A Redação
Goiânia – O Centro Cultural Octo Marques, em Goiânia, recebe a exposição individual Pantera Solidão, do artista visual goiano Benedito Ferreira. A mostra tem curadoria de Divino Sobral e permite um mergulho no mundo próprio que Benedito Ferreira realiza a partir de arquivos fotográficos e audiovisuais coletados em mais de uma década.
A exposição traz um conjunto de 39 obras inéditas e revela o interesse do artista pelas narrativas contidas nos antigos álbuns fotográficos de famílias e imagens capturadas em suas viagens à Islândia e França. Em Alfabeto do Gelo, destaque na galeria Samuel Costa do Centro Cultural Octo Marques, Benedito Ferreira capta a singularidade da Islândia, país conhecido por suas paisagens de tirar o fôlego.
O artista propõe uma interferência gráfica nas gélidas paisagens por meio de letras minúsculas do alfabeto português e cria uma conexão poética entre dois mundos aparentemente distantes, unidos apenas por um canto hipnotizante em língua islandesa. Benedito Ferreira convida os visitantes a contemplarem não apenas a imagem, mas também a narrativa subjacente, incentivando a exploração de significados ocultos e o diálogo entre culturas e idiomas.
“Em pouco mais de 5 minutos, o vídeo expõe a relação da imagem com a natureza e a melancolia intrínseca à vida naquele lugar. A obra também serve como um portal para o cancioneiro popular islandês, uma tradição lírica e musical conhecida como ‘rímur’, caracterizada por poesias e canções que frequentemente enfocam temas relacionados à natureza, à vida cotidiana, à história e à mitologia dessa terra remota”, destaca o artista.
Ferreira explora um conjunto expressivo de arquivos e álbuns fotográficos de famílias desconhecidas adquiridos em sebos, livrarias, leilões e feiras de diferentes cidades do Brasil, como Goiânia, João Pessoa, Rio de Janeiro e São Paulo. As obras da série O Bastardo são uma jornada visual que revelam o interesse do artista na desconstrução criativa da memória visual. Ele realiza um ato de "desossamento" meticuloso, extraindo delicadamente as páginas dos álbuns fotográficos e expondo sua essência crua e fragmentada.
O artista insere uma única "fotografia bastarda" de outro álbum no meio desta coleção perdida. Essa imagem intrusa, que não possui um contexto aparente dentro do álbum original, atua como um elemento disruptivo, capaz de desafiar nossa compreensão e fazendo-nos questionar a natureza das narrativas visuais. Benedito Ferreira não para por aí.
Seu trabalho poético contempla uma variedade de técnicas e elementos adicionais, como adesivos, fotopinturas, figurinhas colecionáveis, pequenos quadros fotográficos e penduricalhos, que dão as pistas da imagem intrusa, que se degenera sutilmente entre as páginas presas por pregos nas paredes do Centro Cultural Octo Marques. É como se ele estivesse sussurrando segredos visuais por meio da montagem, convidando o público a desvendar o enigma por trás da narrativa interrompida.
Pantera Solidão
Individual de Benedito Ferreira
Divino Sobral
Centro Cultural Octo Marques
31 de outubro de 2023, às 19h
Período de Visitação: 31/10/2023 a 07/01/2024
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*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG