José Abrão
Goiânia – Durante visita aos estandes da 1ª edição do Goiás Social Mulher, na Praça Cívica, em Goiânia, o governador Ronaldo Caiado fez, nesta quinta-feira (7/3), uma reflexão sobre o cenário preocupante envolvendo casos de feminicídio no Estado e avaliou, entre outros pontos, que o estímulo ao empreendedorismo pode ser visto com uma forma de afastar mulheres dos agressores.
Caiado enfatizou que muitas vítimas de violência acabam permanecendo ao lado de quem as violenta em razão da dependência financeira. "A mulher precisa ter autonomia", destacou Caiado ao citar que o Estado trabalha no sentido de garantir a independência das goianas.
Ao contrário de homicídios e outros crimes violentos, que apresentaram queda entre 2022 e 2023, os feminicídios, conforme destacou o governador, permaneceram estáveis no Estado, com mais de 50 casos por ano. Para Caiado, ações como o Goiás Social Mulher servem como um “tratamento preventivo” para evitar que este tipo de crime aconteça.
O governador destacou os cursos profissionalizantes e as vagas de empregos disponibilizados no evento. “A mulher passar a ter uma atividade, passar a ter uma renda. Isso dá à mulher uma autonomia muito grande. Ela passa a ser dona da empresa dela e da casa dela”, avalia.
Integração
O governador também afirmou que acha injusto que o ônus dos índices de feminicídio recaia exclusivamente sobre a Segurança Pública, salientando que é necessário um trabalho conjunto. “É multifatorial. Onde está a Defensoria Pública? Onde está o Ministério Público? Onde está a Assistência Social? Onde está o Poder Judiciário? Então, eu acho que nós precisamos fazer um trabalho em que essa situação não chegue à escala final: as medidas protetivas têm que antecipar o feminicídio. Não adianta nada depois você simplesmente querer dizer que aconteceu o fato”, diz.
Caiado destacou o investimento de R$ 67 milhões na Segurança Pública para ações voltadas à mulher no Estado com a aquisição de tornozeleiras para infratores e o botão do pânico para vítimas. Além disso, o governador citou a implantação de câmeras nos ônibus do transporte coletivo com o objetivo de identificar casos de importunação e outros crimes.
Segundo ele, os sistemas de segurança são apropriados. “O que nós precisamos é fazer com que essa denúncia chegue em tempo hábil e essas medidas protetivas sejam mais céleres. Ou seja, o Tribunal de Justiça deveria criar também uma vara específica para julgar esse fato”, sugere.
No âmbito da segurança, o governador diz que esta é a prioridade: acelerar a saída de medidas protetivas e melhorar o monitoramento de infratores, impedindo que os crimes de feminicídio sejam concretizados. “Tem sido nossa missão denunciar os agressores e termos decisões rápidas no Judiciário, também para que possamos implementar a tornozeleira [no agressor] e a vítima passe a ter o botão de pânico. Tudo isso favorece enormemente a segurança da mulher”, finaliza.
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