José Abrão
Goiânia – "Essa vitória tem várias camadas, vários significados. Não fui apenas a mulher mais votada dessa eleição, mas a mulher mais votada da história da Câmara Municipal de Goiânia, desde que se tem registro, de 1988 para cá. Isso é muito significativo", avalia Aava Santiago (PSDB), reeleita vereadora de Goiânia no último domingo (6/10), com mais de 10 mil votos.
Em entrevista ao jornal A Redação, Aava destacou que, assim como em 2020, foi eleita "contra todas as expectativas". "Ninguém acreditava que eu seria eleita em 2020, porque eu não tinha recursos financeiros, não tinha estrutura, não fazia parte de uma família tradicional, assim como ainda não faço, e fui eleita", pontua a vereadora. Para ela, sua reeleição "é fruto de um primeiro mandato que não negociou convicções e valores, oferecendo respostas ao eleitorado". "Isso reflete a credibilidade que o eleitor deposita em um trabalho sério e que gera resultados concretos", afirma.
Por outro lado, Aava lamenta o fato de que apenas cinco mulheres foram eleitas para a Câmara de Goiânia a partir de 2025. "Isso mostra o longo caminho que ainda temos de percorrer para garantir a participação efetiva das mulheres na política". Segundo a vereadora, essa baixa representatividade feminina no cenário político de Goiás está relacionada aos preocupantes índices de feminicídio e violência doméstica no Estado.
"O cenário muda quando mulheres chegam ao espaço de poder e legislam por cidades mais justas e seguras para as mulheres", defende Aava, destacando uma iniciativa de sua autoria que contribuiu para retirar 700 mulheres de lares violentos. "Imagine quantas vidas seriam protegidas e restauradas se tivéssemos mais mulheres no parlamento fazendo trabalhos como esse", ressalta.
Aava conclui afirmando que seguirá priorizando a defesa das mulheres. "O baixo número de mulheres eleitas afeta diretamente os riscos e problemas enfrentados pelas mulheres na cidade. Essa será uma bandeira prioritária que vou levantar nos próximos quatro anos", finaliza.
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