Logo

Brasil tem 575.930 médicos ativos e é maior número já registrado no país

WhatsAppFacebookLinkedInX
08.04.2024 - 11:16:17

Brasília – O Brasil registra, atualmente, 575.930 médicos ativos – uma proporção de 2,81 profissionais por mil habitantes, a maior já registrada no país. Os dados fazem parte da Demografia Médica CFM – Dados oficiais sobre o perfil dos médicos brasileiros 2024, divulgada nesta segunda-feira (8) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). 

 
Desde o início da década de 1990, o número de médicos no país mais que quadruplicou, passando de 131.278 para a quantidade atual, registrada em janeiro de 2024. No mesmo período, a população brasileira aumentou 42%, passando de 144 milhões para 205 milhões, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 
 
O número de médicos, portanto, aumentou oito vezes mais do que o da população em geral. Entre 1990 e 2023, a população médica registrou crescimento médio de 5% ao ano, contra aumento médio de 1% ao ano identificado na população em geral. 
 
A maior progressão no volume de médicos ocorreu de 2022 a 2023, quando o contingente saltou de 538.095 para 572.960 – um aumento de 6,5%. Com índice de 2,8 médicos por mil habitantes, o Brasil tem hoje taxa semelhante à registrada no Canadá e supera países como os Estados Unidos, o Japão, a Coreia do Sul e o México.
 
Para o CFM, o crescimento foi impulsionado por fatores como a expansão do ensino médico, sobretudo nas últimas duas décadas, e pela crescente demanda por serviços de saúde.
 
Escolas médicas
Dados da Demografia Médica mostram que, atualmente, há 389 escolas médicas espalhadas pelo país – o segundo maior número no mundo, atrás apenas da Índia. A quantidade de faculdades de medicina no Brasil quase quintuplicou desde 1990, quando o total chegava a 78. Nos últimos dez anos, a quantidade de escolas médicas criadas (190) superou o total de todo o século passado.
 
“O CFM vê com muita preocupação a velocidade de abertura de novas escolas médicas e do aumento das vagas em escolas já existentes. A abertura de vagas em escolas médicas é algo de interesse público e deve acontecer por necessidade social”, destacou o supervisor do estudo e conselheiro Donizetti Giamberardino. 
 
“A preocupação do conselho hoje é que se forme médicos de boa qualidade e com princípios éticos, a fim de atender à população”, completou. 
 
Desigualdade
Apesar do significativo aumento no contingente de médicos brasileiros, o CFM considera que ainda há um cenário de desigualdade na distribuição, na fixação e no acesso aos profissionais.
 
“O Brasil hoje tem número razoável de médicos registrados nos conselhos regionais de medicina, quando comparado às principais nações do mundo. Mas um dos principais problemas ainda é a distribuição desses médicos no país continental que é o Brasil”, avaliou Giamberardino.
 
Os números mostram que a maioria dos profissionais opta por se instalar nos estados do Sul e do Sudeste e nas capitais, devido às condições de trabalho. Os que vivem no Norte, no Nordeste e em municípios mais pobres relatam falta de investimentos em saúde, vínculos precários de emprego e ausência de perspectivas.
 
“Esse fato, por si só, trás muita dificuldade de acesso. Acesso é um princípio fundamental do Sistema Único de Saúde (SUS), adotado pelo Brasil em sua Constituição como direito do paciente”, destacou o conselheiro. “Se nós permitirmos que a medicina obedeça a uma lógica de mercado, atendendo às riquezas regionais, vamos promover desigualdade.”
 
Perfil
A idade média dos médicos em atividade no Brasil é 44,6 anos. Entre os homens, a idade média é 47,4 ano. Já para as mulheres, 42 anos. Observa-se também uma diferença no tempo de formação entre os gêneros: em média, os médicos têm 21 anos de formados, enquanto as médicas têm 16 anos.
 
Em 2023, os homens ainda representavam, ligeiramente, a maioria entre os médicos com até 80 anos, respondendo por 50,08% do total, enquanto as mulheres representavam 49,92%. Em 2024, a estimativa é que o número de médicas ultrapasse o de médicos. Atualmente, entre os médicos com 39 anos ou menos, as mulheres já constituem maioria, representando 58% em comparação a 42% dos homens.
 
“Se observarmos os profissionais hoje abaixo de 40 anos, a maioria é formada por mulheres”, destacou Giamberardino. “É uma característica das profissões. A mulher está impondo o seu justo papel de liderança e reconhecimento. Medicina se mede por conhecimento e só tem liderança na medicina quem tem conhecimento.”
 
Distribuição
O estudo mostra ainda que o aumento no número de médicos ao longo das últimas décadas não resultou em distribuição igualitária pelo país. O Sudeste tem proporção de profissionais superior à média nacional, de 2,81 por mil habitantes. A região tem a maior densidade e proporção de médicos; 3,76 por mil habitantes e 51% do total de médicos, enquanto abriga 41% da população brasileira. 
 
Em contraste, o Norte exibe a menor proporção de médicos (1,73 por mil habitantes), ficando significativamente abaixo da média nacional. O Nordeste, com 19,3% dos médicos e 26,8% da população, apresenta uma razão de 2,22 médicos por mil habitantes, também abaixo da média nacional.
 
