José Cácio Júnior
Depois de muita especulação e conversa com sua base, o deputado estadual Francisco Júnior (PMDB) decidiu sua ida ao PSD. A decisão foi tomada neste final de semana, após consulta a integrantes da Renovação Carismática Católica (RCC). O apoio antecipado à reeleição do prefeito de Goiânia Paulo Garcia (PT) e o isolamento da executiva regional do PMDB aceleram a escolha do parlamentar.
Francisco reuniu sua equipe nesta segunda-feira (12/9) de manhã para comunicar sobre sua decisão. Depois da conversa, o parlamentar ligou para os outros sete deputados estaduais do PMDB. Só não conseguiu falar com Samuel Belchior e Bruno Peixoto, que estavam viajando. A reação já era a esperada, pois a saída de Francisco do partido era dada como certa.
As divergências de Francisco com Paulo Garcia também aceleraram o processo. Ele, como outros peemedebistas, reclamavam que o prefeito não os recebia. Segundo fontes ligadas ao deputado, não houve tentantiva de reverter a situação. "Francisco conversava com sua base e nem era procurado por PMDB ou PT. Quando era, faziam de forma indireta", revela. Francisco também ligou para Iris Rezende, mas não foi atendido nem recebeu retorno do ex-prefeito de Goiânia durante o dia.
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Francisco chegou à reunião do PSD por volta de 12h30, quando muitos já tinham discursado. O deputado disse que seria breve, pois era "momento para falar pouco e trabalhar muito" e que o PSD era um momento propício para promover a renovação a que estava disposto.
Depois de reconhecer a importância do PMDB em sua carreira política, Francisco afirmou que tinha a oportunidade de construir sua história no novo partido. "Estou sentindo como um jovem que passou no vestibular e sai de casa para construir sua história", afirmou, em tom informal, como se estivesse pregando em um evento da RCC.
Utilizando termos religiosos, Francisco afirmou que chegou a hora de "homens e mulheres promoverem um novo capítulo em Goiás". "Quem quer trabalhar se preocupa em servir, não em mandar. Que Deus abençoe essa iniciativa", completa, criticando de forma indireta a fama de centralizador de Iris Rezende e a maneira como o PMDB goiano é conduzido. De acordo com um aliado, Iris e o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), até procuraram Francisco Júnior. "Mas só pediam para ele ter paciência."
O deputado também comentou as dificuldades de apresentar sugestões ao PMDB. Afirmou que, pelo fato de o partido existir há bastante tempo, é preciso discutir sugestões com muitas pessoas. E grande parte delas não acenavam com as sugestões propostas, citando a experiência do ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso. "Vanderlan foi para o PMDB com o propósito de levar o novo e está tendo dificuldade. É uma dificuldade por conta do tempo que o partido tem e da forma como está estruturado. Acredito que no PSD terei mais oportunidade de influenciar o partido com as minhas ideias."
PMDB e Paulo Garcia
Francisco admitiu que a decisão do PMDB de apoiar Paulo Garcia em 2012 influenciou sua decisão. E afirmou que tentou resolver as divergências com o prefeito, mas não tinha resposta. "Temos tidos diversas discordâncias há bastante tempo."
Um aliado do deputado explica que a relação do PT com a Renovação Carismática Católica (RCC) foi um dos fatores que menos influenciou a mudança de partido. Existiu uma resistência da bandeiras "defendidas com unhas e dentes" por alguns petistas, como a legalização do aborto e o apoio à união estável homossexual, temas discutidos à exaustão durante a campanha eleitoral de 2010. "São temas mais defendidos no PT, PCdoB e partidos de esqueda. Mas não influenciou tanto com a RCC."
Francisco não deve ter problemas com sua base eleitoral por agora fazer parte da coalizão que apoia o governador Marconi Perillo (PSDB). "A base de Francisco não é politizada, não importa para o pessoal da Renovação qual partido ele faz parte", comenta uma pessoa próxima ao deputado.
Expulsão e perda de mandato
Durante o dia surgiram boatos de que a executiva regional do PMDB entraria com pedido de perda de mandato contra Franscisco pela mudança de partido. No entanto, a legislação eleitoral não pune parlamentares que mudam para uma sigla que está sendo criada.
O presidente estadual do PMDB, Adib Elias, respondeu de forma irônica quando foi questionado sobre o assunto. Afirmou que a lei oferece privilégios para quem muda para uma partido que está sendo criado. "Achávamos que o deputado havia saído há muito tempo. Não vamos entrar com pedido de perda do mandato porque a lei privilegia quem muda para um partido novo."