José Cácio Júnior
O PMDB tem tentado, é verdade. Mas atuação do partido nas redes sociais tem sido feita de maneira equivocada. Realizando a cobertura em tempo real da filiação do Procurador-Geral de Goiânia, Ernesto Roller, em Formosa nesta sexta-feira (16/9), uma das atualizações do perfil do partido no Twitter mostra uma fala curiosa de Iris Rezende (PMDB). Segundo a postagem, as filiações de Roller e do ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso teriam menos importância caso Iris tivesse se elegido governador em 2010.
"Iris admite que se o PMDB fosse governo em Goiás a filiação de Roller e Vanderlan não teria tanto valor", posta o PMDB goiano em sua página no microblog. A aquisição de Vanderlan pelo partido foi motivo de festa em junho. O ex-prefeito de Senador Canedo, que ficou em terceiro lugar na disputa do governo do estado ano passado com 502 mil votos, já foi lançado por Iris como o principal nome da legenda para a sucessão estadual em 2014. Da mesma forma, Roller seria uma das apostas, não só do PMDB, mas de toda oposição, para diminuir a vantagem do governador Marconi Perillo (PSDB) na região do Entorno do Distrito Federal.
Fica a dúvida se esta é a posição do partido ou de quem atualiza o perfil do PMDB no Twitter. A participação da legenda nas redes sociais foi um assunto muito discutido no ambiente virtual, pois passa a impressão de que as atualizações são uma forma de pessoas ligadas ao partido criticar as ações do governo estadual sem aparecer. O fato mostra a inabilidade dos filiados em lidar com a internet. Uma cobertura que poderia ser tranquila gera a dubiedade por uma situação mal explicada.
Em conversas reservadas, integrantes da ala que defende renovação no diretório estadual revelam o que aconteceria no partido com uma nova equipe. Somente para ficar na parte da comunicação, uma estratégia seria contratar uma agência para unificar o discurso peemedebista e gerenciar a participação no ambiente virtual. O objetivo seria passar uma imagem profissional e coesa do partido como um todo.
Quem acompanha o noticiário político sabe o que realmente Iris quis dizer. O ex-prefeito fez o mesmo discurso no dia da filiação de Vanderlan no PMDB. Ele tentou valorizar as conquistas do partido em um momento de dificuldade vivido pela oposição, há 16 anos longe do poder em nível estadual. Mas a postagem pode levar ao entendimento contrário e mostra discurso de um partido pequeno, que vive em torno de um ou outro nome e não abre espaço para o surgimento de novas lideranças.
Dois meses depois de ter se filiado à legenda, Vanderlan declarou publicamente que nenhuma das suas sugestões repassadas ao PMDB tinha sido colocadas em prática. Chegou a dizer que, se fosse ele o problema, era só darem o aviso que sairia da legenda. O desabafo mostrou que não se oferecia condições para cumprir a promessa de reoxigenação com a vinda de Vanderlan.
Para os peemedebistas, o partido foi o que mais renovou seus nomes na Assembleia Legislativa ano passado. Isso é um fato, não há como negar. Mas a maioria dos eleitos só conseguiu uma cadeira por contar com uma estrutura partidária, motivo de constantes reclamações durante a campanha eleitoral. "Panelinha" era o termo mais utiliizado.
Secretário-geral do PMDB em Goiás, Kid Neto minimizou o discurso de Iris. "A situação é diferente. Iris quis dizer que a filiação não teria importância caso ele fosse governador, pois os dois estariam deixando a oposição e aderindo ao governo. Agora é outra coisa. Roller e Vanderlan escolheram ir para o campo raso de luta da oposição."
"Hoje sou um avô político que acompanha seus netos, esse é meu papel", repete o perfil do partido no Twitter, dando ressonância ao discurso de Iris em Formosa. Quem circula nos bastidores do partido sabe que esse acompanhamento é feito bem de perto por Iris. Ele ainda é consultado antes das principais decisões. Mas a prática não tem acompanhado a velocidade exigida pelas ações no ambiente virtual.