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Para mercado, alimentação no domicílio ajuda IPCA em 2025, mas história não se repetirá em 2026

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30.11.2025 - 10:00:00

Após encerrar 2024 com alta de 8,2%, a inflação da alimentação no domicílio surpreendeu positivamente e ajudou no processo de desinflação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que deve fechar levemente abaixo do teto da meta inflacionária, de 4,5%, segundo a última pesquisa Focus. A expectativa para 2026, porém, é de que a abertura do índice não seja tão benigna, apontam economistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Os especialistas apontam que a alimentação no domicílio não deve contar no ano que vem com um cenário tão favorável quanto o de 2025, principalmente pela dinâmica da carne bovina. No entanto, deve ficar dentro do padrão brasileiro, observam os analistas. Em 2025 até outubro, a alimentação no domicílio acumula alta de 4,53%.

A apreciação cambial, as boas safras do ano, a queda nos preços das commodities, o alívio nas carnes, e o próprio tarifaço – que levou ao aumento da oferta interna – são alguns dos elementos que ajudam a explicar a trajetória de moderação para a alimentação no domicílio no ano. No total, foram cinco meses consecutivos de queda nos preços do subgrupo nas leituras do IPCA, de junho a outubro.

“Este ano foi um dos anos de maior surpresa para baixo em alimentos em muito tempo”, frisa o economista João Fernandes, da Quantitas. Segundo ele, o mercado foi surpreendido, uma vez que, ao longo dos meses de queda, era prevista certa devolução dos preços ou retorno para o campo positivo – o que demorou para ocorrer.

“As coletas no atacado mostraram que ainda tínhamos condições boas o bastante para recuos seguidos nos alimentos”, ressalta o economista, que prevê alta de 2% para o subgrupo no ano.

Além dos vetores que ajudaram o processo de desinflação da alimentação no domicílio, Fernandes chama atenção para o elemento que guiou sucessivas revisões para baixo na inflação do ano: a dinâmica do boi gordo, que contribuiu para a redução dos preços da carne bovina e também foi responsável para a Quantitas reduzir a projeção para a alimentação no domicílio de 2026, de 5,5% para 4,9%.

O cenário para o ano que vem, contudo, é de elevação para o preço da carne, na esteira do dinamismo das exportações e do ciclo do boi, mas Fernandes pondera que a situação é incerta. “A expectativa é de que o preço fique mais alto em 2026, mas isso está cada vez mais sendo postergado. Esperava-se uma inflexão no abate das fêmeas no segundo semestre deste ano, o que não ocorreu. Vimos resiliência nos abates e a expectativa agora foi adiada para o primeiro semestre do ano que vem”, destaca.

Para o economista Fabio Romão, da 4intelligence, dificilmente o cenário benigno para a alimentação no domicílio deve se repetir no ano que vem. No início de 2025, a projeção para o subgrupo era de alta de 7% e, agora, está entre 2,5% e 3%. “A recente apreciação do câmbio não se repete no ano que vem. A carne pode continuar subindo até meados do ano – não é nada dramático, mas a base de comparação ficou baixa”, afirma.

Depois de encerrar 2024 em alta de 20,8%, a expectativa de Romão é de uma desaceleração para as carnes em 2025, a 1,7%, voltando a subir para 6,9% em 2026. Outros pontos de atenção para a inflação de alimentos, segundo ele, são as categorias de frutas, leites e derivados, e óleos e gorduras.

A dinâmica mais comportada dos preços da carne bovina em 2025 também foi um dos principais determinantes que levaram a estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andrea Angelo, a reduzir a projeção para a alimentação no domicílio no ano, próxima de 2,5%, ante uma estimativa de alta de 6% no início de 2025. “Foi muita surpresa em alimentos, os in natura e semielaborados também estão mais fracos”, observa.

A inflação da alimentação no domicílio, contudo, não deve repetir a trajetória favorável em 2026, avalia Angelo, que projeta alta de 6% para o período. “Com o preço relativo muito baixo do feijão, arroz e leite, não vemos esse movimento perdurar pelo segundo ano consecutivo”, explica a economista, que também espera uma elevação do preço da carne bovina.

A taxa de câmbio, estimada pela Warren em R$ 5,40 tanto para 2025 quanto para 2026, não deve pesar tanto na inflação de alimentos no próximo ano, segundo a economista.

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por Agência Estado

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