Logo

Estudo aponta transição energética sem expandir exploração do petróleo

WhatsAppFacebookLinkedInX
22.10.2024 - 10:38:58

Brasília – Um estudo divulgado nesta terça-feira (22) pela rede Observatório do Clima (OC) aponta um possível caminho para o setor energético brasileiro reduzir em 80% as atuais emissões anuais de gases do efeito estufa, até 2050.

 
A iniciativa propõe uma série de medidas, que tonaria possível, em 26 anos, atender à demanda de energia no país com um crescimento médio do Produto Interno Bruto de 2,1% ao ano e ainda garantir a transição para um cenário de baixo carbono.
 
As medidas incluem a eliminação de subsídios do governo aos combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), mudanças na Petrobras e no modelo de desenvolvimento energético do país que, se implementadas, levariam o Brasil à emissão de 102 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO?e) no setor de energia, em 2050.
 
Sem essas ações, a projeção para o setor é de 558 milhões de toneladas de CO?e, ainda que considerando os compromissos assumidos pelo poder público e os planos estratégicos de empresas do setor.
 
Segundo a coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, as iniciativas também dariam condições de o Brasil se tornar a primeira grande economia do mundo a sequestrar mais gases de efeito estufa do que emite.
 
“Demonstra que podemos alterar rotas equivocadas e contribuir no setor de energia para que o Brasil se torne um país carbono negativo até o ano de 2045.”
 
Diretrizes
Entre as diretrizes previstas estão a maior inserção de energias renováveis no setor elétrico, como solar e eólica, associadas às novas tecnologias de armazenamento; o desenvolvimento da indústria de hidrogênio verde; mais investimentos em biocombustíveis e eletrificação do transporte público coletivo, tornando-o prioritário em relação ao transporte individual motorizado nas áreas urbanas.
 
O estudo também aponta a necessidade de redirecionar à transição energética os subsídios governamentais dados atualmente aos combustíveis fósseis, além de cessar a expansão da exploração do petróleo, revertendo propostas como a abertura de novos poços na Foz do Amazonas.
 
A mudança exige ainda o desenvolvimento de estratégias para a transformação da Petrobras em uma empresa de energia com fortes investimentos em fontes de baixo carbono. A estatal precisaria passar por uma redução gradual da produção de petróleo, assegurando a manutenção do valor da empresa no mercado.
 
De acordo com os pesquisadores, além de contribuir para uma economia de baixo carbono, as diretrizes apontadas no estudo permitiriam a superação da pobreza energética e a correção de injustiças, tornando também a produção de energia mais eficiente. “Focamos na descarbonização necessária no quadro de crise que se configura no Brasil e no planeta e na justiça climática”, destaca Suely.
 
Sustentabilidade
O reposicionamento do setor, que responde por apenas 17,8% das emissões brutas de gases de efeito estufa no país, traria mais sustentabilidade à descarbonização brasileira, de acordo com a equipe do OC.
 
“A transição energética é elemento estruturante da política climática porque traz mudanças com marcas definitivas. É diferente nesse aspecto do controle do desmatamento, que pode retroceder rapidamente com mudanças governamentais, como ocorreu no período 2019-2022.”, aponta o relatório.
 
Impactos
O estudo também considerou os impactos socioambientais das novas fontes renováveis e da mineração de metais estratégicos (como lítio, cobre, grafita ou metais de terras raras) para suprir a demanda mundial com origem na transição energética. Possíveis desdobramentos são apontados como forma de alerta às autoridades públicas.
 
São tendências de impacto nas terras das populações tradicionais; subempregos perigosos, de baixa qualidade e remuneração; além de contratos abusivos de implementação de projetos e exploração com dinâmicas degradantes.
 
Outros possíveis problemas decorrentes da migração para energia de baixo carbono em um cenário de órgãos reguladores enfraquecidos ou capturados são desmatamento, poluição e acirramento dos conflitos agrários e dos conflitos internos nas comunidades locais, por exemplo.
 
O relatório aponta que para a transição energética ser justa, precisa ter ampla participação das comunidades afetadas e ser guiada por um arcabouço regulatório que dê conta desses desafios.
 
“O Brasil deve desenhar políticas efetivas que reduzam os impactos e promovam uma relação mais harmoniosa, com controle social, dos projetos de energia renovável e de exploração mineral com os locais onde se inserem”, destaca o estudo.
 
Algumas das ações sugeridas são o estabelecimento de metas de redução de pobreza energética, com iniciativas como geração de energia próxima aos consumidores e acessível às famílias de baixa renda; justiça territorial e habitacional, com integração de classes sociais em áreas centrais urbanas e a redução de viagens e distâncias; além de eliminar o uso de energias fósseis na mobilidade pública.
 
