Logo

‘O Filho de Mil Homens’ é belo e desconjuntado

WhatsAppFacebookLinkedInX
26.11.2025 - 10:37:51

O Filho de Mil Homens, novo longa de Daniel Rezende baseado no romance de mesmo nome escrito por Valter Hugo Mãe, é um filme que aposta na poesia visual e na delicadeza emocional, mas nem sempre encontra o equilíbrio entre suas tentativas poéticas e a narrativa. A obra tem um ritmo contemplativo que, embora proponha uma experiência sensorial, por vezes se estende além do necessário, fazendo com que certas cenas pareçam forçadas sem acrescentar profundidade aos personagens ou à trama.
 
Esta acompanha um pescador, vivido por Rodrigo Santoro, que sonha em ser pai. Aos poucos vai se formando ao seu redor uma verdadeira família, composta por pessoas marcadas pelo trauma, finalmente encontrando a aceitação e o amor umas nas outras. O tema da família e o trauma geracional permeiam toda a narrativa, tanto de forma simbólica quanto literal, com graus variados e inconsistentes de sucesso.
 
A direção busca transmitir sensações mais do que acontecimentos, mas morre de medo de você perder o fio da meada. Então os acontecimentos acabam, ao contrário, esmiuçados, desprovidos da sutileza proposta, com direito a monólogos de um outro personagem, detalhando exatamente o que está acontecendo caso você tenha cochilado ou olhado pro celular.
 
Da mesma forma, o simbolismo, frequentemente evocativo, ocasionalmente parece meio jogado: uma cena é bonita por ser bonita e nada mais. Aliás, belo o filme é e esse é seu ponto mais forte. As escolhas de fotografia e cenografia trazem algo de realismo mágico para a empreitada, mas parece apenas um verniz, uma casca fina.
 
Há ideias também belas e momentos sensíveis, mas a execução nem sempre acompanha a ambição poética. O resultado é um filme que emociona em fragmentos, sem conseguir sustentar a força simbólica e narrativa de que parece estar sempre à procura.
 
Ainda assim, a obra tem méritos sensíveis e um olhar humano sobre a formação de afetos e sobre o que é família. O que faz sentido: que família, afinal de contas, não é desconjuntada?

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Joias do Centro
02.10.2026
Estádio Olímpico: há 85 anos palco de celebrações do esporte em Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Localizado na Avenida Paranaíba, bem no Centro de Goiânia, está o estádio de futebol mais antigo da capital. Fundado em 1941, o Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, mais conhecido apenas como Estádio Olímpico, é parte da história da capital e cresceu junto com ela, fazendo parte de sua trajetória no esporte […]

Noite e Dia
30.09.2026
Basileu França abre exposição e apresenta espetáculo musical em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Escola do Futuro de Goiás (EFG) em Artes Basileu França abriu, na última segunda-feira (28/9), a exposição “Cidades: Entre Memórias, Sonhos e Futuro”, na Galeria de Arte da instituição, em Goiânia. No mesmo dia, o Teatro Escola recebeu o espetáculo “A Noite do Rei”. A programação reúne trabalhos de estudantes de […]

Meia Palavra
30.09.2026
‘Unabomber’ não fica à altura de um dos crimes reais mais curiosos dos EUA

Estreou na Netflix Unabomber, um novo filme que tenta recontar a história fascinante do assassino e terrorista doméstico Ted Kaczynski, o titular Unabomber, que apavorou os Estados Unidos com atentados a bomba por várias décadas antes de finalmente ser capturado em meados dos anos 1990. Infelizmente, apesar de seus méritos, o filme não consegue ficar […]

lABORATÓRIO pÚBLICO - cIÊNCIA, pOLÍTICA E MEIO AMBIENTE
29.09.2026
Sem apocalipse ou redenção II

No último artigo por aqui, comentei das visões diametralmente opostas a respeito da inteligência artificial. De um lado, os otimistas tecnológicos acreditam que ela resolverá todos os nossos problemas; de outro, os tecnofóbicos já decretam para breve o fim da humanidade à medida que a IA rapidamente evoluir e sair de nosso controle. Argumentei que […]

Noite e Dia
28.09.2026
Armazém AZ apresenta mostra sobre Maria Abadia Haich em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – O Armazem AZ apresentou no último sábado (26/9), em Goiânia, a exposição Tessituras: Histórias de Bá, dedicada à trajetória de Maria Abadia Haich, co-fundadora da loja e personagem ligada à formação e à difusão do design brasileiro na cidade. Construída a partir do olhar de seus seis netos, com coordenação de […]

Curadoria Afetiva
27.09.2026
Códigos atemporais

Há uma contagiante efervescência cultural, como costumávamos caracterizar o circuito social na década de 80, que, curiosamente, vem se reprisando na capital goiana. Salões de arte, mostras de artistas renomados (estejam eles vivos ou mortos), apresentações públicas e privadas de espetáculos clássicos, caricatos e criativos. Aparentemente, um despertar coletivo que contamina, no bom sentido, todos […]

Joias do Centro
25.09.2026
Avenida Goiás: a linha que desenhou o coração de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Há avenidas que levam a algum lugar. E há aquelas que, antes mesmo de serem abertas, já foram concebidas para dizer alguma coisa sobre a cidade. Em Goiânia, a Avenida Goiás pertence à segunda categoria. Desenhada no plano original da capital pelo arquiteto e urbanista Attilio Corrêa Lima, ela nasceu como […]

Noite e Dia
25.09.2026
Evento apresenta primeira mostra de Di Cavalcanti para convidados em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A Cerrado Galeria realizou nesta quinta-feira (24/9) a abertura exclusiva para convidados da apresentação do novo ciclo expositivo da galeria, que traz pela primeira vez à Goiânia obras do renomado artista Di Cavalcanti, além da primeira individual do goianiense Walter Pimentel. As mostras Di Cavalcanti: Lírico, brasileiro, modernista, e Anímica e […]