José Abrão
Goiânia – A expedição confirmou que o atraso no plantio da soja em 2025 por causa da demora da chegada das chuvas deve impactar a produtividade da safra 2025/26 e atrasar o plantio da safrinha no fim do primeiro semestre. No semestre passado, a chuva só chegou no final de outubro, o que ocasionou um atraso de duas semanas no calendário da soja. A Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) divulgou nesta sexta-feira (23/1) o resultado preliminar da 3ª Expedição Safra Goiás. A iniciativa percorreu 30 municípios e mais de 3 mil km coletando 260 amostragens de produtividade de soja ao longo de uma semana. O objetivo é conhecer in loco a realidade das lavouras goianas e estimar produtividade, custos de produção e rentabilidade do produtor rural.
“É extremamente importante trabalharmos com os dados reais. Isso norteia como podemos ter um planejamento para as políticas públicas do Estado”, destacou o presidente da Faeg, José Mário Schreiner. “Isso nos permite contribuir. Entender que tipo de infraestrutura um município precisa e por quê. Isso nos serve de base científica para planejar o futuro do Estado”, adicionou. Segundo ele, os dados também permitem aos produtores se anteciparem aos problemas e se prepararem: “É uma questão de sobrevivência: dar as condições para o produtor rural adequar a sua capacidade de pagamento à sua produção”.
A coleta seguiu metodologia validada pela Embrapa e respeita o princípio da representatividade estatística. As equipes atuaram simultaneamente em duas grandes rotas, nas regiões Leste e Oeste, garantindo maior precisão dos dados. “O agro no Brasil tem crescido ano a ano devido à ciência, à pesquisa, à inovação e à transferência da tecnologia ao homem do campo”, afirmou José Mário.

Analisando o cenário que tende a impactar o resultado, o engenheiro agrônomo Leonardo Machado, gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), destacou que a chuva só foi se aproximar da média histórica no final de novembro. “No ano passado, o plantio foi muito mais acelerado. O atraso do plantio vai causar um atraso na safrinha e uma redução no potencial produtivo. A gente costuma dizer que, a cada dia de plantio em dezembro, você perde uma saca, e este ano o pessoal plantou muito em dezembro também, o que reduz esse potencial”, comentou.

Alta dos custos e produtividade
Na safra passada, a produtividade goiana chegou a 69,7 sacas por hectare. A estimativa agora é de uma pequena queda, ficando entre 66,5 e 68,5 sacas por hectare. Da mesma forma, na última safra, foram colhidas 20,7 milhões de toneladas de soja, e a expectativa agora é que a produção fique entre 20,5 e 19,8 milhões de toneladas.
Outro desafio que se impõe, além do clima e da irregularidade das chuvas, é o aumento dos custos de produtividade. Segundo o levantamento da Faeg, a rentabilidade desta safra ficará em torno de 17%, uma queda drástica em relação à safra anterior, cuja rentabilidade estava em 35%, e ainda mais distante da safra 2021/22, quando a rentabilidade estava no patamar de 115%. Ao mesmo tempo, o custo por hectare de soja era, em 21/22, de 33 sacas. Isto é: é preciso vender 33 sacas para pagar o custo de cada hectare. Esse número agora chegou a 55 sacas para uma produtividade prevista de 66 sacas, apertando o produtor rural.

Nova expedição na safrinha
Um novo levantamento já tem data para ocorrer: em julho deste ano, acompanhando a safrinha, quando há o plantio do milho no Estado. O presidente do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (Ifag), Armando Rollemberg, afirmou que este trabalho é muito importante e que “é muito gratificante rodar o Estado, estar ao lado do produtor, ver sua resiliência em um momento difícil, com muitos desafios, um ano eleitoral, com reforma tributária e muitas dúvidas. Então, é o momento de estar próximo do setor produtivo”.
O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Pedro Leonardo Rezende, destacou que o trabalho da expedição é fundamental para “termos a real dimensão das condições da safra deste ano agrícola, considerando a importância dessa atividade para a economia de Goiás, que tem sido a principal responsável pelos resultados superavitários da balança comercial do Estado”, elogiou.
