João Gabriel de Freitas
Apontada como uma das regiões mais violentas do país, o entorno do Distrito Federal passa a sofrer nesta segunda-feira com uma paralisação dos policiais civis que, entre as reivindicações, exigem reposição inflacionária dos salários em 42% (relativos aos últimos seis anos), convocação de funcionários excedentes e novo concurso para 3 mil vagas, além de melhores condições e estrutura de trabalho.
A normatização da greve, por tempo indeterminado, foi divulgada nesta segunda-feira, no site do Sindicato dos Policiais Civis do Estado de Goiás (Sinpol), que espera agregar na manifestação os 390 agentes de polícia, escrivães e peritos criminais, distribuídos por 26 delegacias de 19 cidades do entorno.
Até o início da tarde desta segunda-feira, a adesão dos agentes à greve, classificada pelo Sinpol-GO como absoluta, era contestada pela direção da Polícia Civil. “Essa manifestação tem caráter político e faz exigências desfocadas da realidade”, afirma o delegado geral adjunto da Polícia Civil Antônio Carlos de Lima, ao relatar, por exemplo, a requisitação de coletes à prova de bala. “Tem coletes sobrando aqui em Goiânia e agentes civis não usam no dia a dia, só quando sai em operação”, disse.
Mais próximo da manifestação, o titular da 5ª Delegacia Regional de Polícia, em Luziânia, Juracy José Pereira classificou a adesão da categoria à greve como “parcial”, mas não soube exemplificar em quais delegacias o atendimento segue ininterrupto. Presidente do Sinpol, Silveira Alves, por sua vez, alega que praticamente toda a classe aderiu à greve, mas cumpre ainda 30% da carga horária, conforme o estipulado em lei.
Alves ressalta que todas as reivindicações, desde janeiro deste ano, foram enviadas à direção da Polícia Civil e à Secretaria de Segurança Pública (SSP). “Chegamos a fazer duas assembleias com o governador e o delegado geral da Polícia Civil Edemundo Dias, mas as promessas até agora não foram cumpridas”, alega. “A única contra-proposta foi uma irrisória reposição salarial em 1,78%, enquanto solicitamos 42%, já que não temos o reajuste desde 2006”, dise Silveira Alves.
Para o presidente do Sinpol, o pior problema na região trata-se da falta de efetivo. “Há cerca de 3 mil cargos vagos em todo o Estado e só no Entorno precisamos de mais mil agentes. Todos os funcionários estão sobrecarregados e só de 2008 a 2010, um total de 147 pediram exoneração, pelos baixos salários”, alega Silveira. Ele afirma que na quarta-feira uma assembleia será realizada no pátio das delegacias especializadas, em Goiânia, para também tentar incluir na greve os agentes policiais da capital.
Criminalidade gritante e Força Nacional
A Região do Entorno, sempre apontada por apresentar índices de violência e assassinatos bem superiores à média nacional (75 mortes para 100 mil habitantes enquanto a média nacional é de 24 assassinatos para cada 100 mil habitantes), ainda registrou no início de 2011 mais uma onda de violência. Conforme dados do Ministério da Justiça, na cidade Águas Lindas de Goiás, distante 40 quilômetros de Brasília, nos três primeiros meses deste ano, o aumento do número de homicídios foi de 43%.
A situação drástica levou o Governo do Estado a solicitar a intervenção da Força Nacional de Segurança, que passou a atuar na região no final de abril, distribuída sobretudo pelas cidades de Águas Lindas de Goiás, Valparaíso de Goiás e Luziânia. Foram destacados inicialmente 100 agentes, sendo 30 policiais civis e 70 integrantes de forças de repressão.