José Abrão
Goiânia – O debate de iniciativas que garantam o desenvolvimento sustentável da capital goiana marcou, nesta sexta-feira (2/6), o fórum ‘O Futuro das Cidades – Qual a Goiânia que Queremos?’, realizado no cinema do Shopping Bougainville. O evento, que reuniu especialistas em diversos segmentos e que tem o jornal A Redação como parceiro, considerou ideias nas mais variadas áreas, como tecnologia, educação, empreendedorismo e meio ambiente.
“O fórum é uma iniciativa de voluntários e apaixonados pela cidade. Buscamos discutir e trazer referências que possam acelerar um processo de uma gestão diferenciada que acompanhe o movimento da cidade. Temos uma cidade empreendedora que é referência nacional, e muitas vezes a gestão política não acompanha esse movimento”, explica o publicitário Marcus Vinicius Queiroz, idealizador do fórum. “Temas como saúde, educação e mobilidade são discutidos de forma muito superficial. A educação não pode ser pensada só como a escola, ela é um trampolim, uma base para uma nova cultura cidadã, um resgate do empoderamento humano [do cidadão]”, completa.

A principal novidade apresentada no encontro desta sexta foi a de que Goiânia, a partir deste ano, passa a ser um centro-laboratório para o desenvolvimento de carros elétricos autônomos, que farão testes nas ruas da cidade, por meio do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (Ceia/UFG), e que será destaque na Campus Party que começa na próxima semana.
“A proposta de cidade melhor é aquela que tem oportunidade e que traz qualidade de vida aos seus cidadãos. Estamos em uma nova revolução industrial, e em toda revolução temos grandes oportunidades como sociedade”, explica o fundador do Ceia, professor Anderson Soares. “Temos uma nova chance para o Brasil se posicionar melhor em termos de competitividade, geração de renda e desenvolvimento social, e a IA é a locomotiva dessa nova revolução”, garante.
Mas não só de robótica vive o homem. A professora Clarisse Andrade, mestre em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), abordou, durante o fórum, a relevância da educação socioemocional. “Ela é fundamental para o desenvolvimento humano, porque visa que a gente busque entender as nossas emoções, como a gente lida com elas, como lidamos com o próximo com mais empatia e para uma tomada de decisões mais responsáveis. O mais adequado é fazer isso na primeira infância, que é onde infelizmente há pouco investimento, mesmo tendo um resultado melhor a longo prazo”, argumenta.

Os professores Anderson e Clarisse (Foto: Letícia Coqueiro/AR)
Nesta edição do fórum, os temas convergiram para a educação como base para a transformação e desenvolvimento das demais áreas, como explica Danilo de Melo Souza, ex-secretário de Educação da Bahia e do Tocantins. “Pensar educação básica é pensar os fundamentos de uma sociedade democrática, produtiva e inclusiva. Em um país como o nosso, a educação integrada precisa pensar em segurança alimentar, em educação estética, criativa, que dialoga com o universo da cultura, das artes, do meio ambiente e da formação de valores”, avalia.
Gabriel Schimchak, gestor de Inovação do Senac Goiás/Senac Infinite, completa que, para empreender, é necessária uma educação altamente qualificada. “Você pode melhorar infraestrutura, trazer mais negócios, mas precisa trabalhar muito no talento e no empreendedorismo, e a forma de levar isso para a população é começar uma educação empreendedora desde o início”, relata.

Os palestrantes Daniel de Melo e Gabriel Schimchak (Foto: Letícia Coqueiro/AR)
Fecharam o rol de palestrantes o ex-secretário municipal da Educação e atual secretário municipal da Administração, Wellington Bessa, e o professor Carlos André, letrista e advogado. “O objetivo é fazer uma reflexão sobre educação pública: a busca pela educação 4.0, tecnológica, emocional e todas as dificuldades enfrentadas do aspecto da educação pública. Vamos buscar convergir [ideias] para que a educação pública seja efetivamente uma educação de qualidade”, disse Bessa, que trouxe sua experiência de gestão na área.

O secretário Wellington Bessa e o professor Carlos André (Foto: Letícia Coqueiro/AR)
Carlos André, por sua vez, abordou a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), um documento muito importante, mas ainda mal aplicado em Goiânia e em todo o Brasil. “Esse evento é fundamental, porque todo evento focado exclusivamente no processo educacional é uma forma de dizer que há uma preocupação efetiva com o futuro da humanidade, porque é a educação que produz seres humanos qualificados, intelectualmente eficientes e mais humanos”, conclui.