Brasília – Só quem viveu a inflação desenfreada que dominava o Brasil vai entender o motivo da celebração: nesta sexta-feira (1º/3), o lançamento da Unidade Real de Valor (URV) completa 30 anos. A moeda fictícia abriu caminho para que o Brasil começasse a executar o Plano Real, conjunto de medidas que pôs fim a um histórico de hiperinflação persistente.
O Plano Real foi deslanchado no fim de fevereiro de 1994, quando o presidente Itamar Franco enviou para votação no Congresso Nacional a medida provisória (MP) que criou a Unidade Real de Valor (URV). A conclusão se deu na virada de junho para julho, quando senadores e deputados aprovaram a implantação do que viria a ser a moeda brasileira mais duradoura desde 1942.
A situação era tão grave que, nos oito anos anteriores ao Plano Real, o país teve quatro moedas diferentes e chegou a registrar, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um aumento anual de preços de quase 2.500%. Como comparação, a inflação de 2023 foi de 4,6%.
Implantação do real
Em 1º de julho, quando o país já estava devidamente acostumado com a URV, o cruzeiro real foi substituído pelo real, moeda prevista na segunda medida provisória do Plano Real. A URV, que naquele dia equivalia a R$ 1, também deixou de existir.
Fazendo uma análise geral, Pedro Paulo Zahluth Bastos, economista da Unniversidade Estadual de Campinas (Unicamp), lembra que, conforme havia projetado a equipe econômica do governo, a inflação começou a despencar de imediato. Em junho de 1994, último mês do cruzeiro real, a inflação mensal medida pelo IPCA foi de 47,5%. Em julho, primeiro mês do real, ficou em 6,8%. "E a queda continuou. Nestes 30 anos desde o início do Plano Real, a inflação mensal quase nunca passou de 1,5%. Alguns meses chegaram a registrar inflação zero e até deflação. O Brasil ganhou uma moeda estável", pontua o economista.
Ele ainda explica que u
m dos efeitos colaterais, dada a entrada de produtos importados a preços competitivos, foi o enfraquecimento da indústria nacional, que nunca mais conseguiu voltar aos patamares anteriores aos da década de 1980, com reflexos no desemprego.
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Por outro lado, o fim do descontrole crônico de preços permitiu que o poder público deixasse de voltar todas as suas atenções para o pagamento de uma dívida externa impagável e também para combate à inflação e o pagamento da dívida externa e começasse a olhar outras áreas, como a social", conclui Pedro. (Agência Senado)