João Unes e Théo Mariano
Goiânia – Líder da chapa OAB Para Tod@s, que disputa a presidência da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), Valentina Jungmann, dentre um grupo de mais de 30 propostas, avalia que a busca pela inclusão é uma das partes "fortes" de sua chapa. Autora do projeto que estabelece a paridade de gênero nos cargos eletivos da Ordem, obrigando que as chapas sejam divididas meio a meio entre homens e mulheres, Valentina também defende a maior participação de advogadas e advogados pretos e pardos.

"O nosso grupo ultrapassou o percentual mínimo de 30% da presença obrigatória de profissionais negros", comenta Valentina Jungmann em entrevista ao jornal A Redação. (Foto: Letícia Coqueiro/A Redação)
"O nosso grupo ultrapassou o percentual mínimo de 30% da presença obrigatória de profissionais negros. Além disso, uma de nossas representantes é de origem quilombola", acrescenta em entrevista exclusiva ao AR. Como explica a candidata, o projeto "Paridade Já" vale nas eleições deste ano da Ordem em todo o país. A medida é aplicada para todos os cargos das chapas formatadas. "Nós temos também um interesse em incluir minorias, como mulheres e os representantes da advocacia preta e parda. Por isso, caminhamos de mãos dadas com um projeto muito importante que é o da equidade racial", comenta.
Valentina ressalta "com orgulho" que a chapa OAB Para Tod@s tem a primeira mulher representante da advocacia preta, Maura Domiciana, que é candidata titular ao Conselho Federal da Ordem. "Eu entendo que a OAB precisa ser mais representativa, precisa ser mais plural", diz. Segundo a líder da chapa citada, a entidade precisa se aproximar mais de sua veia social. Ela cita, inclusive, a possibilidade de escolinhas de iniciação esportiva para crianças no CEL da OAB, em Goiânia. "Nós estaríamos cumprindo o papel social da Ordem", pondera.
A candidata relembra que o projeto "Paridade Já" foi aprovado pelas seccionais com mais facilidade: "Foram favoráveis os presidentes de 26 seccionais no País. A única que se absteve foi a atual gestão aqui do Estado de Goiás", pontua. No entanto, ela relata ter havido um pouco mais de dificuldade para aprovar a medida que estabelece a equidade racial nas eleições da OAB em todo o País. "A advocacia brasileira se vê representada nesses dois projetos. Hoje, a maioria dos inscritos na Ordem são as mulheres, e a maioria da nossa sociedade é formada por pretos e pardos."
Isso justifica, segundo Valentina, a importância de ser "vanguarda" nesses movimentos. A conselheira federal é a primeira candidata mulher à presidência da seccional em 80 anos. "A OAB-GO nunca teve uma mulher candidata, mas isso não significa que mulheres que me antecederam não tinham um projeto para chegar à presidência. "A OAB era menos inclusive, mas agora, com o projeto de Paridade, essa situação vai ser alterada. Agora temos a obrigatoriedade para que a próxima diretoria da OAB Nacional tenha pelo menos duas diretoras – e defendo aqui a eleição direta para esses cargos", conclui.