O Sul, por sua vez, com 15,8% dos médicos e 14,8% da população, registra 3,27 médicos por mil habitantes, enquanto o Centro-Oeste, com 9% dos médicos e 8,1% da população, tem 3,39 médicos por mil habitantes, ambos acima da média nacional.
 
Nas capitais, a média de médicos por mil habitantes alcança o patamar de 7,03, contra 1,89 observada no conjunto das cidades do interior. Ao analisar os extremos dessa distribuição, Vitória registra a maior densidade: 18,68 médicos por mil habitantes. Em contrapartida, no interior do Amazonas, a densidade é de 0,20 médico por mil habitantes.
 
“O número de médicos é razoável, mas ainda é mal distribuído. Se nós crescermos sem uma política de fixação, isso vai aumentar a desigualdade”, ressaltou Giamberardino.
 
“Aumentar o número de médicos é algo muito simplista. Precisamos de uma rede de assistência que deve começar pela atenção primária. Esse número de médicos não merece comemoração. Precisamos estar preocupados com a formação desses médicos, que eles continuem num processo de aprendizado. O curso de medicina não é terminativo. O médico necessita de uma obrigação de atualização”, concluiu. 

Leia mais
Obesidade afeta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, segundo estudo da OMS

 

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Adriana Marinelli

*

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Saúde
08.10.2026
Vírus respiratórios ainda estão em alta no país, alerta Fiocruz

Brasília – Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por vírus respiratório demonstram que o rinovírus, o metapneumovírus e o Sars-CoV-2 apresentam tendência de aumento em nível nacional. Porém, novos casos semanais de SRAG por covid-19 estão baixos no país. O alerta está no boletim semanal InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira […]

Saúde
07.10.2026
Saúde especializada de Aparecida faz mais de 240 mil atendimentos em oito meses

A Redação Goiânia – A rede de atenção especializada da Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia (SMS) realizou mais de 240 mil atendimentos entre janeiro e agosto de 2026. O resultado reúne serviços do Centro de Especialidades Municipal (CEM), do Ambulatório Multiprofissional de Aparecida de Goiânia (AMAG) e do Serviço de Atenção Domiciliar (SAD), […]

Saúde
02.10.2026
HMAP alcança 100% de conformidade em avaliação nacional de segurança do paciente

A Redação Goiânia – O Hospital Municipal de Aparecida de Goiânia Iris Rezende Machado,  (HMAP) unidade da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), construída pela Prefeitura e administrada pelo Einstein, recebeu o certificado de Alta Conformidade na Avaliação Nacional das Práticas de Segurança do Paciente concedido pela Secretaria de Estado da Saúde de Goiás com base […]

SAÚDE
01.10.2026
Campanha ‘Goiás Todo Rosa’ reforça prevenção e diagnóstico precoce de câncer de mama

A Redação Goiânia – Em 2025, Goiás realizou 100.379 procedimentos registrados nas categorias mamografia e mamografia bilateral para rastreamento, segundo dados da Produção Ambulatorial do Sistema Único de Saúde (SUS). O número integra as ações do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES), que amplia, durante a campanha Outubro Rosa, […]

Futuro cooperativo
30.09.2026
Cooperativas de saúde de Goiás avançam na adoção de IA e ampliam tempo para cuidado com pacientes

Adriana Marinelli Goiânia – Enquanto grande parte do mundo ainda debate se a inteligência artificial (IA) vai substituir empregos, organizações dos mais variados segmentos já superaram essa etapa da discussão. Para elas, os esforços estão concentrados no que fazer com o tempo que a tecnologia está devolvendo à rotina. É o caso da Uniodonto Goiânia, […]

Imunização
30.09.2026
Aparecida inicia vacinação com Pneumo 20 para pessoas com 85 anos ou mais

A Redação Goiânia – A prefeitura de Aparecida de Goiânia inicia a vacinação com a Pneumo 20 para pessoas com 85 anos ou mais, nesta quinta-feira (1º/10). O imunizante amplia a proteção contra 20 sorotipos do Streptococcus pneumoniae, bactéria associada a doenças graves, como pneumonia e meningite. Nesta primeira distribuição, o município recebeu 710 doses […]

Saúde
30.09.2026
Anvisa aprova medicamento para tratar esquistossomose em crianças

Brasília – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta quarta-feira (30) o registro do medicamento Farmanguinhos Arpraziquantel, indicado para o tratamento da esquistossomose causada pelo parasita Schistosoma mansoni ou Schistosoma haematobium em crianças de 3 meses a 6 anos. A resolução foi publicada no Diário Oficial da União. Em nota, a Anvisa destacou […]

Saúde
30.09.2026
Mudanças na emissão e no controle de receitas médicas entram em vigor

Brasília – A partir desta quarta-feira (30), o Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) passa a disponibilizar funcionalidades específicas para a emissão e o controle eletrônico de receitas médicas. Em nota, a Anvisa destacou que a mudança não significa o fim das receitas em papel nem a obrigatoriedade […]