Catherine Moraes
Cerca de 1.200 médicos da rede municipal de saúde vão entrar em greve a partir desta quarta-feira (24/8) por tempo indeterminado. Com a paralisação, serão disponibilizados aos usuários do sistema público apenas serviços de urgência e emergência. Entre as reivindicações da classe estão melhores condições de trabalho, remuneração de acordo com piso da Federação Nacional de Médicos (Fenam), participação do médico no agendamento de consultas, contratação e nomeação de médicos nos cargos de direção técnica.
A decisão foi tomada em assembleia no último dia 17, na sede do Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego). O órgão informou, por meio da assessoria, que só vai se manifestar novamente após o início da greve.
Depois da assembleia, os médicos encaminharam uma pauta com as reinvidicações ao secretário municipal de saúde Elias Rassi Neto. Em ofício resposta ao Sindicato dos Médicos de Goiás (Simego) e ao Cremego, o secretário descartou a possibilidade de adotar o piso salarial da Fenam e alegou que a secretaria de saúde já tem gastos próximo ao teto permitido, com pagamento de pessoal.
Elias Rassi afirmou ainda que foi enviada à Câmara Municipal uma proposta de criação do cargo de diretor-técnico médico para 17 unidades de saúde. A resposta não atendeu às expectativas dos médicos que declaram greve. O Cremego afirma que a paralisação é legítima e não caracteriza infração ética já que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos.
De acordo com o diretor de comunicação da Simego, Robson Azevedo, médicos que exercem o mesmo cargo recebem salários com diferença que pode variar entre R$ 1 mil e 4 mil. O piso estabelecido pela Fenam é de R$ 9.118,20 por 20 horas semanais de trabalho. Além disso, os cargos de diretores técnicos – que respondem legalmente pelas unidades – não são exercidos por médicos, o que impossibilita o Conselho Regional de Medicina (CRM) de atuar na unidade de saúde.
Condições precárias
De acordo com os médicos, as condições de funcionamento da maioria das unidades são precárias, inclusive com a falta de equipamentos e medicamentos fundamentais para o atendimento aos pacientes. Outra reclamação diz respeito ao novo formato de agendamento de consultas implantado em junho pela secretaria. O problema foi denunciado à imprensa no último dia 11 de agosto pelo presidente do Cremego, Salomão Rodrigues Filho, que divulgou um relatório da vistoria feita pelo Conselho nessas unidades, apontando as deficiências e cobrando soluções.