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Caras-pintadas do Facebook

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13.03.2013 - 19:55:46

Mobilizações virtuais têm ou não têm força para mudar o mundo real? Há exemplos para ambos os lados, mas os brasileiros têm motivos para desconfiar do ciberativismo. Afinal, nem mesmo 1,3 milhões de assinaturas foram capazes de impedir que o Senado confirmasse Renan Calheiros na presidência; nem o burburinho digital brecou a indicação do pastor Marco Feliciano à presidência da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados; e muito menos o Movimento Gota D’água mudou um centímetro sequer da Usina de Belo Monte.

Significa, então, que as petições e outros movimentos sociais mediados pelas mídias sociais não passam, como diz a música, de moscas sem asas? Para responder, não há descer do muro: é relativo.

Escrevi aqui mesmo nesta coluna sobre a potencialização da voz do povo com o uso

(Tirinha retirada do Facebook que inspirou este texto)

dessas mídias. Nunca a humanidade teve à disposição uma tecnologia de comunicação para amplificar desejos, reivindicações e reclamações com tanta velocidade e alcance. Os exemplos são vários e já batidos, como a festejada Primavera Árabe, o Occupy Wall Street e o SAC 2.0.

Por outro lado, apesar das pesquisas que demonstram que os usuários das mídias sociais são mais propensos a se engajar politicamente, o ciberativismo estimula uma acomodação paradoxal. Afinal, clicar, compartilhar e comentar na timeline é bem mais fácil que encarar as ruas debaixo de sol e de chuva.

As mídias sociais são ótimas para agregar pessoas que têm um objetivo em comum. Mas, divorciadas da realidade, não passam do “xingar muito no Twitter”.

A Primavera Árabe só foi adiante porque catalisou uma série de fatores, como a insatisfação geral das populações e articulações de grupos políticos adversários dos poderosos de plantão. E, com auxílio das mídias sociais, culminou em ações práticas, com manifestações intensas e incessantes que tiveram também o apoio da opinião pública no exterior.

Quer dizer, então, que toda essa movimentação entre os internautas brasileiros não serve para nada? Não é bem assim.

Em uma atitude incomum entre políticos brasileiros, o senador Renan Calheiros teve de calçar as sandálias da humildade e reconhecer publicamente a legitimidade da voz do povo circulante na internet. O presidente do Senado também se obrigou a tomar algumas medidas impopulares com os colegas, como cortar o 14º e 15º salários e extinguir cargos, para amenizar a reação popular. Parece pouco, mas não é.

No caso do pastor Marco Feliciano, a guerra santa virtual despertou a curiosidade da mídia tradicional e os jornalões começam a expor seus calcanhares de Aquiles, o que pode ter consequências mais adiante.

Portanto, não há motivos para os caras-pintadas do Facebook desanimarem. O que eles precisam é ter a consciência de que o mouse não substitui o bom e velho asfalto.

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por Rodrigo Hirose

*Jornalista com especialização em Comunicação e Multimídia

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