Logo
Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil)

Após adiamentos, Banco Central desiste de regular Pix Parcelado

Decisão recebe críticas de entidade de direitos do consumidor

WhatsAppFacebookLinkedInX
05.12.2025 - 00:05:37

Brasília – Após sucessivos adiamentos, a diretoria do Banco Central (BC) decidiu abandonar a criação de regras específicas para o Pix Parcelado. A decisão foi comunicada nesta quinta-feira (4/12), em Brasília, durante a reunião do Fórum Pix, comitê que reúne cerca de 300 participantes do sistema financeiro e da sociedade civil.

Além de desistir da regulação, o BC proibiu as instituições financeiras de utilizarem o nome Pix Parcelado. No entanto, termos similares – como Pix no crédito ou Parcele no Pix – continuam permitidos.

Inicialmente previstas para setembro, a obrigatoriedade do Pix Parcelado e a padronização das normas foram adiadas para o fim de outubro e posteriormente para novembro.

A modalidade, que funciona como uma linha de crédito com juros oferecida pelos bancos, já está disponível no mercado e seria regulamentada para aumentar a transparência aos usuários.

Falta de padronização
O Pix parcelado permite que o consumidor parcele um pagamento instantâneo, recebendo o valor integral no ato, enquanto o cliente arca com juros. Cada banco define livremente taxas, prazos, forma de cobrança e apresentação do produto. A ausência de uniformização, segundo especialistas, aumenta o risco de endividamento.

Apesar de nomes que sugerem semelhança com o parcelamento tradicional do cartão de crédito, a modalidade é um empréstimo que cobra juros desde o primeiro dia.

As taxas têm girado em torno de 5% ao mês, enquanto o Custo Efetivo Total (CET) chega a aproximadamente 8% mensais. A contratação costuma mostrar os custos apenas na etapa final. As regras sobre atrasos nem sempre são claras. Em muitos casos, o pagamento das parcelas aparece na fatura do cartão, embora o produto não seja um parcelamento tradicional.

Críticas
Em nota, o Instituto de Defesa de Consumidores (Idec), que acompanhou a reunião do Fórum Pix, classificou como “inaceitável” a decisão do BC de não estabelecer padrões para operações de crédito associadas ao Pix. A entidade afirma que a ausência de regras cria um ambiente de “desordem regulatória”, favorece abusos e amplia o risco de superendividamento.

Segundo o Idec, mesmo com a proibição do nome Pix Parcelado, a mudança é meramente cosmética. “O consumidor continuará exposto a produtos de crédito heterogêneos, sem transparência mínima, sem salvaguardas obrigatórias e sem previsibilidade sobre juros ou procedimentos de cobrança”, afirma o texto.

O Idec avalia que o Banco Central “optou por não enfrentar um problema que já está em curso”, delegando ao mercado a responsabilidade pela autorregulação. Segundo o Idec, a falta de regulação tende a deixar famílias ainda mais vulneráveis.

O Idec destaca que, por estar associado à marca mais confiável do sistema financeiro brasileiro, o Pix parcelado tende a induzir decisões impulsivas. A entidade lembra que o Brasil já vive um cenário preocupante de superendividamento e que a modalidade pode agravar esse quadro ao misturar pagamento e crédito sem deixar claros os riscos.

“O Pix nasceu para democratizar pagamentos. Transformá-lo em porta de entrada para crédito desregulado coloca essa conquista em risco”, alerta a instituição, que promete continuar pressionando por regras que garantam padronização, segurança e transparência ao consumidor.

Fiscalização incerta
Embora o BC tenha vetado o uso das marcas Pix Parcelado e Pix Crédito, não há clareza sobre como o regulador fiscalizará a aplicação dessas diretrizes. Durante o Fórum Pix, representantes da autarquia informaram que acompanharão o desenvolvimento das soluções oferecidas pelos bancos, mas sem impor padrões específicos.

Para entidades de proteção ao consumidor, essa postura abre espaço para que produtos semelhantes funcionem de formas completamente distintas entre instituições, dificultando a comparação e aumentando a probabilidade de contratações inadequadas.

