo Mineiro, participou da entrevista.
Dona Beija
Anna Jacintha de São José nasceu em Formiga, MG, no dia 2 de janeiro de 1800. Era filha de Maria Bernardo dos Santos e de pai desconhecido. Aos quatro anos mudou-se com a família para Araxá, sendo cuidada pelo avô. Quando ela tinha 12 anos foi raptada pelo ouvidor da Corte, Joaquim Inácio Vieira da Mota, que a levou para Vila Boa de Goiás. Em 1816, como o Ouvidor voltaria para a Corte, a autoridade atendeu aos apelos de mineiros e devolveu o território que compreende o Triângulo Mineiro, que pertencia a Goiás, para Minas Gerais. Atribui-se a Dona Beija a influencia junto ao Ouvidor.
Separada do Ouvidor, ela adquiriu a Chácara do Jatobá e passou a receber fidalgos da Corte. Teve duas filhas: Teresa Thomasia, filha de um padre, e Joana de Deus, filha de um médico da Corte. Aos 53 anos mudou-se para Estrela do Sul (Bagagem), onde explorou garimpo de diamantes e mandou construir uma ponte que ligava o lugar onde morava para chegar à igreja de sua devoção. Morreu em 20/12/1873.
