Adriana Marinelli
Goiânia – Dores na região do abdômen, cansaço e dores de cabeça. Esses são apenas alguns dos sintomas da cólica menstrual, presente na vida de pelo menos 50% das mulheres. Segundo a ginecologista e obstetra Denise Gomes, em cerca de 10% das vítimas de cólica as dores são tão fortes que acabam interferindo nas atividades diárias. “Cólica menstrual é uma dor na região pélvica que se irradia paras as costas e confunde-se com a das cólicas intestinais”, descreve a médica.
“As cólicas podem surgir durante o período pré-menstrual. Porém, antes da menstruação ela é considerada um sintoma da tensão pré-menstrual. Além da dor, a cólica pode aparecer acompanhada de outros sintomas e manifestações, como náuseas, diarréia, vômitos, dor nas costas, cansaço, nervosismo, tonteira, dor de cabeça e até desmaio”, explica Denise.
Pode acontecer da cólica ser muito intensa e acompanhada de diarréia. Em casos como esse e que a mulher passa a sentir dores durante relações sexuais, é preciso maior atenção. Como destaca a ginecologista, são sintomas de endometriose. “As cólicas da endometriose surgem durante o período menstrual e vão embora logo em seguida, e muitas vezes são confundidas com as cólicas normais.”
Ainda segundo a especialista, com o passar dos anos, no entanto, ela torna-se mais duradora podendo tornar-se constante. “Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva apresentam esse sintoma. E muitas delas só descobrem que têm endometriose quando tentam engravidar e não conseguem”, dstaca.
Denise ressalta que a endometriose não causa a infertilidade, porém dificulta. “Os ovários são um dos locais mais frequentemente cometidos. Em muitos casos é preciso tratá-la antes para conseguir engravidar. A endometriose é uma afecção inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar.”
Adolescentes
A endometriose também pode ser diagnoticada em adolescentes. As meninas devem ficar atentas a qualquer dor muito intensa durante ou antes da menstruação, já que o diagnóstico da doença é, muitas vezes, dificultoso. Além do exame ginecológico, que é fundamental, pode ser necessário outros exames laboratoriais como laparoscopia, ultrassom endovaginal, ressonância magnética e exame de sangue.
“Ainda não existe uma diferenciação muito clara, porque há pacientes com endometriose e poucas cólicas durante a menstruação. Entretanto, nós sempre orientamos as mulheres a procurarem um médico quando tiverem cólicas com certa resistência a melhorar com remédios ou que as incapacite de exercer suas atividades normalmente”, recomenda a ginecologista.
Tratamento
Denise explica que o tratamento indicado para as mulheres que foram diagnosticadas com endometriose visa, em geral, suspender a menstruação por meio de hormônios, quer seja pelo DIU hormonal, pílulas ou injeções. Nos casos mais avançados, o tratamento pode ser a “menopausa temporária” induzida por medicamentos e cirurgia.
“Essa cirurgia geralmente é feita por meio de laparoscopia, e consiste em destruir os focos de endometriose. Em casos mais avançados pode-se até ter que retirar um pedaço do intestino, trompa e dos ovários, dependendo onde foi diagnosticada a doença”, esclarece.