Ludymila Siqueira
Goiânia – O Brasil registrou um recorde no número de feminicídios em 2025. Ao todo, foram 1.470 casos de janeiro a dezembro, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O total supera os 1.464 registros de 2024, que até então representavam a maior marca da série histórica. Os números indicam que, no ano passado, quatro mulheres foram mortas por dia no país simplesmente por serem mulheres. O cenário pode ser ainda mais grave, já que os dados de São Paulo ainda não foram atualizados.
Em Goiás, os feminicídios também avançaram. O Estado aparece na 9ª posição entre as unidades da federação com aumento de casos, com 54 mortes desse tipo registradas na base de dados do Ministério da Justiça. No entanto, números da Secretaria de Estado de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), divulgados em coletiva de imprensa na segunda-feira (19/1) pelo secretário Renato Brum, apontam 59 casos. O total representa um crescimento de 6% em relação ao ano anterior. No território goiano, o feminicídio é o único crime que apresenta alta, enquanto os demais indicadores criminais mantiveram trajetória de queda.
“Do total registrado em 2025 [feminicídio em Goiás], apenas sete mulheres tinham medidas protetivas, e 75% dos casos ocorreram em ambientes internos, como casas, onde a segurança pública não consegue alcançar. É um grande desafio não apenas para o Estado de Goiás, mas para todo o Brasil”, destacou o secretário de Segurança Pública de Goiás durante a divulgação de dados.
Veja abaixo os índices:
Mesmo sem os números do mês de dezembro, São Paulo é o Estado com o maior número de casos, com 233. Na sequência aparecem Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104).

Alta de 316% em uma década
A tipificação do feminicídio, quando a mulher é morta pelo fato de ser mulher, foi criada em 2015. Naquele ano, foram registradas no País 535 mortes de mulheres nessa circunstância. Ao comparar com os números de 2025, observa-se um crescimento de 316% em um intervalo de dez anos.
No total, 13.448 mulheres foram mortas pelo fato de serem mulheres ao longo da última década, o que representa uma média de 1.345 crimes por ano. São Paulo lidera as estatísticas, com 1.774 casos, seguido por Minas Gerais (1.641) e Rio Grande do Sul (1.019).
Mudança no Código Penal
Em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou um projeto de lei que aumenta as penas para o crime de feminicídio e para outras violências cometidas contra mulheres. A nova legislação estabelece que condenados por assassinatos motivados por violência doméstica ou discriminação de gênero cumprirão pena mínima de 20 anos e máxima de 40 anos de prisão. Antes da mudança, a pena prevista variava de 12 a 30 anos.
A lei também determina o aumento da pena em um terço caso a vítima estivesse grávida ou nos três meses posteriores ao parto, além de situações em que a vítima seja menor de 14 anos ou maior de 60. O mesmo acréscimo se aplica quando o crime é cometido na presença de filhos ou dos pais da vítima.
Aplicativo Mulher Mais Segura
Em Goiás, o governo estadual desenvolveu o aplicativo Mulher Mais Segura, que pode ser baixado gratuitamente em aparelhos celulares de sistema Android ou IOS. O foco é registrar denúncias, que também podem ser feitas pelo site (Mulher Segura – Mulher Segura).

