Catherine Moraes
A administradora Kamila Souza Vieira Nascimento, 31, foi atropelada por um ônibus da linha Eixo Anhanguera enquanto atravessava a faixa. O acidente aconteceu por volta de 14h, em frente ao jornal Diário da Manhã no setor Leste Universitário, próximo ao terminal Praça da Bíblia. O motorista foi retirado do local para evitar linchamento. A reportagem tentou contato com o presidente da Metrobus Carlos Maranhão por telefone, mas não conseguiu.
Kamila, que trabalha no departamento financeiro do jornal, teve traumatismo craniano, traumas abdominais e queimaduras de 2º e 3º grau além de várias escoriações. De acordo com o Samu, que atendeu a vítima, o abdómen dela estava muito inchado e existem riscos de hemorragias. Após atendimento ela foi encaminhada ao Instituto Ortopédico de Goiânia (IOG) direto para a Unidade de Terapia Intensiva.
Ela voltava da lanchonete com uma amiga de trabalho, Débora Andrade Matos, 17, e juntas elas atravessavam a faixa de pedestres. As duas já tinham passado pela pista de carros e estavam no corredor central, linha do Eixo. Débora viu que o ônibus não ia parar e puxou a amiga, mas ainda assim ela foi atingida. A vítima bateu a cabeça do lado direito do ônibus, foi lançada 10 metros para frente e, segundo colegas de trabalho, teve cortes profundos na cabeça.
Caso não é isolado
Este ano, outros três acidentes ganharam destaque envolvendo transporte coletivo e acidentes em faixas de pedestres. No dia 29 de agosto, uma mulher foi atropelada também por um ônibus da linha Eixo Anhanguera próximo ao terminal Praça A. Apesar de consciente, ela teve ferimentos nas pernas, foi levada ao Hospital de Urgências (Hugo) e liberada pouco tempo depois.
Na mesma faixa de pedestres, exatamente um mês antes (29/7), três pessoas de uma mesma família foram atropeladas por um Eixo. Lucas da Silva Freitas, de apenas oito anos estava com o pai, o Policial Militar tentente da Polícia Militar Josley Soares de Freitas e o primo de segundo grau, Amadeus Soares da Silva, 57.
Segundo informações da Batalhão de Trânsito, os carros pararam para que a família atravessasse a faixa de pedestres. Mas, ao cruzar a linha do Eixo Anhanguera, o motorista do ônibus não fez o mesmo. Lucas teve um coágulo na cabeça, Josley sofreu escoriações nos cotovelos e Amadeus fraturou a clavícula e a mandíbula.
Na ocasião, o diretor de operações da Metrobus Antônio Batista disse que está prestando assistência às vítimas e que o motorista será ouvido. Segundo ele, uma perícia vai revelar se o ônibus tinha algum defeito, já que o funcionário alegou falha nos freios. Na hora do atropelamento, o motorista parou o ônibus. Segundo informações do Batalhão de Trânsito, pensando se tratar de acidente sem maior gravidade, ele seguiu viagem normalmente.
Em 29 de abril deste ano, o acidente foi mais grave e deixou uma vítima fatal. Benedito Sobrinho Castro, 48 anos, morreu após ser atropelado na altura da Estação Capuava, entre os terminais Padre Pelágio e Dergo. Em comum, o ônibus do Eixo Anhanguera e a faixa de pedestres. O motorista do veículo se apresentou espontaneamente ao 5º Distrito Policial, em Campinas, e foi liberado depois de prestar depoimento.
De acordo com a Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (DICT), o nome da vítima foi registrado de forma errada e impede o início da apuração do caso. Ao invés de Benedito, a ocorrência da Polícia Militar tem registrado o nome Joaquim André de Souza. A delegacia já entrou em contato com a PM para correção do erro, mas ainda não obteve resposta.
Investigações
De acordo com o titular da DICT, delegado Waldir Soares, quando os crimes de trânsito não resultam em morte, as investigações só tem início se as vítimas registrarem ocorrência. “Na maioria das vezes as vítimas só querem a indenização do DPVAT e nem registram a ocorrência, impossibilitando a ação da polícia”, afirma.
Atualmente, o Batalhão de Trânsito e o Corpo de Bombeiros recolhem as informações iniciais e repassam à delegacia. “Eu gostaria que o DICT trabalhasse como a Homicídios por exemplo que vai até o local em todos os casos. Infelizmente hoje temos apenas três delegados e não conseguimos fazer esse deslocamento", declara Waldir.