Ludymila Siqueira
Goiânia – "O público pode esperar representatividade, uma passarela que traz as mulheres pretas do Recôncavo Baiano que movem o mundo da fé, do axé, do samba de roda e da resistência". É o que afirma Mônica Sampaio, diretora criativa da marca carioca Santa Resistência, que brilhará nas passarelas da São Paulo Fashion Week (SPFW). O desfile ocorre na tarde desta sexta-feira (19/11) e será transmitido no site do festival de moda e também no perfil da marca feminina nas redes sociais. Responsável pela confecção de sandálias de linho, a marca goiana Design Floresta, da arquiteta Fernanda Toledo, irá compor os looks durante a principal semana de moda do País.
Com a coleção "Joias do Recôncavo", Santa Resistência levará para as passarelas da SPFW um trabalho que une a ancestralidade da mulher preta, a moda africana e a região do Recôncavo Baiano, onde a criadora da marca nasceu. "Para a construção de cada peça, de cada look, busquei referências no meu próprio imaginário e nas minhas memórias. Trouxe para a coleção personagens que realmente existiram na minha vida, juntei elementos das roupas que elas realmente usavam e fiz uma releitura de toda essa estética", explica Mônica ao jornal A Redação.
A diretora criativa conta que o trabalho feito pela goiana Design Floresta, com inspiração e busca de matéria-prima na biodiversidade, tem uma sinergia que favorece a composição dos looks da Santa Resistência para o desfile desta sexta-feira na SPFW. "A proposta da coleção 'Joias do Recôncavo' também tem a natureza e as paisagens da região de São Félix como inspiração, além do uso de tecidos naturais", ressalta. "Estou muito honrada em ter ao meu lado uma marca como a Design Floresta, inclusiva e cheia de propósito", completa Mônica.

Sandálias de linho da Design Floresta, marca criada pela arquiteta Fernanda Toledo (Foto: Divulgação)
Os looks da coleção serão divididos em três blocos; confira:
Memórias de Oya
Mônica inicia sua história com a paisagem do Recôncavo. Looks em cores fortes, contrastantes e estampas, como um degradê que reproduz o pôr-do-sol em São Félix e a flor do deserto contrastando com o verde típico da região. Esta última abre o desfile e traz ainda os fuxicos feitos por artesãs de São Félix, uma técnica criada por mulheres pretas que ganhou popularidade em todo o País.
Transmutação de Iansã
A trilogia é concluída partindo do brilho intenso do amarelo até o branco da fé das filhas de santo do Recôncavo. A coleção evolui para o total white, com Iansã, a orixá que se transmuta em búfalo e borboletas, fechando o desfile com a energia da transformação.
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