Resultados
O transporte de passageiros é apontado como a área de demanda energética com maior oportunidade para redução rápida das emissões. Para que a atividade deixe de emitir 102 milhões de toneladas de CO?e, conforme registrou o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) em 2022, e passe a emitir somente 16 milhões de toneladas, são sugeridas diretrizes simples como a substituição da gasolina por etanol nos veículos flex e gradual eletrificação da frota.
 
Na outra ponta, o transporte de cargas, majoritariamente rodoviário no Brasil, é o que apresenta os maiores desafios, segundo os pesquisadores. O custo alto de baterias que suportem longas distâncias e da substituição de outros componentes são barreiras apontadas para a eletrificação de caminhões pesados e semipesados, indicando um processo mais lento na redução das emissões dessa atividade.

Leia mais
Estado e Fieg ofertam 2 mil vagas em cursos gratuitos de qualificação

 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Adriana Marinelli

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Despedida
28.09.2026
Morre Lise Silveira, filha do jornalista Jayro Rodrigues

A Redação Goiânia –  Morreu nesta segunda-feira (28/9) Lise Rodrigues, filha do jornalista Jayro Rodrigues. Ela enfrentava a leucemia. O velório ocorrá na Igreja Presbiteriana do Parque das Laranjeiras, a partir das 7h, desta terça-feira (29). O sepultamento está previsto para às 14h, no Parque Memorial de Goiânia.

Comunicação
28.09.2026
Prêmio Goiás Cooperativo de Jornalismo distribui mais de R$ 120 mil em prêmios

A Redação Goiânia – Mais de R$ 120 mil em prêmios, além de troféus, certificados e o sorteio inédito de uma scooter elétrica zero quilômetro, serão distribuídos na 5ª edição do Prêmio Goiás Cooperativo de Jornalismo, promovido pelo Sistema OCB/GO. A iniciativa tem como objetivo reconhecer e valorizar jornalistas e comunicadores que contribuem com a […]

Idoso
28.09.2026
Prefeitura de Goiânia realiza o Dia D da Pessoa Idosa com atendimento clínico, vacinação e avaliação multidimensional

A Redação Goiânia – A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) realiza na quinta-feira (1/10) o Dia D de Saúde da Pessoa Idosa. A ação será realizada em todas as unidades básicas de saúde e centros de saúde da família do município, das 8h às 17h, com uma programação voltada à ampliação do acesso aos serviços […]

Fake News
28.09.2026
Ary Fontoura reage a falsa notícia de morte: ‘Isso é uma falta de respeito’

São Paulo – Ary Fontoura se manifestou nas redes sociais nesta segunda-feira (28/9), após se deparar com uma falsa notícia sobre sua morte. O ator, de 93 anos, afirmou que páginas no Facebook estão usando sua imagem e informações inventadas para chamar a atenção dos usuários e, em seguida, direcioná-los a páginas de vendas. Em […]

Leilão
28.09.2026
Antigo complexo do Hospital Santa Genoveva vai a leilão judicial em Goiânia

A Redação  Goiânia – O imóvel onde funcionou o Hospital Santa Genoveva, no setor de mesmo nome, em Goiânia, será levado a leilão judicial eletrônico a partir de outubro de 2026. Avaliado em R$ 28.270.000,00, o bem será alienado no âmbito do processo de falência do Grupo Hospital Santa Genoveva, que tramita na 21ª Vara Cível […]

Concurso
28.09.2026
Prefeitura de Aparecida e Instituto Verbena/UFG anunciam realização do concurso público da Educação

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Aparecida de Goiânia junto com o Instituto Verbena/UFG irão anunciar nesta terça-feira (29/9), 8h, os protocolos para a realização do concurso público para a Educação municipal. Serão oferecidas 2.956 vagas para professor, agente educativo e auxiliar de secretaria, além de 14.780 vagas para cadastro de reserva. O anúncio […]

Energia
28.09.2026
Equatorial Goiás realiza obras de modernização da rede durante desligamento programado

A Redação Goiânia – Ao longo desta semana, a Equatorial Goiás realizada serviços programados de manutenção e reconstrução da rede elétrica em diversas regiões do estado. As ações são necessárias para garantir mais segurança, estabilidade e qualidade no fornecimento de energia, com intervenções que envolvem troca de postes, transformadores, cabos, cruzetas e livramento de árvores próximas […]

Esporte
28.09.2026
Aeroporto de Goiânia reúne 3,5 mil corredores em corrida na pista de pousos e decolagens

A Redação Goiânia – Na madrugada de domingo (27), mais de 3,5 mil corredores percorreram a pista de pousos e decolagens do Aeroporto de Goiânia, durante a etapa do Santander Track&Field Run Series. Os participantes tiveram a oportunidade de vivenciar o ambiente aeroportuário sob uma perspectiva diferente, em uma estrutura planejada para receber o público […]