A Redação
Goiânia – O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) realiza, nesta sexta-feira (6/2), a 4ª edição do Bloco Nem Vem, ação institucional voltada à conscientização do público que frequenta os bares e espaços de lazer da capital sobre os assédios e agressões contra mulheres durante o período carnavalesco.
Criado em 2022, o evento é promovido pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, em parceria com a Coordenadoria de Planejamento e Gestão de Eventos Institucionais, com o objetivo de orientar a população sobre como agir diante de situações de violência de gênero. A iniciativa integra as ações previstas na gestão 2025–2027, liderada pelo presidente do Poder Judiciário estadual, desembargador Leandro Crispim.
Itinerário
Com saída prevista pelas ruas do Setor Oeste, em Goiânia, o bloco levará às ruas mensagens afirmativas e atrações musicais que unem arte e causa social. A programação contará com apresentações das bandas Maluê e Maristela Müller. A expectativa é reunir magistradas, magistrados, servidoras, servidores, familiares e integrantes da sociedade civil em um percurso que passará pela Rua João de Abreu, Rua R-11, Avenida T-7 e Avenida Assis Chateaubriand, com dispersão no estacionamento do TJGO.
O presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás destaca o caráter estratégico da iniciativa. “O Bloco Nem Vem tem um propósito muito claro. Ele se vale da festividade para orientar mulheres sobre como agir em casos de assédio e conscientizar os homens sobre a necessidade de respeito durante a folia. Queremos mostrar que a Justiça está viva, em movimento, e que proteger vidas é uma missão coletiva”, afirma o desembargador Leandro Crispim.
Abadás
A retirada dos abadás ocorrerá, em sistema de drive thru, no TJ-GO, nos dias nesta terça-feira (3/2) para o público externo e na quinta (5/2) e sexta-feira (6/2) para os inscritos remanescentes. Os tamanhos disponíveis são P, M, G e GG.
Enfrentamento à violência
Titular da Coordenadoria Estadual da Mulher, a desembargadora Alice Teles destaca que o Bloco Nem Vem é uma resposta institucional a um cenário que exige o engajamento de toda a sociedade. Segundo o estudo Feminicídio em Goiás (2025), divulgado pelo Batalhão Maria da Penha, foram registrados 60 casos de feminicídio no Estado ao longo de 2025. A maior parte das vítimas (88,3%) não possuía Medidas Protetivas de Urgência (MPU) no momento do crime, enquanto apenas 11,7% estavam sob alguma forma de proteção.
Ainda conforme dados do TJGO, somente em 2025 foram concedidas 24.882 medidas protetivas e distribuídos 55.689 novos processos relacionados à violência doméstica.
“A Justiça não pode se calar diante da violência. Nosso papel é estar presente de todas as formas possíveis, inclusive ocupando as ruas para dizer que nenhuma mulher está sozinha”, afirma a desembargadora. Ela ressalta que a linguagem cultural amplia o alcance da mensagem e humaniza a atuação institucional. “A rua é espaço de cidadania, e a Justiça tem o dever de estar onde as mulheres estão.”
Direito das mulheres
Vice-coordenadora da Coordenadoria da Mulher, a juíza Érika Cavalcante reforça que o bloco também afirma o direito das mulheres à liberdade e ao respeito. “A mulher tem o direito de se vestir como quiser, sem que isso seja interpretado como convite ao assédio. O Bloco Nem Vem defende essa ideia e reforça que o Carnaval pode — e deve — ser vivido com alegria e respeito”, destaca.