Théo Mariano
Goiânia – O recuo na vacinação de adolescentes contra a covid-19, anunciado pelo Ministério da Saúde e ratificado posteriormente durante coletiva de imprensa pelo ministro Marcelo Queiroga, "não tem qualquer explicação científica", segundo avaliação do epidemiologista Pedro Curi Hallal. "Não faz sentido nenhum, não tem justificativa", comentou em entrevista ao jornal A Redação.
No Twitter, o epidemiologista considerou "100% errada" a decisão do Ministério da Saúde. "A coletiva de imprensa do ministro Marcelo Queiroga é péssima, em vários sentidos. Explicar o inexplicável é impossível. A política, e não a ciência, guiam as ações do Ministério da Saúde em meio a maior pandemia de nossa geração", escreveu Hallal.
A coletiva de imprensa do ministro @mqueiroga2 é péssima, em vários sentidos. Explicar o inexplicável é impossível. A política, e não a ciência, guiam as ações do Ministério da Saúde em meio a maior pandemia de nossa geração. ????????????????????????????????????????????
— Pedro Curi Hallal (@PedroHallal) September 16, 2021
Durante o anúncio em que recomenda paralisar a vacinação de adolescentes sem comorbidades, o ministro Queiroga afirmou que a imunização no grupo foi iniciada "antes do previsto". A pasta federal havia programado o início para o dia 15 de setembro. No entanto, segundo o secretário de Saúde de Goiás, Ismael Alexandrino, as etapas seguiram o programado: foram iniciadas após a conclusão da imunização com a primeira dose para pessoas acima de 18 anos.
A decisão do Ministério da Saúde não repercutiu bem entre os epidemiologistas. Uma delas, Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pós-doutoranda em epidemiologia pela Johns Hopkins University, afirma: "O que o Ministério da Saúde fez hoje no Brasil foi uma campanha anti-vacina. Apresentar dados do sistema de evento adverso que apenas é notificação, sem uma investigação adequada, é uma afronta à saúde pública", escreveu a pesquisadora no Twitter.
Ministério da saúde errou e erra consistentemente. Levem seus adolescentes para vacinarem assim que puderem. O problema não é apenas a morte, mas sequelas permanentes que podem acometer esses adolescentes e podem impactar a vida deles. A Pfizer está aprovada pela ANVISA, é segura
— Ethel Maciel, PhD -PÃO, VACINA & EDUCAÇÃO?????? (@EthelMaciel) September 16, 2021
Segundo o ministro Marcelo Queiroga, que concedeu entrevista coletiva nesta quinta-feira (16/9) para explicar a nota informativa na qual o MS recua sobre a vacinação de adolescentes, foram identificados "1,5 mil eventos adversos" em adolescentes imunizados contra a covid-19.