Larissa Lessa
Fotos: Adalberto Ruchelle
Peritos passaram a manhã desta quinta-feira (15/9) analisando os destroços do monomotor que caiu ontem à tarde em uma casa no setor Goiânia 2. Depois de coletar as informações e depoimentos de testemunhas, os técnicos do Sexto Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) devem analisar os dados do plano de voo e condições do avião para, então, chegar a uma conclusão sobre as causas do acidente.
“Ainda é muito cedo para fazer qualquer afirmação sobre os motivos do acidente. A investigação ainda está em fase inicial e não há previsão para entrega do relatório conclusivo”, disse o oficial de segurança operacional do Seripa, Gláucio Campos da Silva. Os destroços do avião foram retirados do local pelo Corpo de Bombeiros depois da conclusão das perícias feitas por Seripa e Polícia Civil.
O monomotor modelo PA-32 decolou do Aeroporto Santa Genoveva às 14h14 de ontem com destino a Formosa e, menos de dois minutos depois, caiu no depósito de uma casa do setor Goiânia 2. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tanque estava cheio, o que garantia quatro horas de autonomia de voo.
O proprietário da casa, Paulo Antônio Marques, conta que uma das primeiras pessoas a chegar ao local depois do acidente foi um eletricista de aviões. “Ele disse que o avião decolou com o motor falhando e, por isso, resolveu seguir o monomotor de carro”, disse o proprietário. Assim que decolou, o piloto e proprietário do monomotor, Elias Alves Ferreira Neto, 28, informou à torre de controle que o avião apresentava perda de força. Ele estava sozinho e, de acordo com a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), é instrutor de voo experiente, com mais de quatro mil horas de voo.
Estima-se que o avião tenha batido no depósito da casa com velocidade entre 140 km/h e 150 km/h. “Olhando os destroços, é um milagre que ninguém da casa tenha se ferido”, afirmou Álvaro Neto, perito do Seripa. O piloto ficou preso das ferragens e foi encaminhado ao Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). De acordo com as informações divulgadas hoje pelo Hospital, Elias Neto teve edema cerebral e respira com a ajuda de aparelhos. O estado de saúde é grave.
Acidentes
O acidente de ontem foi o segundo a acontecer na área residencial do Goiânia 2. Em 1999, quatro pessoas, entre elas o presidente da Funai, Sulivan Silvestre, morreram depois que o bimotor Sêneca caiu no mesmo setor. “Estamos preocupados e queremos saber das causas desse acidente e se o Goiânia 2 é considerado rota alternativa para os aviões em situação de emergência”, disse o presidente da Associação de Moradores da Região Norte, Jurandir Rosa, que deve encaminhar à Infraero um ofício com os questionamentos. Em resposta, a assessoria de imprensa da empresa informou que se pronunciará depois que for notificada oficialmente.
Cinco pessoas estavam no local no momento do acidente, mas ninguém se feriu e, aos poucos, a família de Paulo Antônio tenta retomar a rotina. Ainda hoje Stela Fernanda Rodrigues, 19, deve voltar para casa depois de ter sido levada para o hospital em estado de choque. “Dormi só duas horas esta noite e meu filho mais novo também teve uma noite agitada. Ele acordou várias vezes e ficou olhando para o teto, como se estivesse esperando que algo acontecesse”, disse Paulo Antônio, enquanto acendia um cigarro e observava o trabalho dos peritos.
Como o avião tinha seguro, a família espera ser ressarcida pelos danos e, por isso, já registrou um boletim de ocorrência e solicitou uma perícia da Polícia Civil para levantamento dos prejuizos. O dano maior, no entanto, Paulo Antônio ainda não consegue mensurar. “Estamos muito abalados e somente com o tempo vamos saber quais marcas ficaram em todos nós”.
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