Ajustes
Nos últimos meses, a expectativa era de que o Banco Central publicasse regras para harmonizar a oferta da modalidade, determinando informações obrigatórias – como juros, IOF e critérios de cobrança – e estabelecendo padrões mínimos de transparência. Os adiamentos na regulação refletiam um impasse entre o BC e os bancos, que defendiam mudanças na proposta original da área técnica.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) declarou ser favorável à existência de regras, mas negou ter pressionado o BC pela suspensão da regulamentação. A federação, entretanto, reconheceu ter pedido ajustes no texto em discussão e alegou que não havia urgência. (Agência Brasil)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Michelle Rabello

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Economia
17.09.2026
Abate de bovinos em Goiás registra crescimento no segundo trimestre de 2026

A Redação Goiânia – O abate de bovinos em Goiás registrou incremento em 2026. Entre os meses de abril e junho, foram contabilizadas 1,07 milhão de cabeças no estado, de acordo com dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa uma alta de 13% em relação ao trimestre anterior e de […]

JUSTIÇA
17.09.2026
MP junto ao TCU pede cautelar para suspender decreto que aumentou valor do Bolsa Família

Brasília – O Ministério Público Especial junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) solicitou à Corte de Contas que seja adotada medida cautelar para a suspensão do decreto que aumentou em 15% o valor do Bolsa Família. A mudança ocorre a 17 dias do primeiro turno eleitoral. A representação é do Subprocurador-Geral, Lucas Rocha […]

Inovação
17.09.2026
Pesquisadores de Goiás têm até 2 de outubro para concorrer a auxílio em eventos internacionais

A Redação  Goiânia – Pesquisadores que atuam em Goiás têm até as 17h do dia 2 de outubro para apresentar propostas à chamada pública para participação em eventos científicos internacionais realizados entre março e julho de 2027. Ao todo, estão previstos 50 auxílios de R$ 10 mil para os profissionais que farão a apresentação de […]

ECONOMIA
17.09.2026
Governo reajusta Bolsa Família em 15% e impacto é de R$ 5,8 bi em 2026

Brasília – O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, anunciou nesta quinta-feira, 17, que o governo reajustará em 15% o Bolsa Família. A mudança ocorre a 17 dias do primeiro turno eleitoral. Segundo Moretti, o custo é de R$ 5,8 bilhões neste ano, a partir de outubro, e de R$ 22 bilhões em 2027. […]

ECONOMIA
16.09.2026
Copom reforça cautela em cenário de maior incerteza

Brasília – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reafirmou nesta quarta-feira, 16, que o cenário atual demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. “O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da […]

Comércio exterior
16.09.2026
Fieg aponta que corrente comercial de Goiás atinge US$ 1,7 bilhão em agosto

A Redação Goiânia – Goiás registrou em agosto uma corrente comercial de US$ 1,7 bilhão, resultado da soma entre US$ 1,14 bilhão em exportações e US$ 587,7 milhões em importações. Os números constam da Balança Comercial divulgada nesta quarta-feira (16/9) pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg). A […]

Economia
15.09.2026
Central Mais Empregos reúne 3,1 mil vagas em Feirão de Indústria e Serviços em Goiânia

A Redação  Goiânia – A Central Mais Empregos realiza um feirão de empregos voltado aos setores de indústria e serviços, nesta quarta-feira (16/9), das 8h às 17h, em Goiânia. Serão disponibilizadas cerca de 3.100 vagas para Goiânia e Região Metropolitana. O recrutamento dos candidatos será feito na unidade localizada na Avenida Araguaia, esquina com a Rua […]

Economia
14.09.2026
Empresas de Aparecida ofertam quase 2,5 mil vagas de emprego nesta semana

A Redação Goiânia – As empresas de Aparecida de Goiânia ofertam 2.470 vagas de emprego, pelo Sistema Municipal de Emprego (SIME), nesta semana. As oportunidades contemplam diferentes níveis de escolaridade e áreas de atuação, ampliando as chances de inserção no mercado de trabalho para a população. A captação de vagas é realizada em parceria com o Governo […]