Catherine Moraes
Fotos: Fábio Lima
A investigação sobre as causas da queda de monomotor no início da tarde desta quarta-feira (14/9) está sob a responsabilidade do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), com sede no Distrito Federal. A previsão é de que representantes vindos de Brasília cheguem ao local do acidente por volta das 19h desta quarta.
Ainda não há informações sobre as documentações do piloto ou do avião. A aeronave, no entanto, teria acabado de sair da oficina.
Estado grave
O monomotor PT RBT caiu em uma casa residencial localizada na Rua Mogno, qd. 14, no setor Goiânia 2. O estado de saúde de Elias Alves Ferreira Neto, 28, piloto e proprietário do avião, é grave. Com a queda, Elias ficou preso nas ferragens. Socorrido no local, o piloto passa por tomografias no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
A aeronave havia deixado o Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, às 14h12, com destino à cidade de Formosa e, logo depois da decolagem, o piloto informou à torre da Infraero que o avião apresentava perda de força. Elias Alves estava sozinho, apesar de no plano de voo da Infraero constar a presença de duas pessoas no monomotor. As imagens da decolagem também serão analisadas.
Como aconteceu
O proprietário da casa, Paulo Antônio Marques, disse que estava no banho quando ouviu um barulho similar a uma freada. “Depois do barulho, percebi que o estrondo era alto demais e logo soube que um avião tinha caído. Foi possível sentir que ele passou próximo à casa, mas achei que tinha caído do lado de fora,” contou o aposentado ao AR.
Desesperado, Paulo disse que ele e a esposa, Sueli Fernandes, correram para socorrer os filhos. Chegando ao quintal da casa, perceberam que eles estavam bem e que o avião havia caído nos fundos da residência. O piloto agonizava e sangrava muito. Além disso, havia fumaça no monomotor. Paulo usou duas mangueiras para tentar impedir uma possível explosão e acionou socorro.
Estragos
O monomotor, modelo Embraer 720, mais conhecido como PA 28, bateu na fiação, causando queda de energia na rua. Ao lado da residência há um grande lote baldio e cogita-se a hipótese de que o piloto tenha tentado uma aterrissagem de emergência no local.
Em seguida, a aeronave atingiu a parte lateral da residência, acertou uma das janelas da casa e passou por cima da piscina onde estavam os filhos do casal. Por fim, o avião atingiu um cômodo utilizado como depósito e um coqueiro que ficava no quintal.
Stela Fernanda Rodrigues, 19, Ricardo Fernandes, 13, e João Paulo Fernandes, 8, viram o avião passar a poucos metros de suas cabeças. O menino Ricardo conta que chegou a tapar o nariz e afundar-se na piscina junto com o irmão. Eufórico, João Paulo diz que foi o primeiro a sair da piscina.
Stela estava sentada na borda da piscina e o avião passou muito próximo à sua cabeça. A menina foi socorrida pelo Samu em estado de choque. Apesar do susto, Paulo afirma que não quer se mudar e que não ficou com traumas. “Deus é quem cuida da gente, se fosse o dia de morrer, podia estar em um deserto e um avião cair lá. Agradeço a Deus que nada de mais grave aconteceu com a minha família”, completa. O aposentado diz ainda que deseja ser indenizado pelos danos materiais.
Estrondo
A engenheira elétrica Patrícia Mourão Diamantino, 23, mora do outro lado do lote baldio e presenciou o acidente. Ela conta que estava no quarto quando ouviu barulho similar ao de um helicóptero. “É comum ouvirmos aviões por aqui devido ao aeroporto, mas dessa vez era mais alto. Quando saí na varanda, vi um borrão e o monomotor já havia caído,” afirmou a jovem.
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