A Redação
Goiânia – Durante muitos anos, o tênis brasileiro viveu à sombra de uma geração histórica difícil de ser sucedida. Após o auge de Gustavo Kuerten, o país passou por um longo período de baixa relevância no circuito profissional, com poucos atletas figurando de forma constante em torneios importantes. Em 2026, no entanto, o cenário já não é o mesmo — e os sinais de mudança são claros.
Nos últimos ciclos, o Brasil voltou a ter presença regular em torneios ATP, Grand Slams e competições internacionais, algo que reacendeu o interesse do público pelo esporte. Para quem acompanha o tênis de perto, já se tornou comum ver brasileiros chegando a jogos importantes com status de favoritos, inclusive nas principais análises esportivas e nas melhores casas de apostas do Brasil, reflexo direto de um momento mais competitivo dentro de quadra.
A pergunta que se impõe em 2026 não é se o Brasil já vive uma nova era dourada no tênis, mas se esse conjunto de atletas e resultados recentes representa, de fato, um novo patamar competitivo para o país no cenário internacional.
Resultados recentes mostram presença, não protagonismo isolado
O principal indicativo de evolução do tênis brasileiro está na regularidade. Nos últimos anos, o país passou a contar com mais de um jogador disputando chaves principais de torneios ATP e Grand Slams, algo raro na década anterior. Thiago Monteiro e Thiago Wild se mantiveram como presenças frequentes em grandes torneios, com vitórias importantes e participações consistentes em Roland Garros, Australian Open e US Open.
Wild, em especial, chamou atenção ao avançar em chaves principais de Grand Slams e conquistar títulos ATP, mostrando capacidade de competir em alto nível contra adversários do top 50. Monteiro, por sua vez, consolidou-se como jogador confiável em torneios de saibro, sustentando ranking competitivo e acumulando vitórias relevantes.
Além deles, nomes como Felipe Meligeni mantiveram presença constante no circuito Challenger, ajudando a reforçar a base competitiva do país. Esses resultados não colocam o Brasil entre as grandes potências do tênis, mas indicam algo importante: o país deixou de depender de um único nome.
A nova geração e o impacto de João Fonseca
Se a geração intermediária garantiu estabilidade, a mais jovem trouxe expectativa. João Fonseca se tornou, ainda muito cedo, o principal símbolo dessa nova fase. Campeão juvenil de Grand Slam e com rápida ascensão ao circuito profissional, Fonseca entrou em 2026 como um dos jovens mais observados do tênis sul-americano.
O impacto de sua trajetória vai além dos resultados imediatos. Pela primeira vez em muitos anos, o Brasil voltou a discutir potencial de longo prazo no tênis masculino, algo que não acontecia desde o pós-Guga. A diferença é que agora essa expectativa vem acompanhada de uma base mais sólida ao redor.
Fonseca ainda está em processo de adaptação ao circuito adulto, mas sua presença ajuda a reposicionar o tênis brasileiro no debate internacional e estimula interesse, investimento e visibilidade para o esporte no país.
Comparação com gerações passadas: menos brilho, mais estrutura
Ao comparar o momento atual com a geração de Gustavo Kuerten, a diferença é evidente. Não há, até aqui, um nome capaz de dominar o circuito ou disputar títulos de Grand Slam de forma constante. Por outro lado, há algo que faltou por muitos anos: estrutura e continuidade.
O Brasil passou a investir mais em calendário internacional, intercâmbio técnico e formação de base, o que se reflete no número maior de atletas competitivos. Em vez de um fenômeno isolado, o país constrói um grupo que se mantém ativo no circuito, ainda que sem o brilho de outrora.
Esse modelo é mais próximo do que fazem países médios do tênis mundial, que raramente produzem um gênio, mas sustentam presença contínua no cenário internacional.
O papel do tênis feminino nesse novo cenário
Não é possível falar do tênis brasileiro recente sem mencionar Beatriz Haddad Maia. A tenista consolidou o Brasil no circuito feminino ao figurar entre as melhores do mundo, vencer títulos relevantes e avançar em torneios grandes, incluindo semifinais de Grand Slam e campanhas expressivas em WTA 1000.
Sua trajetória ajudou a ampliar a visibilidade do esporte no país e mostrou que o Brasil pode, sim, competir em alto nível quando há continuidade e planejamento. Embora o artigo foque no panorama geral, o desempenho de Bia reforça a ideia de que o tênis brasileiro vive um momento mais saudável do que em décadas anteriores.
Um novo patamar, não uma nova era dourada
Em 2026, o tênis brasileiro não vive uma era dourada no sentido clássico, mas alcançou algo igualmente relevante: um novo patamar de competitividade. Há presença constante, jovens promissores, atletas experientes sustentando ranking e um ambiente mais favorável ao desenvolvimento.
O desafio agora é transformar essa base em resultados ainda mais expressivos. Para isso, será preciso tempo, paciência e continuidade. O Brasil voltou ao mapa do tênis internacional — o próximo passo é deixar de ser apenas visitante frequente e passar a disputar protagonismo de forma mais regular.