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Ativista pela paz libertada pelo Hamas descreve ‘inferno’ no cativeiro

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25.10.2023 - 07:32:39
 
São Paulo – Yocheved Lifschitz, de 85 anos, uma das reféns libertadas pelo Hamas na segunda-feira, 23, criticou os militares israelenses por não levarem a sério as ameaças do grupo terrorista e descreveu o que passou como "inferno". Ela ficou em cativeiro por 16 dias e foi libertada com Nourit Kuper, de 79 anos, ambas de nacionalidade israelense e originárias do kibutz Nir Oz. "Não sei para onde me levaram", disse Yocheved. 

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"Fui colocada de lado em uma moto, para que eu não caísse, um terrorista me segurando pela frente, e outro, por trás. Eles cruzaram a fronteira com a Faixa de Gaza e me mantiveram primeiro na cidade de Abesan. Depois disso, não sei para onde fui levada." Falando com repórteres no hospital Ichilov, em Tel-Aviv, após sua libertação, Yocheved declarou que "passou pelo inferno" durante suas duas semanas como refém. 
 
Ela conta que, no trajeto de motocicleta até o cativeiro, os terroristas a agrediram com pedaços de pau, o que gerou lesões. A idosa também relatou dificuldades para respirar. "Eles nos levaram até a entrada dos túneis. Chegamos no túnel e caminhamos quilômetros em piso molhado e muito sujo. Há um sistema gigante de túneis, como teias de aranha", disse Yocheved, segundo o jornal israelense Haaretz. 
 
Segundo ela, os reféns foram bem tratados e os sequestradores foram amigáveis. "Deitamos em colchões, eles garantiram que tudo estava limpo", disse ela. "Eles garantiram que não ficaríamos doentes e tínhamos um médico conosco a cada dois ou três dias." Os reféns foram alimentados com pita (pão) com queijo branco, queijo processado e pepino – a mesma comida servida aos terroristas.
 
Críticas 
Em sua conversa com a imprensa nesta terça, 24, Yocheved acusou as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) de não levarem "a sério" as ameaças do Hamas. Ela também criticou a cerca fronteiriça colocada na divisa com Gaza, a qual custou "muito dinheiro" e foi rompida no ataque violento de 7 de outubro.  "Isso não ajudou", disse a idosa, segundo a CNN. 
 
Em relação ao ataque surpresa feito pelo Hamas, ela disse que os moradores do kibutz onde morava sofreram com a falta de conhecimento das IDF e do Shin Bet, o serviço de segurança interna de Israel. "Eles nos avisaram com três semanas de antecedência, queimaram campos, enviaram balões de fogo e as IDF não levaram isso a sério", acrescentou, referindo-se ao Hamas. 
 
"Fomos abandonados pelo governo três semanas antes. (O Hamas) nos educou, por assim dizer. De repente, no sábado (21) de manhã, quando tudo estava quieto, eles nos bombardearam, depois enxames romperam a cerca e abriram as portas do kibutz, relatou. O governo de Israel não explicou ainda porque seu serviço de inteligência não antecipou o ataque, nem o motivo para demora em reagir à investida. 
 
Libertação 
 Yocheved e Nurit foram libertadas três dias depois da soltura de outras duas reféns que estavam nos cativeiros do Hamas. Na sexta-feira, 20, o grupo soltou as primeiras vítimas após uma negociação com os Estados Unidos, mediada pelo Catar. Judith e Natalie Raanan, mãe e filha, moram em Evanston, no Estado americano de Illinois, e estavam em Israel para comemorar o aniversário de um familiar e celebrar um feriado religioso. 
 
De acordo com o Exército de Israel, ainda há 220 pessoas sequestradas sob poder do grupo terrorista. Um deles é o marido de Yocheved, Oded Lifschitz, de 83 anos. Com a mulher, ele foi sequestrado em sua casa no kibutz Nir Oz, comunidade rural perto da fronteira com Gaza, no sul de Israel. 
 
Ela e o marido eram ativistas pela paz que transportavam regularmente pacientes palestinos de Gaza para receberem tratamento médico em hospitais israelenses. No cativeiro, ele estabeleceu uma regra: "Não queremos falar sobre política", disse ela. "Embora me faltem palavras para expressar meu alívio por saber que estão a salvo, continuo concentrada na libertação do meu pai e das 200 pessoas inocentes ainda retidas em Gaza", disse a filha de Yocheved, Sharone Lifschitz, de nacionalidade britânica. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS) As informações são do jornal O Estado de S. Paulo (Agência Estado)

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por Adriana Marinelli

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