Augusto Diniz
Goiânia – Durante o discurso que encerrou o encontro regional do MDB em Porangatu, na Região Norte de Goiás, na manhã deste sábado (2/10), o presidente estadual do partido, ex-deputado federal Daniel Vilela, falou por mais de uma vez em defender um projeto maior do que os interesses apenas partidários.
"Nós [MDB] estamos vivendo um momento completamente diferente de toda nossa história política em Goiás. Diferente por razões tristes, diferentes do ponto de vista da nova política que se apresenta ao nosso Pais, diferente por razões das legislações eleitorais que foram alteradas. E isso nos faz e nos traz a obrigação de estarmos, mais do que nunca, unidos e, principalmente, dispostos a lutar pelos nossos ideias políticos."
Ausência de lideranças históricas
Daniel cita a aposentadoria da "maior liderança" do partido, o ex-governador Iris Rezende como um dos símbolos da necessidade de mudar os rumos do MDB em Goiás para pensar nas eleições de 2022.
O presidente emedebista citou o falecimento do pai, o também ex-governador Maguito Vilela, em decorrência da Covid-19, "assim como tantos outros emedebistas por esse Estado". "Não teremos a presença física dele [Maguito], o que nos traz essa dificuldade grande [nas eleições do ano que vem]."
Para Daniel, o fim das coligações proporcionais vai tornar o Brasil um País "de poucos e grandes partidos". "Mais de 20, 25 partidos, serão extintos nessa eleição de 2022 […] Como alguém que acredita que é importante ter poucos, mas partidos fortes, sólidos, com convicção, será algo extraordiário para o nosso País." Mas reconhece que será um desafio grande para o MDB formar a chapa de deputado e conquistar cadeiras nos Legislativos estadual e federal.
Aliança com Caiado
"Demos a oportunidade de todo o partido se manifestar pelo Estado", diz Daniel sobre a decisão de apoiar o governador Ronaldo Caiado na busca pela reeleição no ano que vem. Há uma semana, o democrata anunciou que o presidente estadual do MDB será seu pré-candidato a vice-governador na chapa. Daniel lembra que 146 dos 160 diretórios municipais manifestaram apoio à aliança com Caiado. "Não seria eu como presidente que iria destoar da vontade da maioria do nosso partido", observa.
"É momento de maturidade política. É momento de ponderação por parte dos líderes políticos. Mais do que nunca, é momento de darmos as mãos, deixarmos de lado as nossa picuinhas políticas, os nossos interesses pessoais, os nossos interesses partidários e estarmos de mãos dadas com aqueles que também têm bons princípios e bons propósitos. E o governador Ronaldo Caiado é uma pessoa e um político que, com toda certeza – e já foi dito por todos que aqui me antecederam -, nos orgulha nesse aspecto."
Daneil define Caiado como um homem decente, correto, honesto, de bons princípios e que "quer fazer o melhor pelo nosso Estado de Goiás". O presidente estadual do MDB lembra no discurso que ele e Caiado tiveram um "embate duro" na eleição de 2018. "Ninguém pode disputar uma eleição sem ser questionador nas suas ideias, nos seus pensamentos. Ninguém pode disputar uma eleição se não for para defender com veemência o seu projeto", observa Daniel.
Convergência
Segundo o presidente emedebista, havia uma convergência entre a candidatura de Daniel e a do governador em 2018: "Nós dois lutávamos por uma necessária e profunda mudança dos rumos de Goiás naquele eleição. Goiás ja estava há 20 anos sendo administrado pelo mesmo grupo político que muito mal fazia para o nosso Estado. Um grupo político que deixou para todos nós uma herança extremamente negativa".
O basta ao chamado "clico político" que "não saía das páginas policais" veio com a escolha de Caiado para governador, de acordo com Daniel. O presidente emedebista destacou que Goiás vive um momento de condição fiscal adequada depois de assumir com "R$ 7 milhões de dívidas" deixadas pelas gestões anteriores.
Candidato próprio "a qualquer custo"
"O MDB chega a essa aliança com muita humildade. O MDB chega a essa aliança também entendendo que é chegada a hora de romper com dogmas que não estavam fazendo bem ao nosso partido", pontua Daniel sobre a aliança com Caiado.
Segundo o ex-deptuado federal, não era mais a hora de manter a ideia de que, independente de ganhar ou perder, o MDB tinha que apresentar um candidato a governador "a qualquer custo". "Não é esse o melhor caminho", enfatiza Daniel.
Veja como foi o encontro regional do MDB em Porangatu na manhã deste sábado (2/10):