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Drex será complemento ao Pix e nascerá passos à frente de ‘primos’ internacionais

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31.12.2023 - 14:40:22

São Paulo – Mundo afora, os bancos centrais correm para desenhar moedas digitais oficiais para facilitar transferências de dinheiro e digitalizar pagamentos. Como o Brasil já fez as duas coisas, o real digital, ou Drex, deve nascer alguns passos à frente de experiências similares, com maior foco em transações de maior valor e complexidade. "O Drex é um complemento ao Pix, e não um substituto", diz o gerente sênior de Estratégia de Negócios em Serviços Financeiros da Accenture, Ricardo Pandur. "O Pix atendeu muito bem ao varejo, à pessoa física e ao comércio, mas temos um mercado de capitais, de alto valor e de transações entre empresas que o Drex atacará no primeiro momento."

O especialista afirma que na China e na Europa, as chamadas moedas digitais dos bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês) tentam reduzir o uso de dinheiro vivo nos pagamentos, algo que o Pix já fez no Brasil. Nos Emirados Árabes Unidos, o objetivo é facilitar transferências internacionais, utilidade que o Pix também deve ganhar em breve. Na visão dos participantes do piloto do Drex, comandado pelo Banco Central, a moeda digital não será um produto, mas sim uma plataforma de operações. "O Pix trouxe a digitalização para os pagamentos e em alguma medida, para o dinheiro. O que precisa virar uma Ferrari é a infraestrutura que gerencia outros ativos", diz Pedro Alves de Lima, especialista de assuntos regulatórios do Nubank.

O executivo de tecnologia da informação do Banco do Brasil, Julierme de Souza, afirma que o Drex será essa plataforma. "O Drex não servirá para comprar uma bala, para isso temos o Pix. Ele servirá para operações que precisem de confiança, e para ter acesso a produtos financeiros mais sofisticados." Isso inclui o financiamento imobiliário, mas também a compra de produtos de investimento.

À frente
O mercado estima que haja, no mundo, mais de uma centena de projetos de moedas digitais oficiais. Por estar à frente, o Brasil deve virar exemplo para boa parte destes projetos. "O Brasil está muito avançado, em uma fase de testes que está validando o funcionamento do real digital", afirma o CEO da Vórtx QR Tokenizadora, Fernando Carvalho. Ele afirma que na Europa, por exemplo, o Banco Central Europeu espera ter o euro digital em 2028. Nos Estados Unidos, há representações digitais do dólar criadas por bancos, como a JPMorgan Coin, criada em 2019 e que é operada apenas entre instituições financeiras.

O diretor de Tecnologia do Bradesco, Edilson Reis, vê o Drex como um habilitador ou "padrão" para que o mercado digitalize ativos e operações. Ele diz que isso é possível porque o Brasil já integrou outros sistemas, como o de pagamentos. "As nossas operações financeiras têm um grau de sofisticação elevado, se compararmos com outros mercados", diz. Os bancos começaram a testar as águas antes do piloto do BC. O Itaú Unibanco criou uma unidade de ativos digitais, a Itaú Digital Assets, em 2022. "A Digital Assets é mais um sinal de como o banco pensa e ajuda não só ao banco, mas ao mercado como um todo, a pensar de forma propositiva", diz Guto Antunes, executivo à frente da área.

No Santander Brasil, há troca de experiências com a matriz, na Espanha, que tem um centro de excelência em blockchain (a tecnologia sobre a qual os ativos digitais são estruturados). "O protocolo selecionado pelo BC para o piloto do Drex, o hyperledger besu, por coincidência é estudado pelo centro de excelência da Espanha há algum tempo", diz Jayme Chataque, executivo de Ativos Digitais e Blockchain do Santander.

Difícil de explicar
Por mirar em problemas complexos, o Drex deve ser mais difícil de explicar ao público geral que o Pix, que tem uma finalidade mais objetiva – transferir dinheiro na hora. "O Drex está mais próximo do Open Finance, porque é uma infraestrutura", afirma Pandur, da Accenture. "Ninguém acorda querendo compartilhar dados via Open Finance, as pessoas querem um empréstimo ou cartão melhor."

O diretor de Tecnologia do BB, Rodrigo Mulinari, acredita que os bancos terão o desafio de mostrar aos clientes o benefício do Drex sem ter de explicar a eles como a moeda digital funciona. "O Pix tem uma complexidade arquitetural enorme, mas para o cliente, é muito simples", afirma. Por outro lado, o Drex e a mecânica de seu funcionamento podem ajudar as instituições tradicionais a resolverem um problema complexo: o rejuvenescimento da base de clientes. "Temos uma geração que está se bancarizando e que é tokenizada, nativa na criptoeconomia. O desafio é adaptar o banco para essa geração entrar." (Agência Estado)

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Fundos dos Direitos da Pessoa Idosa receberão destinações de imposto por Pix

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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