Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG) e a Sociedade Goiana de História da Agricultura (SGHA) realizam nesta terça-feira, dia 1º, às 19h30, virtualmente pela plataforma meet, reunião para discutir a programação do projeto "Goiás 300 – reflexões sobre o processo de formação de Goiás", jubileu de escopo histórico que acontecerá durante este ano de 2022.
A ideia central é reunir informações e projetos para lembrar o transcurso dos 300 anos da colonização de Goiás, como explicam os presidentes do IHGG, Jales Guedes Coelho Mendonça, e da SGHA, Nilson Jaime.
Link para participar da reunião: http://meet.google.com/jfx-ivcz-srw.
Falta um grande livro
Um dos principais estudiosos da história de Goiás, com artigos que ampliam essa discussão, o historiador Nilson Jaime defendeu, em sua coluna ‘Periscópio’, no “Jornal Opção”, que falta ser escrito um grande livro sobre a história de Goiás e seu processo de formação, “fundação” e colonização. “Um livro generalista, que abranja e permita ao leitor conhecer os antecedentes de sua colonização, desde a Vila de São Paulo de Piratininga (1554). Um trabalho analítico dos fatores que motivaram os bandeirantes em sua “Marcha para o Oeste” a criarem povoados e arraiais, que se transformariam depois em vilas e cidades por toda a “região dos Goiazes”, abrangente dos hoje estados de Goiás e Tocantins, e do Distrito Federal”.
Destaca que essa obra também mensure os impactos desse encontro de civilizações sobre os povos originários indígenas. “Mais que uma simples dizimação, como se propaga, a colonização se deu por assimilação – através da superposição e mistura, segundo os conceitos de Alfredo Ellis Júnior (1896-1974) em seu “Populações Paulistas” (São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1934. 364 páginas) –, e mesmo a preservação das etnias indígenas ainda hoje existentes em Goiás”.
Para Nilson, Americano do Brasil (“Súmula de História de Goiás” – 1961, e “Pela História de Goiás” – 1980); Colemar Natal e Silva (“História de Goiás”) e Luís Palacin (“História de Goiás”, com Maria Augusta de Sant’Anna Moraes; e “História de Goiás em documentos – Colônia”, com Ledonias Franco Garcia e Janaína Amado), ou se omitiram ou abordaram o bandeirismo “de passagem”, por uma ou duas páginas, apenas para justificar as incursões dos Anhangueras e seus antecessores por esta região. “Semelhantemente, Modesto Gomes (“Estudos de História de Goiás”, 1974) aborda o bandeirismo apenas com os olhares para os Bartolomeu Bueno da Silva, pai e filho, sem se aprofundar no fenômeno do bandeirismo paulista e formação étnica dos mamelucos que compunham essas bandeiras, comumente confundidos com portugueses”.
Como explicou, o livro de Amália Hermano Teixeira (“História de Goiás”, 2011, 585 páginas, organizado “post-mortem” por Eleuzenira Maria de Menezes e Janete Romano Fontanezi) ainda não teve a atenção merecida. “Extenso, e por isso menos atraente ao leitor que os anteriormente citados, é o que mais se dedica ao tema do bandeirismo, incluindo os troncos familiares que deram origem aos conquistadores que colonizaram Goiás, e algumas linhagens deles originados”.
Todos esses historiadores tiveram como fonte os livros de Raymundo José da Cunha Mattos (“Chorographia histórica da Província de Goiás”, 1979) e de José Martins Pereira de Alencastre (“Anais da Província de Goiás – 1863”, publicado em 1979), muitas vezes se esquecendo de Saint Hilaire (“Viagem às nascentes do rio São Francisco e pela província de Goiás”, Companhia Editora Nacional, 1937) primeiro a escrever sobre os Bartolomeu Bueno da Silva, pai e filho, e a traçar um “quadro geral da província de Goyaz”.