Jairo Macedo
Quatro testemunhas foram ouvidas na tarde desta terça-feira pela delegada Ana Elisa Gomes, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que investiga o sequestro relâmpago do bebê de quatro meses, filho do jogador Eduardo Pereira Rodrigues, de 19 anos, o Dudú, campeão mundial com a seleção Sub-20. A criança foi retirada dos braços da mãe, Mallú Horrana Neves Rodrigues, de 20 anos, por dois homens armados, que se aproximaram em uma motocicleta e a abordaram por volta das 18h10, na Rua Henrique Leão, na Vila Cristina, em frente à casa de uma tia de Mallú.
A criança, no entanto, foi localizada cerca de 40 minutos depois de ser sequestrada, em uma casa localizada a quatro quadras da casa de Mallú. Em depoimento, a mãe da criança disse que, pelo fato dos dois não terem tirado os capacetes, ela só viu os olhos dos homens e, por isso, não se sente capacitada para fazer nenhum retrato falado.
Até o momento, a delegada Ana Elisa Gomes trabalha com hipóteses ainda bastante vagas sobre o crime. “Não conseguimos delimitar ainda uma linha de investigação, já que a mãe estava sozinha no momento do crime e não há testemunhas”, disse. De qualquer forma, ela cogita a hipótese de que sejam pessoas do bairro ou região, uma vez que era um hábito da mãe permanecer com o filho naquele local e àquela hora.
Além da mãe da criança, foram ouvidos nesta terça-feira o tio de Mallú, a bisavó da criança e o companheiro da bisavó. Quanto ao fato do bebê ter sido “devolvido”, a delegada do DPCA pondera: “Se houve intenção de pedir dinheiro para o resgate, eles desistiram em função da forte atuação que se deu assim que a polícia foi acionada”.
Vizinho vai testemunhar
Um vizinho da região entrou em contato com a delegacia afirmando ter assistido a ação. Ele, porém, ainda não foi ouvido. Por razões profissionais, ainda não teve tempo de comparecer à DPCA, mas o seu depoimento deve ser colhido na quarta ou quinta-feira.
Mãe não é suspeita
A delegada Ana Elisa Gomes se mostrou irritada com a hipótese, levantada pela imprensa, de que a mãe teria simulado o sequestro para obter alguma atenção do jogador, de quem está separada há seis meses. “Em nenhum momento foi colocada a possibilidade do envolvimento da mãe, seria muito leviano de nossa parte afirmarmos isso sem nenhuma prova”, declarou ela. Outras possibilidades não foram descartadas, afirma a delegada, mas a única forma plausível, até aqui, de se enxergar a ocorrência é mesmo o seqüestro.
Dudu
Dudu, por sua vez, ainda não prestou depoimento. Embora natural de Goiânia, o jogador atua pelo Cruzeiro desde os 14 anos. A assessoria de imprensa do time mineiro orientou o jogador a não falar com a imprensa, mas seu empresário teve contato com a delegada e prometeu que o jogador virá a Goiânia na próxima semana para ser ouvido.
Ele só não virá agora, segundo o empresário, porque o Cruzeiro tem partida marcada para o domingo, dia 28, contra o arquirival Atlético-MG.