José Abrão
Goiânia – Pré-candidato a prefeito de Goiânia, o senador Vanderlan Cardoso (PSD) tem como principais bandeiras as pautas de cunho econômico, destacando, entre outros pontos, o projeto de criar administrações regionais para a capital e incentivar a atração de polos de desenvolvimento. Aberto e diálogo com vários partidos, conforme destacou em entrevista na sede do jornal A Redação, Vanderlan enfatiza, no entanto, que não descarta concorrer ao Paço Municipal com chapa pura. "Minha composição é com a população de Goiânia", destaca.
Natural de Iporá, o senador Vanderlan Cardoso, de 61 anos, já tentou, sem sucesso, conquistar a prefeitura de Goiânia em 2016 e em 2020. Também já disputou o governo de Goiás duas vezes, em 2010 e em 2014. Em Senador Canedo ele foi bem-sucedido, sendo eleito prefeito em 2004 e reeleito em 2008. Foi eleito senador em 2018 pelo PSD, sua sexta legenda partidária, e seu mandato segue até 2027, mas, mesmo assim, o político decidiu tentar se eleger prefeito de Goiânia mais uma vez.
“Eu quero ficar na história de Goiânia como o melhor prefeito”, disse o pré-candidato, mencionando Iris Rezende (MDB) e Nion Albernaz (PSDB) como grandes gestores da história da cidade. “Sempre houve um interesse da minha parte em ser prefeito de Goiânia e agora o momento é mais desafiador e tentador pela situação em que Goiânia está”, completou.
Caso seja eleito, Vanderlan terá que deixar o cargo no Senado, algo que havia prometido não fazer. Sobre isso, ele justifica que seu suplente, Pedro Chaves, é “extremamente capaz” e destaca que não teme que isso seja usado como munição pelos outros candidatos. “Os adversários vão estar na mesma situação, né? São deputados, presidente de federação, que terão que deixar o mandato ou se licenciar para assumir o cargo, então acredito que não vão por essa linha”, afirmou.
O pré-candidato revela que está trabalhando no desenvolvimento do seu plano de governo ao lado de Sucena Hummel, ex-presidente do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO), que se licenciou para se dedicar ao projeto de Vanderlan em Goiânia. “Um projeto inovador que nós apresentamos na última eleição, e vai continuar como foco, é o Parque Tecnológico da Cidade de Goiânia, ali entre o bairro Orlando de Moraes até a nossa Universidade Federal de Goiás", mencionou. "Nós fomos buscar referência na cidade de Campinas, em São Paulo, que cresceu, se desenvolveu, e hoje é uma das cidades mais importantes do Brasil, e que estava muito atrás de Goiânia há 20, 25 anos atrás em termos de arrecadação”, explicou.
O senador também quer reforçar o turismo na capital, tendo como foco o potencial da cidade como celeiro da música sertaneja. “Atrair mais investimentos para Goiânia, já que nós temos uma vocação aqui da música, com grandes shows, só que nós não temos espaço ainda para isso”, pontuou.
Senador Vanderlan Cardoso (Foto: Letícia Coqueiro/AR)
No radar do pré-candidato também estão problemas urgentes da capital, como a drenagem da água da chuva, a coleta de lixo, o trânsito e a iluminação pública. “É preciso resolver o básico, como coleta de lixo, varrição, iluminação pública, isso é o básico que um gestor [tem que resolver] em qualquer cidade”, disse. Para tanto, Vanderlan propõe parcerias com a iniciativa privada para acelerar a resolução dessas questões. “Isso nós vamos ver também com relação à coleta de lixo na cidade, com o tratamento dos resíduos sólidos, tudo isso aí nós já estamos trabalhando, já modernizando para 2024”, completou ao citar a elaboração do plano de governo.
Ao AR, Vanderlan disse que não espera encontrar resistência na Câmara Municipal com as propostas que tem elaborado, mas entende possível receio dos parlamentares. “Uma administração que está envolvida em alguns escândalos, os vereadores têm razão de ficarem desconfiados. Você tem que ter em uma administração a maior transparência possível”, disse, se referindo aos escândalos recentes na Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), na Companhia Municipal de Urbanização (Comurg) e nas denúncias feitas pelo Tribunal de Contas do Município e pelo Ministério Público referentes a contratos de limpeza e da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).
Vanderlan garante que entre as prioridades também estão ideias para a educação infantil, que possui em Goiânia, segundo ele, déficit de cerca e 8 mil vagas. Para uma solução imediata, o projeto é pagar por vagas na rede particular para suprir a demanda. “Nós pretendemos buscar terminar as creches [em construção], trabalhar depois para construir novas creches, mas vamos buscar esse apoio inicial, onde tiver vaga, por um valor justo, para colocar essas crianças”, disse.
Senador Vanderlan Cardoso (Foto: Letícia Coqueiro/AR)
Alianças
Sobre alianças e parcerias para o pleito deste ano, o senador disse não estar muito preocupado e que não busca grandes articulações. “Eu já fui candidato duas vezes apoiado pelo governo e, para mim, foi uma lição. Grandes composições, grandes tempos de televisão, muitas das vezes não vão resolver muita coisa porque a população está analisando tudo, o eleitor está ressabiado”, afirmou. Para ele, é mais importante "ter caráter e um bom projeto". “Minha composição é com a população”, reforçou o pré-candidato.
Ainda assim, Vanderlan disse que ainda não fechou o nome do seu vice na chapa e que está conversando com todos os partidos “inclusive alguns que têm pré-candidato”.“Mas a composição tem que ser com um projeto para a cidade. Não pode ser uma composição para ganhar as eleições e depois a prefeitura ser loteada”, ponderou. E disse, também, estar preparado para conduzir uma chapa puro-sangue ao lado de Sucena Hummel ou de outros nomes do partido, como o deputado federal Ismael Alexandrino, ex-secretário de Saúde de Goiás.
“Sucena não veio para o projeto para ser a vice. Ela é uma das possíveis vices. Então ela veio para colaborar no projeto. Hoje ela está ajudando muito na composição, na elaboração, aliás, do plano de governo”, assegurou. “E a nossa pré-candidatura está muito consistente, os números mostram isso. Eu estou muito confiante e muito pé no chão”, acrescentou.
O senador também disse ter boas relações com todos os seus antigos partidos e, inclusive, com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), e que vê com naturalidade e maturidade o governador ter um candidato do próprio partido. “Onde eu passei eu só deixei amizades. O União Brasil é o partido do governador, como é que ele não vai ter candidato? Tem que ter candidato, até mesmo para mostrar a força do governo na eleição”, disse. “Tudo que o governador Ronaldo Caiado nos pede em Brasília, nós temos contribuído”, adicionou. Quanto ao viés político, Vanderlan se declarou de centro e que “trabalha pelo Brasil”, apoiando propostas de velhos adversários, se forem interessantes. “Meu partido não tem nenhuma restrição. Nunca fui de falar em extremismo, de criticar isso ou criticar aquilo, eu procuro pegar nas pessoas as coisas boas”, arrematou.
Leia mais
Mabel defende gestão eficiente como solução para problemas de Goiânia