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Protagonismo jovem no cooperativismo goiano: muito além da economia

25.09.2021 - 08:00:00
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Ludymila Siqueira e Adriana Marinelli 

Goiânia- “O jovem busca gestão democrática, liderança e empreendedorismo. Isso o cooperativismo oferece para quem estiver disposto a entrar no jeito coop de ser”. É o que afirma o cooperativista e secretário administrativo do recém criado Comitê de Jovens do Sistema OCB-GO (Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás), Victor Emannuel, de 25 anos.  Ele, que faz parte de uma cooperativa de bordados artesanais, a Bordana, localizada no Conjunto Caiçara, em Goiânia, apostou no ‘jeito coop’ há 12 anos e passou de alguém sem experiência no ramo para o posto de gestor de marketing no negócio. Negócio que, segundo ele, se mostrou bem mais vantajoso que os modelos “tradicionais” de empresas. 


Victor Emannuel fazendo o planejamento de marketing na cooperativa Bordana (Foto: arquivo pessoal)
 
O cooperativismo tem ganhado cada vez mais espaço no mercado brasileiro. Um levantamento feito pelo Sistema OCB Brasil mostra que o ano de 2020 fechou com mais de 4 mil cooperativas registradas na federação, distribuídas em todos os Estados do país. Do total, 232 unidades estão instaladas em Goiás, Estado que reúne o maior número de cooperativas ativas do Centro-Oeste. E nesse cenário de avanço, os jovens têm exercido papeis de protagonistas. 


(Foto: A Redação)
 
Os dados apontam ainda um crescimento de 11% no número de cooperados ativos no Brasil. São 17.121.076 ante 15.539.376 em dezembro de 2019. Nesse quesito, Goiás também tem posição de destaque. O Estado totalizou no fim do último ano 301.108 cooperados, sendo também bastante expressiva a participação do público mais jovem, conforme destaca o presidente do Sistema OCB em Goiás, Luís Alberto Pereira. 


(Foto: A Redação)

“O número de cooperados tem crescido, em média, 15% ao ano. Um dos desafios é atrair cada vez mais jovens para o modelo cooperativista e, por isso, temos trabalhado em estratégias para conquistar e representar esse público dentro da OCB-GO”, pontua.
 
 
Com foco nesse cenário, o Sistema deu um passo decisivo neste ano para ampliar a inclusão e representatividade do jovem no cooperativismo goiano: a criação do Comitê de Jovens Cooperativistas, que atua no fortalecimento da participação democrática do grupo. O intuito é dar voz ao público das novas gerações para a participação estratégica no Conselho Geral da OCB, além de preparar os membros para o processo sucessório do órgão.

Coordenadora do Comitê, Erica Alves destaca a Comissão como uma forma estratégica da OCB-GO para chamar a atenção do público jovem para o modelo cooperativista. “Uma forma de dar maior respaldo para que possamos conseguir mais benefícios e maior representatividade aos jovens junto à OCB-GO”, pontua. Para ela, é uma maneira convidativa de mostrar que esse público pode caminhar e participar junto ao Sistema. “O movimento está aberto para receber todos os jovens que querem se tornar cooperados”, comenta a coordenadora.

 


Coordenadora do Comitê de Jovens da OCB-GO, Erica Alves (Foto: arquivo pessoal)
 
Erica tem 25 anos e é cooperada e diretora da Cooperabs – Produtos Cará, no município de Bela Vista de Goiás, região Metropolitana de Goiânia. Ela está na cooperativa de segmento agrícola há 6 anos e desde 2016 faz parte do Conselho de Administração do negócio.
 
“Eu tinha apenas 5 anos quando a  Cooperabs foi fundada. 
Costumamos dizer que mesmo antes do início da cooperativa

os trabalhos já eram dedicados para o bem de todos da comunidade”
(Erica Alves, cooperada e diretora da Cooperabs)
                                                                                                                     

O Victor Emannuel, secretário administrativo do Comitê de Jovens do Sistema OCB-GO, considera que atualmente os adultos jovens não se encaixam mais no modelo das empresas tradicionais por estarem, na avaliação dele, “mais abertos e terem maior acesso às informações sobre o mercado e economia do País”.

Sendo assim, em maioria, segundo Victor Emannuel, esse público formado por adultos jovens pretende ser dono do próprio negócio e ter participação ativa em temas sociais. “Estamos tendo um bônus demográfico, ou seja, a maioria da força de trabalho é jovem. Eu vejo isso como uma oportunidade desse grupo conhecer e aderir ao modelo cooperativista. A participação de jovens nas sobras econômicas são de grande valia para o nosso Brasil”, afirma. 

Protagonismo jovem: uma ideia a se integrar
Rafael de Oliveira, de 29 anos, trabalha na cooperativa mista dos produtores de leite do município de Morrinhos, a Complem. Ele atua no segmento de armazenagem de grãos.
 

                                
Cooperativa agropecuária da Complem em Morrinhos (Foto: Divulgação)
               
No mercado cooperativista desde 2019, Rafael conta que seguiu os passos da família, que é tradicional do município. “A Complem ajuda muitas pessoas, incluindo gente da minha família. São pessoas que cresceram e ainda crescem com a força deste negócio”.
 
