Conflito
Ao citar o conflito entre seguranças e estudantes, que marcou o início da ocupação, Diana Pinho, diretora da UnB Ceilândia, disse que a unidade irá elaborar uma carta de repúdio. “Sempre houve diálogo entre nós. Todos os atos que foram construídos por vocês tiveram nosso apoio. Não somos inimigos. Há uma agenda que é legítima e é nossa. Não vou permitir ser excluída disso. Tem pessoas que nunca foram ao campus e agora estão aqui”, afirmou, emocionada. A professora relembrou aos estudantes que todos presentes ali haviam atuado como fiscais de obra em ações conjuntas entre professores, alunos e servidores. “Faço parte disso aqui e não vou aceitar esse tipo de estigma. Nossa universidade é muito boa para termos um movimento criminalizado”, disse.
Diana também afirmou que decisões referentes à questões acadêmicas serão definidas de acordo com o colegiado. Os alunos haviam pedido ao reitor que determinasse que não houvesse entrada de novos alunos para cursos de pós-graduação e a criação de novos cursos de graduação, além do não aumento do número de vagas para os vestibulares dos cursos já existentes. Eles também queriam garantia de não haveria nenhuma punição aqueles que participam da ocupação. Leia aqui a íntegra da carta com as reivindicações dos estudantes. Davi Diniz, chefe de gabinete, explicou aos estudantes que decisões como essas não podem ser tomadas exclusivamente pelo reitor. “Essa gestão tem um compromisso de trabalhar com os colegiados. Discordamos claramente sobre a possibilidade do reitor José Geraldo decidir essas questões sem consultá-los”, afirmou. “Não vou aceitar nenhuma decisão ad referendum. Isso é um retrocesso”, completou Diana.
Violência
O anúncio da carta de repúdio pela diretora da UnB Ceilândia foi criticada severamente pelos estudantes, que se inscreveram para falar logo em seguida. "Os professores não vão aceitar, temos certeza", disse uma das estudantes que organiza a ocupação, Melissa Lorrayne. "Não fomos nós, estudantes, que fizemos a violência. Foi a Reitoria, no momento em que colocou seguranças em sua porta", disse.
Franklin Rabelo de Melo, aluno do campus Darcy Ribeiro e integrante da Assembleia dos Estudantes Livres (Anel), movimento de oposição à União Nacional dos Estudantes (UNE), acusou Eduardo Raupp, decano de Administração, de agredir estudantes. "É a primeira vez na história da UnB que vejo um decano se colocar como segurança da UnB", acusou. "As imagens do tumulto mostram claramente que não foi isso que aconteceu. Nunca bati em estudante na minha vida", rebateu Eduardo Raupp. "O problema é que aqui temos não só a pauta dos estudantes de Ceilândia, mas do PSTU, da Anel, de quem está financiando eleição para o DCE, eleição para reitor", argumentou. Veja aqui o vídeo com as imagens da tentativa de vandalismo no prédio da Reitoria.
A UnB Agência gravou o momento exato em que os estudantes subiram a rampa da Reitoria. Grupos ligados a organizações políticas começaram quebra-quebra, entraram em confronto com seguranças e derrubaram uma parede do gabinete. Aos 1min23s é possível ver um deles usando uma bandeira como arma para agredir os seguranças. Quando a parede é derrubada, a maioria dos manifestantes pede o fim da violência. Veja vídeo abaixo, filmado pelo repórter fotográfico Luiz Filipe Barcellos:
Após a confusão, alunos da UnB Ceilândia que organizaram o protesto voltaram a pedir o fim da violência e diálogo pacífico com o reitor. No início da tarde dessa quarta-feira (14/9), eles se instalaram no Salão de Atos da Reitoria e aguardam de forma pacífica reunião com o professor José Geraldo de Sousa Júnior. Professores da UnB Ceilândia também estão presentes.
*Com informações da Agência UNB