Caroline Louise
Goiânia – Neste domingo (29/1), é celebrado o Dia Mundial da Hanseníase. A campanha janeiro roxo tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a doença que é tão pouco falada nos dias atuais.
Segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), 799 casos foram registrados em 2022. Embora exista uma queda no registro de casos, o alerta deve permanecer.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o Brasil ocupa a 2ª posição entre os países que registram mais casos de hanseníase. Em razão da elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública no país, sendo de notificação compulsória e investigação obrigatória.

O que é hanseníase?
Segundo a médica, a hanseníase é uma doença infecto contagiosa. A doença é causada por uma bactéria chamada Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen) que acomete mais comumente a pele e os nervos periféricos.
Geralmente, se pega a doença de pessoas que habitam na mesma casa ou permanecem diariamente no mesmo ambiente. "O contato rápido, aperto de mão e compartilhar objetos, não são mecanismos de transmissão da doença", completa.
Normalmente, a fonte da doença é um parente próximo que não sabe que está doente, como avós, pais, irmãos, companheiros, etc.

Principais sintomas
A médica diz que, as principais manifestações são manchas esbranquiçadas, amarronzadas e avermelhadas na pele com alteração da sensibilidade no local.
"Muito frequente também são as alterações neurológicas como: dores, fisgadas, choque, dormência ou formigamento ao longo dos nervos dos membros e diminuição da força nas mãos e pés. A perda da sensibilidade das mãos e pés pode levar o paciente a se machucar e queimar sem perceber, ou perder o chinelo enquanto caminha. Outras alterações também podem ocorrer como nódulos dolorosos na pele, redução dos pelos e redução da transpiração em alguns locais do corpo, inchaço nas articulações, obstrução nasal e olhos secos", descreve.

Tem cura?
Hanseníase é uma doença ainda cercada por preconceitos, ela tem cura e o tratamento é oferecido por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Priscila reforça ainda que a doença é considerada curada quando o paciente completa o ciclo de tratamento prescrito pelo médico "é importante que não haja falha no uso dos comprimidos e que eles sejam tomados regularmente".
A demora do diagnóstico e do início do tratamento pode comprometer a saúde do paciente. "A doença não leva à morte, mas tem alto potencial de causar incapacidades físicas e deformidades permanentes devido ao acometimento dos nervos (como pé caído e mão caída), esse risco ocorre quando há demora no diagnóstico e início do tratamento".
Tratamento
"Até 5 anos após o término do tratamento o paciente pode apresentar as reações hansênicas. Elas consistem no reaparecimento rápido de algumas manchas de pele ou nódulos dolorosos no corpo, e até dor forte e aguda nos nervos com perda súbita da força. Nesses casos, o paciente deve procurar de imediato o posto de saúde, pois necessitará de medicamentos anti-inflamatórios específicos que devem ser iniciados de forma emergencial", finaliza a médica.