 
“Cooperativismo é um mercado global de muita
agregação e valores para o País”

(Rafael de Oliveira, cooperativista na Complem)
 
Rafael ainda destaca que, como todos os segmentos profissionais, o cooperativismo também tem momentos desafiadores, um deles é a inovação. “Posso dizer que nada é mais inovador do que os jovens de hoje em dia, com todas as tecnologias e oportunidades, com fome de inovar”, destaca Rafael, que não esconde o entusiasmo com o trabalho realizado até aqui. 
 

Presidente da OCB-GO, Luís Alberto Pereira compartilha do mesmo pensamento de Rafael. Na visão dele, o público jovem tem impulsionado a inovação dentro do cooperativismo goiano, independente do segmento. “Trabalhamos para isso. Hoje temos vários treinamentos e programas, inclusive temos uma diretriz clara e um espaço exclusivo para inspirar a inovação no cooperativismo – o InovaCoop”, ressalta Pereira.

                                               

 

Cooperativista e colaboradora do Sicredi Celeiros Centro-Oeste, Vanessa Marques, de 28 anos, trabalha na cooperativa de crédito há quase um ano e meio, mas já atuou por outros 5 anos no grupo Sicoob. Ela é mais um exemplo da força do jovem no mercado. 
 
Vanessa conta que o modelo de cooperativas sempre atraiu a atenção dela, pela forma de relacionamento com os associados e colaboradores, que se diferencia dos bancos tradicionais. “Isso me influenciou a apostar no negócio, porque gosto muito desse lado humano que as cooperativas trabalham”, salienta Marques, que atua na linha de crédito agropecuário do Sicredi. 
 
Vanessa comenta, inclusive, “o lado humano do cooperativismo” como uma das vantagens de apostar no mercado de crédito. “Na comunidade podemos ver muito o valor agregado, que é a economia, o fomento e desenvolvimento da economia local”, salienta.
 
 


Vanessa Marques em visita técnica pela cooperativa de crédito da Sicredi (Foto: arquivo pessoal)
 
Sem medo de errar: uma fonte de renda para todos os gostos
De maneira geral, a linha de crédito é o ramo mais conhecido do cooperativismo, mas o mercado é bem mais amplo que isso. Dentre as diversas oportunidades de investimento estão os setores agropecuário, de consumo, crédito, infraestrutura, saúde, bens e serviços e transporte.
 

Ramos do cooperativismo:  agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, saúde, bens e serviços e transporte (Foto: A Redação)
 
Coordenadora do Comitê de Jovens da OCB-GO, Erica Alves garante que o cooperativismo é um negócio altamente rentável. Por ser um modelo que trabalha em conjunto, faz com que naturalmente a participação de mercado também seja vantajosa.
 
“Os trabalhos acontecem de forma transparente,
com a participação de todos para um bem comum, então só fortalece”

(Erica Alves, cooperada e diretora da Cooperabs)
 
Além de ser uma fonte de renda, o cooperativismo também distribui renda. É o que pontua o presidente da OCB-GO ao destacar que, mesmo durante a pandemia, as cooperativas não pararam.  “O melhor é que esse retorno econômico do cooperativismo beneficia a comunidade local, o que promove o aumento da economia”, acrescenta Luís Alberto Pereira. 
 

Como funciona
Dentro das cooperativas a divisão financeira é definida no momento da fundação do negócio, em que os membros decidem entre si como será a participação financeira de cada um. Costuma funcionar da seguinte maneira: por meio de uma assembleia, é combinada a forma mais justa de retorno econômico entre todos. Por exemplo, no segmento de bens e serviços a distribuição da renda costuma ocorrer pelo tempo dedicado de contribuição e resultados na cooperativa dentro do mês, conforme explica Victor Emannuel.


Victor Emannuel e parte da equipe da cooperativa Bordana (Foto: arquivo pessoal)
 

O formato pré-estabelecido de divisão de lucros é um dos pontos que têm atraído os jovens para o modelo, segundo Victor Emannuel. “Mesmo que ainda não tenhamos os dados fechados, tem sido notável o crescimento das cooperativas goianas durante a pandemia do novo coronavírus. Isso pode ser considerado um dos fatores para o jovem não ter medo de apostar no modelo cooperativista”, acrescenta o secretário administrativo do Comitê de Jovens. 
                                                                                                   

Além da economia… 
Coordenadora do Comitê de Jovens da OCB-GO, Erica Alves comenta que o modelo cooperativista promove de forma natural benefícios para toda a comunidade ou região. “Porque não trabalhamos por um. É um bem para o coletivo. E, além disso, visa a criação de projetos sociais, engajando os cooperados e colaboradores para corroborar para uma sociedade melhor. Uma grande influência para a nova geração olhar para um todo”, ressalta. 
 

Cooperados e Colaboradores da Cooperabs – Produtos Cará (Foto: arquivo pessoal)
 
O mesmo é pontuado por Victor Emannuel. Ele acredita que os jovens dentro do modelo cooperativo são uma esperança para o bem comum social. “Eu vejo como uma oportunidade de jovens aderirem ao cooperativismo, não só por serem novos de idade, mas por sua atividade social nos dias atuais. Se unindo ao “jeito coop” de ser, esse jovem pode ser ainda mais forte”, finaliza o cooperador da Bordana. 
 

Equipe da cooperativa de bordados artesanais Bordana (Foto: arquivo pessoa)
 
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por Adriana Marinelli

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