Nádia Junqueira
Se por um lado o Democratas ainda não definiu se o senador Demóstenes Torres será ou não candidato a prefeito de Goiânia, por outro eles estão decididos a disputar grandes cargos nas eleições de 2014. Durante a Convenção do partido nessa manhã (20/8) na Câmara Municipal, o partido lançou o deputado federal Ronaldo Caiado para a disputa ao Senado em 2014.
Ronaldo Caiado, que foi reeleito presidente regional do DEM durante a convenção, também manifestou interesse em se candidatar ao Senado. Ele foi apoiado durante os discursos do vice-governador José Eliton e Demóstenes.
Em seu discurso, Caiado também mandou recados aos críticos do Democratas. Ele afirmou que o partido não precisa de tutela e que terá candidato à prefeitura de Goiânia, governo do Estado e presidência da República. Ele disse que, se não venceu as eleições em 1989, quando concorreu à presidência, Demóstenes vencerá em 2014.
Demóstenes Torres, por sua vez, respondeu ás especulações sobre sua postulação à prefeitura de Goiânia que pode ser candidato "a prefeito, ao governo e até à presidência". O senador e deputado não demonstraram pressa para decidir se Demóstenes disputará prefeitura. "Vamos definir até junho de 2012, data limite", declarou Demóstenes. Caiado afirmou que o momento é de crise no governo federal e eles devem se ocupar em fazer oposição. "Vamos dar tempo ao tempo", disse o deputado.
Democratas é um partido que apresenta grande força no cenário político goiano: ocupam a vice-governadoria, uma cadeira no Senado (Demóstenes foi o mais bem votado do país nas últimas eleições) e tem Ronaldo Caiado como deputado federal pela quinta vez. "Imaginem esse time no palanque de vocês em 2012?" disse Caiado às lideranças presentes nessa manhã na Câmara Municipal, durante Convenção do Partido.
A fala de Caiado expressa a intenção do partido, para as próximas eleições, de lançar candidatos próprios, mas priorizam também a aliança com PSDB. "Nós temos uma aliança preferencial com PSDB, porque participamos do governo e estaremos com Marconi Perillo. Mas onde pudermos lançar candidatos próprios, vamos lançar e isso, inevitavelmente, cria confrontos. Mas, na maioria das cidades, creio que estaremos com a base aliada", argumentou o senador Demóstenes.
Críticas
Ronaldo Caiado tem repetido há algum tempo que a criação do PSD é a união da traição com corrupção e que, por isso, a formação desse partido não ameaça crescimento do DEM. "Depois que alguns sairam do partido ocorreu uma lipoaspiração, isto é, tiramos a gordura. Quem gosta da sombra do poder saiu. O PSD é governo federal, é governo estadual, isto é, ele oscila de acordo com o poder", alfinetou o presidente do partido. Ele disse, ainda, que falta ao PSD uma identidade e um programa doutrinário.
Caiado também não poupou críticas ao governo federal (se referindo às denúncias de corrupção nos ministérios) e disse que DEM é o único partido que, de fato, faz oposição no Congresso Nacional. "O governo enfrenta uma crise institucional e isso mostra sua fragilidade. Em apenas oito meses, esse governo passa para sociedade a imagem de que está se desintegrando", criticou. Ele afirmou ainda que para combater esses escândalos, eles lutam pela instalação das CPIs. "Para termos ferramentas capazes de ir a fundo nas denúncias que existem: quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico".
No início do ano passado, o ex-governador do Distrito Federal José Arruda, então pertencente ao DEM, foi preso por suborno, por decisão do Supremo Tribunal de Justiça. Foi o primeiro caso de prisão de político por corrupção. Arruda foi expulso do Democratas ao confirmarem as denúncias. Ronaldo Caiado disse que seu partido não admite escândalos e criticou, novamente, o PT, pois recebeu de volta Delúbio Soares, envolvido em escândalos do mensalão no primeiro mandato de Lula.