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A quebra do Teto de Gastos derruba Bolsa de Valores

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23.10.2021 - 10:42:43
Na última quinta-feira (21/10), o aceno da equipe econômica do governo brasileiro para o não cumprimento das metas fiscais e a quebra do teto de gastos incendiou o mercado. A insegurança quanto ao não cumprimento das obrigações perante a terceiros colocou o governo na berlinda. O resultado imediato foi a valorização do dólar frente ao real e a queda na Bolsa de Valores.
 
Não obstante a isso, no dia seguinte, quatro integrantes da equipe econômica deixaram o governo pelo descumprimento do teto de gastos, instrumento importante para a manutenção da estabilidade econômica e a garantia de novos investimentos. O ocorrido tem uma única causa, o fato do presidente da República querer implantar o Auxílio Brasil com um valor de R$ 400 sem ter fonte de recursos. 
 
Diante do fato, os recursos para financiar o programa de cunho eleitoreiro será retirado do pagamento dos precatórios, valor já contigenciado e que será desviado desrespeitando o teto de gastos criado no governo anterior. O teto é importante para tentar manter de pé o principal pilar do Plano Real, o equilíbrio fiscal.
 
A queda da popularidade do presidente, decorrente de sua atuação no âmbito da pandemia e os desgastes políticos proporcionados pela CPI, levou o governo a lançar o programa social que substitui o Bolsa Família para garantir a reeleição, mesmo sem fonte de recursos para mantê-lo.
 
O cenário em tela prejudicou ainda mais a imagem do governo frente ao mercado, razão do dólar ter chegado a R$5,63, forçando o Banco Central a quebrar outro pilar do Plano Real, o regime de taxas de câmbio flutuantes. Isto porque ao intervir no mercado cambial, vendendo dólar para evitar fuga maior de capitais, o governo quebrou a lógica da interação entre oferta e demanda de moeda para encontrar o preço de equilíbrio, fato que também traz insegurança aos investidores.
 
Portanto, iniciativas como a do governo federal de não cumprir o teto de gastos pioraram o cenário para 2022, colocando em xeque a possibilidade de reeleição do presidente.
 
*Júlio Paschoal é economista e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG)
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por Júlio Paschoal

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